Multas para tráfico somam R$ 2,2 milhões em Minas Gerais

Multas para tráfico somam R$ 2,2 milhões em Minas Gerais

A devastação da natureza de Minas Gerais tem doído no bolso dos traficantes de animais. No ano passado, a diretoria de Fiscalização dos Recursos Faunísticos e Pesqueiros da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) realizou 18 operações de apreensão de bichos coletados na fauna nativa e que seriam vendidos para o cativeiro, e aplicou cerca de R$ 2,2 milhões em multas. No total, foram apreendidos 1.563 animais. Só em Montes Claros, na região Norte de Minas, uma operação em outubro encontrou quase 600 aves no porta-malas de um carro.

Apesar de animais de todos os tipos serem apreendidos pela Semad, a preferência dos traficantes é pelos pássaros. Os mais traficados no Estado são o canário-da-terra, também conhecido como chapinha, e o trinca-ferro. O primeiro é usado para rinhas, e, por isso, também é conhecido como canário-de-briga. Já o segundo tem um canto bastante apreciado por criadores.

Os pássaros são os mais visados porque dão retorno comercial, segundo o diretor de Fiscalização dos Recursos Faunísticos e Pesqueiros da Semad, Marcelo Coutinho Amarante. Os animais chegam a ser vendidos por preços que podem atingir até R$ 100 mil. “Existem torneios ilegais de canto, e um animal que vence uma disputa dessas pode atingir uma cifra altíssima”, explicou Amarante.

Além das aves, também foram apreendidos no ano passado répteis, como cobras, lagartos e tartarugas, invertebrados, como abelhas e minhocas, e mamíferos, como micos. Segundo ele, além de sofrer com a retirada de sua fauna local, Minas Gerais é uma das rotas do tráfico de animais, que têm como principal destino a região Sudeste do país.

“Estimamos que, para cada papagaio que chega à casa de alguém, outros nove morreram no caminho, seja durante a caça no meio ambiente, seja durante as péssimas condições em que os animais normalmente são transportados”, alertou Amarante.

Segundo ele, é por meio de denúncias anônimas que a fiscalização consegue estruturar as operações de apreensão. É possível delatar o tráfico e a posse de animais silvestres pelo site da Semad (www.meioambiente.mg.gov.br) ou pelo telefone 155.

Mais apreendidos em Minas Gerais

Ranking. Na lista das dez espécies mais apreendidas pela fiscalização no Estado, só apareceram aves. Valorizadas e fáceis de vender, elas são as preferidas dos traficantes de animais. Confira os mais recolhidos:

1. Canário-da-terra (Sicalis flaveola)
2. Trinca-ferro (Saltator similis)
3. Azulão (Cyanoloxia brissonii)
4. Coleirinho (Sporophila caerulescens)
5. Pretinho (Sporophila nigricollis)
6. Curió (Sporophila angolensis)
7. Papa-capim (Sporophila sp)
8. Pássaro-preto (Gnorimopsar chopi)
9. Estrelinha (Sporophila lineola)
10. Tico-tico comum (Zonotrichia capensis)

Entrega voluntária isenta punição

Quem mantém um animal silvestre em casa pode escapar da multa e de outros processos penais se entregar o bicho voluntariamente em um Centro de Triagem de Animais Silvestre (Cetas). Em Belo Horizonte, a unidade fica na avenida do Contorno, 8.121, no bairro Lourdes.

“Essa entrega espontânea é prevista em lei, mas o ideal é que a pessoa agende até para não correr o risco de ser presa transportando o animal. Quem faz essa entrega não sofre nenhuma punição, é um favor que a pessoa faz à natureza”, afirmou o diretor de Fiscalização de Recursos Faunísticos da Semad, Marcelo Coutinho Amarante.

A multa para receptação, guarda e comércio dos animais varia entre R$ 897,09 até R$ 8.970,86 por cada espécime.

Por João Renato Faria 

Fonte: O Tempo 

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