O IMPASSE que deixa animais de rua sem acolhimento em Jundiaí, SP

O IMPASSE que deixa animais de rua sem acolhimento em Jundiaí, SP

A foto acima, publicada no último dia 7, chocou muita gente. Mais ainda pela história que há por trás do cachorro morto na beira da estrada de terra batida. Ele morreu a poucos metros da UIPA Jundiaí, União Internacional Protetora dos Animais, no Ivoturucaia. É o retrato do que está ocorrendo hoje quando os animais de rua são o assunto: um grande impasse, como o próprio promotor do Meio Ambiente, Claudemir Battalini (foto abaio) disse ao Jundiaí Agora – JA.

É fácil entender porque Battalini não quer mais cães na instituição. Com capacidade para 150 animais, a UIPA abrigava 300 no dia 16 de fevereiro. Mesmo com todo o esforço dos voluntários, é impossível cuidar de tantos cães e gatos abandonados. Foi neste dia, quando mais dois cães foram deixados no portão, que Carmela Panizza, presidente da entidade, decidiu cobrar ações do Debea, Departamento de Bem Estar Animal, órgão ligado à Prefeitura.

De lá pra cá, as coisas só pioraram. Bichos que antes eram deixados sob sol e chuva nas proximidades da UIPA passaram a ser arremessados por cima do muro. Literalmente jogados para dentro da entidade. A morte do cão, tão dramaticamente registrada na fotografia, deixou claro que uma solução precisa ser encontrada.

Em meio à polêmica envolvendo a UIPA, ativistas da causa animal, pessoas que recolhem bichos por conta própria, decidiram fazer uma manifestação no dia 21 de fevereiro para exigir que a Prefeitura assuma a responsabilidade pelos animais que vivem nas ruas. Sara Penteado falou para o JA que animais recolhidos em Jundiaí vivem em verdadeiros campos de concentração. Os apelos dos protetores ecoou na Prefeitura e na última terça-feira, o Debea fez a castração de 87 animais que são cuidados por protetoras.

O Departamento de Bem Estar Animal, que fica no parque Centenário, tem uma resposta pronta sempre que é questionado sobre os problemas de cães e gatos que vagam pela cidade. “O Debea oferta atendimento veterinário, com acolhimento somente em casos de animais feridos com risco de morte.

Desde a sua concepção, o órgão presta serviços relacionados a atendimentos veterinários e exames, castrações, conscientização para adoção e microchipagem, além de trabalhos educacionais em escolas sobre a guarda responsável. É importante destacar que o abandono e maus tratos a animais são crimes.

Somente no ano passado, o Debea ampliou o atendimento em 10% em relação ao que foi ofertado nos anos anteriores, tanto em castrações como nos demais atendimentos, inclusive para os animais de pessoas de baixa renda ou em vulnerabilidade social. Para este ano, a meta é ampliar, no mínimo em 33% o número de castrações. O espaço está em reforma para melhoria na qualidade das instalações para atender cães e gatos, incluindo a adequação do centro cirúrgico do prédio”.

Leia a entrevista que o promotor Claudemir Battalini deu ao JA:

O senhor orientou a direção da UIPA a não recolher mais animais. Por quê?

Os cães e gatos sofrem abandonados e sofrem presos em lugares lotados. Há um impasse. A UIPA não tem como recolher mais animais. O Debea diz que não tem como fazer o recolhimento e que não tem obrigação legal para isto.

Como resolver esta situação?

Estamos trabalhando para tentar equacionar este dilema. Enquanto isso a mobilização da sociedade exigindo mais ações é muito importante e imprescindível.

O que esperar da população?

É essencial que as pessoas assumam suas responsabilidades e não deixem seus animais procriarem e muito menos os abandonem. O problema só existe pela falta de educação de muita gente que comete crime abandonando animais. Em caso de informações a Polícia deve ser acionada para que os infratores respondam criminalmente.

O problema é conseguir identificar e prender quem abandona animais…

Sim, o difícil é prender os responsáveis.

Fonte: Jundiaí Agora

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