Esquimós: especismo eletivo?

Ser ético em relação aos animais, ecossistemas e demais humanos, significa escolher meios de preservar a própria vida e realizar seu plano de modo razoável, sem que implique em tirar a vida, destruir o bem próprio ou aniquilar as condições do bem-estar específico de outros seres vivos.

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Moralidade legalista vs. ética – urubus na Bienal

Quando usamos o termo moral, remetemos à origem latina dele, mores, que quer dizer, simplesmente, costumes. Ao defendermos algo usando o argumento de que isso é moral, nada mais fazemos do que evocar um hábito arraigado na cultura da sociedade em questão. Nada mais do que isso. Não se faz qualquer referência a valores dignos de serem cultivados e preservados. Portanto, apelar para a moralidade de uma ação é o mesmo que dizer simplesmente que ela é válida porque toda gente ou quase toda, por longo tempo, a vem praticando.

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A ética e o urubu

Na forma tradicional de se pensar a ética, os animais não humanos não são considerados dignos de respeito, a menos que sirvam a algum propósito, interesse ou necessidade humana. Naquele modo de pensar, só são dignos de respeito os seres humanos, e a razão pela qual o são é o fato de serem dotados de razão. O cuidado ético destina-se somente àqueles que podem retribuir a ação boa com outra boa, ou ainda melhor. O fim para o qual a ética existe é apenas atender mais uma necessidade considerada genuinamente humana: dar e receber na mesma medida, a da justiça.

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Antropogenia … antropocentria

A ética busca congregar as ações humanas em torno a um princípio que não seja parcial, não fomente os interesses egoístas dos agentes morais e, acima de tudo, que possa ser compreendido e aceito como válido por qualquer indivíduo com as características de um sujeito moral agente: raciocínio inteligente, capacidade de ponderar sobre os interesses, necessidades e propósitos alheios, e disposição da vontade para agir de acordo com as conclusões a que chega. Na ética prática essas habilidades vêm sendo desenvolvidas com o propósito de não mais excluir outros seres vivos do âmbito do respeito desinteressado.

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Necrorexia

Criaram um termo, recentemente, para designar a preocupação obsessiva de certas pessoas com o conteúdo do seu prato: ortorexia. Esse termo faz par com anorexia, doença de ordem geralmente nervosa, que leva especialmente as mulheres a se recusarem a ingerir alimentos de qualquer natureza, por temor de ganharem peso, perderem a silhueta, ou de contraírem doenças.

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Tratados como “animais”?

Humanos são libertados de um campo de trabalho forçado, uma colheita de erva-mate no oeste catarinense, numa ação do ministério do trabalho. Os cortadores de erva-mate haviam sido alojados num chiqueiro, onde não havia instalação alguma que pudesse oferecer a eles conforto e bem-estar após um dia de trabalho. Eles não tinham carteira de trabalho, eram escravizados. Não tinham qualquer autonomia ou proteção para fazer com que as leis que regem os atos de prestação e contratação de serviços ou de trabalho fossem respeitadas.

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Tradição, barbárie e machismo

A demonstração de força física, para muitos homens, começa a ser, desde a mais tenra idade, uma necessidade. Com atos de brutalidade, contra os animais não humanos, revela-se a genuína masculinidade, assim pensam os que a exercem, e os que os estimulam a exercê-la. Quando, no entanto, o próprio corpo é fraco, mal-preparado, sedentário, pesado demais para mover-se com habilidade e remover do caminho qualquer obstáculo, a mente passa a inventar estratégias de demonstrar força física e manter o estatuto de quem quer estar no comando do corpo alheio e já não tem as habilidades necessárias para isso.

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Ética e interpretação

Palavras nada mais são do que palavras? E o que são elas, de fato? Há mais ou menos 400 anos, o filósofo inglês Thomas Hobbes descreveu a função da palavra: guardar imagens, arquivá-las, e mantê-las vivas para repassar a outras mentes humanas conteúdos objetivos de experiências nossas, conteúdos subjetivos de experiências mentais privativas de quem as vivencia. Por isso, quando se afirma que discutir conceitos é pura perda de tempo, erra-se. Não há humanidade sem palavras.

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Informar-se e aprender

É desnecessário enfatizar que vivemos um momento no qual praticamente todas as informações obtidas pelos mais diversos métodos são disponibilizadas na rede virtual. Isso quer dizer que basta nos interessarmos por algum assunto, clicar nos meios de busca on-line e lá está, na tela, o que outros já sabem, e nós ainda não sabíamos. Lemos e sentimos aquele prazer, ou desprazer, que acompanham inevitavelmente a atividade mental pela qual obtemos o que buscamos, não importa se o objeto é intelectual ou sensual.

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Comunidade moral

A ética tradicional, na qual fomos todos educados, considera dignos de atenção, respeito e consideração moral apenas os seres dotados de racionalidade. Por milênios pensou-se que o fato de ser capaz de raciocinar logicamente nos moldes do raciocínio lógico típico dos humanos bastasse para definir quem merecia respeito moral.

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Antropocentrismo, Senciocentrismo, Ecocentrismo, Biocentrismo

Uma questão que intriga muitas pessoas, ao pensarem em adotar uma perspectiva ética para direcionar o curso de sua existência e orientar as decisões que acabam tornando-se ações, que, por sua vez, acabam por interferir nos propósitos de outros seres vivos, é: “Cada pessoa tem sua ética. Como vou saber qual delas está mais perto do que devemos pensar?”. Já escrevi, em uma das primeiras colunas, sobre a diferença entre “cada pessoa tem sua ética” e “cada pessoa tem sua perspectiva moral”.

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Radicalidade vs. autoritarismo

Do grego díaita deriva o termo dieta, que, em vez de designar escolhas alimentares em parâmetros não costumeiros, quer dizer ‘modo de vida’. Modo de viver, por sua vez, não é o mesmo que estilo de viver. Um estilo é uma marca pessoal que alguém imprime para destacar-se da massa. Um modo de viver é uma escolha que inclui outros, em vez de querer apenas destacar-se do corriqueiro.

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Bem-estar vs. bem próprio

Quando se fala da ética animal ou ambiental do cuidado, há que se destacar dois pontos: a distinção entre bem-estar e bem próprio dos animais e ecossistemas cuidados, e o desafio de cuidar dessa distinção quando queremos oferecer cuidado a animais humanos e não humanos, ou a seres vivos não animados.

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Ética e radicalidade

Quando dizemos que uma pessoa é ética, via de regra, pensamos que ela tem firmeza em seu caráter e, sobretudo, que procura avaliar cada uma de suas ações antes de as praticar, com vistas a evitar que possam prejudicar, causar dor ou destruir a vida alheia. Se essa firmeza de caráter for genuína, a pessoa evitará fazer mal a outros em todas as suas ações. Isso requer uma vontade bem esclarecida e domínio dos impulsos e desejos imediatos, em nome da realização de fins e propósitos duradouros e de valor moral.

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Especismo eletivo

Nossa indiferença moral se sobressai quando se trata de ações que afetam animais não-humanos. Temos algum respeito por animais de nossa própria espécie (especismo elitista), porque somos também feitos da natureza animal e sabemos o quanto sofremos quando outros nos infligem dor, danos, tormentos para obter vantagens às custas de nosso bem-estar. Mas, assim que ultrapassamos a margem da espécie dentro da qual nos sentimos amparados pela moralidade tradicional, jogamos por terra todo e qualquer princípio moral, deixando cair, junto com eles, todos os deveres positivos e negativos em relação a animais não-humanos.

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