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Indústria de carne de cachorro cresce com roubo de animais no Vietnã

Muitos animais são espancados porque clientes acreditam que a carne fica mais saborosa.

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A indústria de carne de cachorro ganha cada vez mais espaço no Vietnã. Retirados das ruas e até mesmo roubados, centenas de cães são confinados em gaiolas, esperando a morte cruel.

De acordo com ativistas contrários à prática, pelo menos sete toneladas de cães são transportadas todos os dias até Hanoi, a capital vietnamita
Os animais são capturados por ladrões, que usam carros e motos para levá-los até o local do abate.

Eles são vendidos de acordo com o peso, então, os animais capturados são alimentados à força através de funis, para ganhar peso.

Cerca de 2.000 cães passam dias enjaulados, e pelo menos 200 dividem uma pequena gaiola.

Depois de colocados em gaiolas, os animais são deixados em buracos profundos antes de serem abatidos e vendidos para restaurantes locais. 

Em um documentário feito pelo Channel 4, um dos proprietários de um matadouro confessou matar até 30 cães por dia.

Um dos ladrões de cães disse também que ganha cerca de R$ 250 (US$ 100) por noite roubando animais. Um deles disse que já roubou mais de 3.000 cães em uma noite.

Embora existam regras para o abate de bovinos, suínos e aves no Vietnã, mas nenhuma legislação fala sobre a matança de cachorros. Alguns cães são mortos de forma cruel, com repetidos golpes na cabeça.

Fonte: Tribuna Hoje

‘Jesus, apaga a luz’ ou começa a Farra do Peixe em Porto Alegre

‘Jesus, apaga a luz’ ou começa a Farra do Peixe em Porto Alegre

Por Marcio de Almeida Bueno

Então alguém aperta um botão escrito ‘Páscoa’, e as pessoas todas – a maioria – passam a se agitar em um ritmo diferente, que inclui filas nas lojas, crianças com orelhas de coelho e comida específica. Juro que gostaria de saber o nome desse alguém, mas enfim.

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Corpo de baleia jubarte é encontrado em praia de Vitória

Segundo especialistas, animal pode explodir a qualquer momento.

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Uma baleia da espécie jubarte foi encontrada morta da praia de Jardim Camburi, em Vitória, na manhã deste domingo (5). De acordo com profissionais do Instituto Orca, o mamífero pesa cerca de 10 toneladas e está em estado de decomposição, correndo risco de explodir. A área onde o animal foi encontrado está isolada e a previsão é que a retirada do corpo seja realizada na manhã desta segunda-feira (6).

O diretor-executivo do Instituto Orca, Lupércio Araújo, disse que o local onde o animal ficou encalhado é de difícil acesso por não possuir tem nenhuma passagem para a areia. Além disso, ele destacou que a maré alta dificulta os trabalhos, e que a melhor opção é enterrar o corpo próximo da praia, em uma área onde não haja contaminação. Para Lupércio, a falta de planejamento do calçadão e da ciclovia na orla pode prejudicar o resgate em outros casos similar a este.

Segundo o subsecretário de Meio Ambiente de Vitória, Paulo Barbosa, o processo de remoção está sendo estudado. De acordo com ele, a melhor possibilidade é utilizar um caminhão deverá levar um trator de esteira até onde a baleia se encontra, para arrastá-la até uma área próximo ao calçadão. De lá, um guindaste irá colocá-la em um outro caminhão, que vai fazer o transporte até um aterro sanitário apropriado.

O subsecretário também explicou que esse processo pode danificar parte do calçadão, mas que uma equipe ficará responsável por consertar os possíveis danos. Além disso, um outro grupo de funcionários vai realizar a limpeza da praia, caso algum resto do animal fica no local.

Fonte: G1

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Espanha: Manifestação histórica contra as touradas toma o centro da Corunha

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A maior mobilizaçom da história contra a tortura animal contrastou hoje na Corunha com o fracasso contundente da tourada financiada polo governo do PP na mesma cidade.

Apesar da propaganda, do financiamento público e das mentiras da imprensa burguesa, o fracasso do espetáculo taurino ontem no Coliseu foi mais que evidente: inocultável. Nem um terço das bancadas foi ocupada por público, dado o escassíssimo interesse e a nula tradiçom com que a tortura dos touros conta na Galiza.

