Mortes misteriosas de ao menos 10 gatos na Orla Ferroviária preocupam tutores dos animais em Campo Grande, MS

Mortes misteriosas de ao menos 10 gatos na Orla Ferroviária preocupam tutores dos animais em Campo Grande, MS

Quem presenciou as mortes diz que a cena “é triste e de muita brutalidade”. A maior suspeita é de casos de envenenamento de gatos, que começaram na 2ª semana de setembro, conforme moradores da Orla Ferroviária, que possuem casas perto da Feira Central, em Campo Grande.

“Eu tinha 9 gatos, incluindo os agregados que vinham por aqui buscar alimento. Três deles morreram. A 1ª morte começou no dia 12 de setembro, quando um dos gatos começou a gritar e, em seguida, convulsionar. Meu irmão e mãe levaram ele ao veterinário, ainda durante a madrugada e o animal retornou para casa com balão de oxigênio”, afirmou ao G1 a estudante Maria Fernanda Greco, de 31 anos.

Pouco tempo depois, o animal faleceu. “Eu ainda nem paguei a faturo do cartão de crédito do tratamento dele, que ficou mais de R$ 1 mil. Nós somos pessoas simples, eu sou professora. E todos os gatos aqui são vacinados, mansos, muito difícil ver uma morte terrível destas. Vai derretendo o fígado e o animal fica vomitando, uma crueldade terrível”, lamentou Madalena Greco.

Jovem mostra um dos gatos que sobreviveram, porém perdeu os irmãos em MS. (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

Dois dias depois da primeira morte, no dia 14 de setembro, outro gato apresentou reações. “Nós ficamos esperando a segunda amanhecer logo e até procuramos veterinário durante a madrugada. Só que pouco tempo depois ele morreu. Engraçado que ele teve alta há pouco tempo, depois de darmos antibiótico por conta de baixos leucócitos”, explicou.

No penúltimo domingo, outra morte. “Este que morreu no nosso terreno nós enterramos aqui mesmo. Outros sumiram e nós também não sabemos o paradeiro. Meu irmão começou a investigar, conversar com vizinhos e soube das outras mortes. Foi aí que entramos em contato com o CCZ [Centro de Controle de Zoonoses] e eles falaram sobre uma isca que é colocada em bueiros”, disse Greco.

Conforme a estudante, o CCZ informou que é uma isca colocada há muitos anos, garantindo que não mata gatos. “Nós colocamos nas ruas e inclusive se os moradores solicitam. Mas não é mortal para gatos, no máximo eles gorfam do mesmo jeito como se tivesse comigo grama. Foi exatamente assim que uma pessoa de lá me explicou, então não soubemos se é isto ou então alguma outra pessoa agindo de má fé. Eu moro aqui há 25 anos e é a 1ª vez que presencio tantas mortes”, explicou.

Estudante mostra local onde enterrou um dos gatos que encontrou no quintal em MS. (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

A dona de casa Maria Helena Pereira, de 58 anos, disse que também alimenta alguns gatos que aparecem na casa dela. “Aqui não soube da morte de nenhum não, apenas dos vizinhos”. A cabeleireira Clarice Neves, de 65 anos, é uma delas. “Já teve época de aparecem 17, 18 gatos. No outro dia, 5. Eu já estou acostumada em alimentar, sendo que em uma destas ocasiões acordei e encontrei o gato vomitando e morrendo. É terrível”, disse.

Ainda conforme Neves, outra gata prenha também morreu na frente dela. “Não foi possível nem levar no veterinário. Ele morreu na tarde de domingo. Há mais de dez anos, houve uma matança de gatos por aqui, porém uma vizinha até confessou que deu veneno na época. Agora, não sabemos o que é”, falou.

Cabeleireira mostra local onde outros gatinhos nasceram e gata prenha morreu em MS.  (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

Casos de envenenamento

De acordo com o delegado Marco Antônio Balsanini, titular da Delegacia Especializada de Repressão à Crimes Ambientais e Atendimento ao Turista (Decat), os donos dos animais devem sempre registrar boletim de ocorrência. “Geralmente, quando isto ocorre, são casos de envenenamento e não um caso isolado. É quando algum vizinho da área se sente incomodado e não um serial killer de gatos agindo, por exemplo”, ressaltou.

Ainda conforme Balsanini, muitas pessoas se sentem incomodadas com a presença de gatos. “Alguns pulam muro, arranham carros e motos ou então defecam na casa de estranhos. O gato não respeita limites, ao contrário dos cães que ficam nas casas. Estes, muitas vezes, incomodam pelos latidos. A sugestão, se suspeitar de envenenamento, é recolher o vômito em um saco plástico, deixar na delegacia e então levar na delegacia, pois encaminhamos para perícia”, garantiu.

No caso de acumuladores, como são as pessoas que possuem mais de 10 animais em casa, é necessário retirar uma licença ambiental. “Existem casos assim, que incomodam vizinhos, então a pessoa precisa se precaver. Se identificado o culpado, ele pode ser punido pelo crime de maus tratos a animais, com penas de até 1 ano e 4 meses, além de outras punições. E até um relatório do veterinário é importante para estas investigações”, finalizou Balsanini.

Um dos gatos que morreu na segunda semana de setembro em MS, diz moradora.
(Foto: Maria Fernanda Greco / Arquivo Pessoal)

 Por Graziela Rezende

Fonte: G1

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