Na Espanha, anti-taurinos clamam pelo fim das 'touradas e da tortura animal'

Na Espanha, anti-taurinos clamam pelo fim das ‘touradas e da tortura animal’

O que começou como um pequeno protesto há alguns anos com «apenas dez pessoas» em frente ao El Bibio hoje se converteu em o porta-voz da sociedade de Gijón. A manifestação anti-taurina que acontece anualmente coincidindo com a Feira de Begoña reuniu no último domingo a quase vinte associações e partidos políticos e centenas de pessoas, que individualmente, se concentraram em frente a praça de touros de Gijón exigindo o fim da tauromaquia na cidade.

Ao grito de «a tortura não é cultura» ou «maus-tratos animal no código penal», os manifestantes seguiram caminhando desde a Plazuela até a praça de touros acompanhados por inúmeros agentes da Policía Local e Nacional. Elena García, que esteve presente naquele primeiro protesto em que os participantes «se contavam nos dedos», ficou muito feliz com a magnitude nesta convocação anual. «Me parece uma barbaridade fazer um animal sofrer assim, por diversão. “Não gosto destas tradições selvagens e não creio que devam ser consideradas cultura», opina a gijonesa.

O protesto, convocado pela Associação Nacional Animais com Direitos e Liberdade (Anadel), contou com a presença de vários representantes de partidos políticos da cidade: PSOE, Izquierda Unida, Podemos, Pacma e Equo. Sergio Fernández, co-porta-voz da Rede de Animais de Equo Asturias, afirmou durante a manifestação que a esquerda gijonesa deve fazer uma «autocrítica», pois, apesar de sua maioria na Câmara, ainda não foram tomadas as medidas para abolir as touradas na cidade. «Seja através do clamor da população ou dos partidos políticos, é preciso juntar forças para que o objetivo seja alcançado», resumiu.

A plataforma cidadã Proanimales de Oviedo foi uma das entidades que vieram a Gijón para manifestações durante os próximos anos para manter «o clamor popular e por fim a tauromaquia e a tortura animal legalizada». «Em qualquer país racional e respeitoso com os vulneráveis é inaceitável que a tortura seja um fato para comemorar», ressaltou.

Meia hora antes do inicio da tarde de touradas no El Bibio, a manifestação chegou à praça de touros e se concentrou entre o cercado e o cordão policial. Ali, como em anos anteriores, se viveu uma atmosfera com ânimos quentes com numerosas encrespações, e provocações. Apesar disso, não houve incidentes graves a serem lamentados. Em relação à assistência, os números variam entre as 600 pessoas segundo os dados da Polícia e os 2.000 a que a organização se refere.

Os taurinos, críticos.

José Ramón Heres, amante do mundo dos touros há mais de duas décadas, foi com seu filho para desfrutar de uma tarde com os toureiros. «Que vão a um matadouro e exijam que haja um veterinário de plantão”. Porque eu descarrego um bezerro e quebra a pata e estará toda a noite ali sofrendo. Mas eles não vão ali se manifestar não é?  Aqui sofrem meia hora e ali catorze», argumentou. Marco Fernández Carballeira, outro aficionado, bateu o pé no «pouco respeito e nos insultos» que receberam durante toda a tarde. «Temos tanto direito devir até aqui como eles de se manifestarem», argumentou.

Por Óscar Pandiello / Tradução de Flavia Luchetti

Fonte: El Comercio

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