ONGs questionam falta de serviço do Centro de Controle de Zoonoses de Maceió, AL

Entidades denunciam falta de atendimento e recolhimento de animais em situação de risco.

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Cavalo ficou agonizando por dias em praça até a chegada do CCZ, que deciu sacrificar o animal (Foto: Reprodução/TV Gazeta)
Cavalo ficou agonizando por dias em praça até a chegada do CCZ, que deciu sacrificar o animal (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Diante da apatia, falta de compaixão e desinteresse pelos animais, as Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam em Maceió trabalham para mudar esse quadro e lutam para resgatar bichos que estão em situação de vulnerabilidade.

Porém, a caminhada não é fácil. Como não são vinculados ao poder público, voluntários se desdobram como podem para manter as ONGs ativas, já que é comum faltar os itens mais básicos como, por exemplo, alimento para os bichos e produtos de higiene.

Segundo voluntários, tentar duplicar o pouco que tem é rotina, mas alguns serviços que poderiam ser feitos pela prefeitura, não estão sendo realizados, o que acaba sobrecarregando ainda mais as ONGs.

De acordo com Pali Mondal, do grupo Pata Voluntária, além da falta de resgate de animais, que estão precisando com urgência, o Centro de Controle de Zoonses de Maceió não tem colaborado com auxílio de transporte.

Em agosto, dois casos de maus-tratos de animais chamaram a atenção pela brutalidade dos ferimentos.

O primeiro foi o da burrinha Lila, encontrada com sinais de maus-tratos no bairro de Bebedouro, em Maceió. Pali conta que os moradores ligaram para o CCZ, mas eles não mandaram equipe. Então, sobrou para a ONG. “Eles ligaram para nós e fizemos o transporte sem nenhuma ajuda das autoridades. Eles têm feito isso também com cavalos”, reclamou a voluntária.

Já o segundo caso foi do cavalo que ficou agonizando por dias em uma praça do Conjunto Osman Loureiro. Moradores que tentaram salvar o bicho dizem que ligaram para a prefeitura, mas ninguém foi até o local e o animal foi sacrificado pelo Centro de Zoonoses. Pali conta que estava a caminho quando soube que o animal foi sacrificado.

Mas além da Pata Voluntária, o grupo Pata Amada também diz estar sobrecarregado. A vice-presidente da ONG, Mylene Leite, lamenta a situação.

“Sabemos das limitações orçamentárias de nosso município, mas um atendimento básico deveria ser de responsabilidade do Centro de Zoonoses, que poderia ser uma referência no atendimento de urgência, transporte de animais acidentados, conscientização à população e controle populacional dos animais de rua ou com tutores”, expôs Mylene.

Questionado pelo G1 sobre as denúncias de negligências nos atendimentos, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que é o órgão que responde pelo CCZ, explicou que não é função do Centro de Controle de Zoonoses fazer atendimento veterinário.

Segundo o órgão, cabe ao CCZ fazer a triagem dos animais, com o objetivo de isolar os portadores de zoonoses. Após a análise clínica e laboratorial, se o resultado for positivo, ocorre a eutanásia (quando o animal é morto); se for negativo, ou seja, se o animal estiver sadio, ele é encaminhado para adoção, caso não seja identificado seu tutor.

O CCZ também diz que não faz tratamento de animais e nem abriga temporariamente os que estejam em boas condições de saúde. Já no caso de cães e gatos, são retirados das ruas apenas aqueles que apresentem problemas físicos.

Sobre a burrinha Lila, o CCZ informa que encaminhou uma equipe ao local informado, no entanto, o animal não foi encontrado. Sobre o cavalo, a SMS não respondeu.

Mas para Pali e Mylena, as obrigações do CCZ não estão sendo feitas, inclusive para aqueles animais em que o Centro diz que retira quando está debilitado.

“Há falta de investimento nesse órgão, pois o pessoal especializado tem disponível lá todos os dias, mas a falta de estrutura impede que o trabalho seja realizado a contento”, avalia Mylena.

“Quero que eles [CCZ] trabalhem. Que o Centro de Zoonoses tenha estrutura para receber animais de rua, reabilitar e encaminhar para a adoção. Que eles prestem assistência veterinária a animais carentes. Eu acho apenas revoltante. Não há palavras para descrever o tamanho descaso com que eles tratam a vida desses animais”, afirma Pali.

Mesmo denunciando a falta de ajuda, os ONGs driblam as dificuldades em prol do bem-estar animal. “O significado de nossa missão supera todas as dificuldades. Queremos tornar o nosso mundo em um lugar justo para os animais. Então, o pouco que fazemos, com certeza é muito para cada animal que resgatamos”, finalizou Pali.

ONGs usam suas páginas nas redes sociais para pedir por doações (Foto: Divulgação/Instagram)
ONGs usam suas páginas nas redes sociais para pedir por doações (Foto: Divulgação/Instagram)

TAC busca melhoras

O Ministério Público Estadual e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) elaboraram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto com o Centro de Zoonoses em 2010 com o objetivo de criar melhorias no serviço.

Para Daniela Costa, da Comissão de Bem-Estar Animal da OAB, o problema não está de fato no CCZ, mas sim na falta de verbas que são destinadas ao órgão.

“Não tem a menor estrutura hoje para nada ainda. O acordo vem alterando algumas coisas e hoje eles não têm dinheiro para o combustível. Eu acredito que o CCZ seja um problema sim, mas a culpa é do município e da secretaria de saúde”, afirmou.

Ainda de acordo com ela, a esperança está em uma reforma que vem sendo feita no Centro de Zoonoses em parceria com uma faculdade particular de Maceió, que posteriormente vai gerenciar o CCZ. “Eu penso que realmente quando a reforma terminar e o Cesmac assumir vai melhorar”, ressaltou.

Pedir dinheiro para ajudar no cuidado com os animais é rotina para as ONGs (Foto: Divulgação/Instagram)
Pedir dinheiro para ajudar no cuidado com os animais é rotina para as ONGs (Foto: Divulgação/Instagram)
Grupos precisam de doações para continuar a funcionar (Foto: Divulgação/Instagram)
Grupos precisam de doações para continuar a funcionar (Foto: Divulgação/Instagram)

Por Roberta Cólen

Fonte: G1

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