Isso nom impede que o PP, como antes o PSOE, continue a esbanjar dinheiro público dos corunheses e corunhesas, em momentos de crise e restriçom de gasto social. Nesta ocasiom, 100 mil euros públicos fôrom desperdiçados para garantir que a “espanholíssima festa” se mantenha na cidade galega da Corunha.

Porém, a resposta dos movimentos sociais também vai em aumento. A de hoje foi a maior mobilizaçom da história da Galiza contra as touradas, contando-se os e as manifestantes por milhares.

A manifestaçom, apoiada por numerosos coletivos agrupados na plataforma “Galiza melhor sem touradas”, partiu do Obelisco por volta do meio-dia deste domingo, marchando polas principais ruas da Corunha até a praça de Maria Pita, em frente à sede da Cámara Municipal corunhesa.

Em ambiente festivo e reivindicativo, vizinhança muito variada aderiu à mobilizaçom, na qual fôrom coreadas palavras de ordem como “Fora touradas da Galiza”, “Tortura animal ao Código Penal”, “A tortura, nem arte, nem cultura” e “A Galiza é antitaurina”.

Numerosos cartazes e faixas alusivas ao rejeitamento das touradas fôrom exibidas tanto por pessoas individuais como por coletivos como a plataforma ‘Touradas fora de Ponte Vedra’, também presente hoje na Corunha, ‘Abolición’, NÓS-UP e Galiza Nova, entre outras. Também participárom organizaçons como o BNG, IU, Equo, associaçons vicinais, centros sociais como o CS Gomes Gaioso, ambientalistas como Adega… até as 40 entidades apoiantes da convocatória.

Fonte: Diário Liberdade (Galícia / Espanha) / mantida a grafia original

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Linha Verde recebe denúncias de crimes ambientais no sul do Rio

Moradores de todo estado podem usar o disque denúncia 0300 253 1177. Número funciona 24 horas; custo é de ligação local e anonimato é garantido.

RJ angradosreis cacadorMoradores do sul do Rio de Janeiro e de todo estado podem denunciar crimes ambientais através da Linha Verde, serviço criado em parceria entre o Disque-Denúncia e a Secretaria de Estado de Ambiente. Basta ligar para 0300 253 1177 — custo de uma ligação local — e passar as informações. As chamadas podem ser feitas 24 horas, todos os dias, têm anonimato garantido, não são gravadas ou rastreadas. As informações são da assessoria do Disque-Denúncia.

Através das ligações, a população pode denunciar crimes como caça e extração ilegal de vegetação — veja relação abaixo. Na terça-feira (30), uma operação foi realizada em Angra dos Reis para combater essas ações. Um homem foi preso no distrito de Cunhambebe com um esquilo e dez pássaros das espécies dorminhoco e araçari abatidos. 

Na cidade da Costa Verde, o Linha Verde recebeu sete ligações neste ano de 2014. Segundo a assessoria, fora quatro de maus tratos contra animais, uma de lixo aculumado, uma de extração irregular de árvore e uma caça ilegal de animais silvestres. No estado, desde janeiro, foram aproximadamente 4.100 denúncias. Pelo levantamento do órgão, o crime ambiental mais cometido é o de maus tratos contra animais, com mais de 390 ocorrências.

O Linha Verde possui parceria com o Comando de Policiamento Ambiental (CPAm). As informações recebidas são encaminhadas ao CPAm, que faz a apuração e a verificação das denúncias através de Unidades de Policiamento Ambiental (UPAm).

Crimes que podem ser denunciados

– Maus tratos contra animais;
– Soltura, fabricação e comercialização de balões;
– Extrações de solo, árvores ou areia;
– Queimadas;
– Lixão clandestino;
– Poluição do ar, das águas ou do solo;
– Caça ilegal de animais silvestres;
– Guarda/comércio de animais silvestres sem autorização (arara, canários, aves, etc);
– Desmatamento florestal;
– Fabricação e comercialização de cerol e linha chilena.

Fonte: G1

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Lute pela Justiça

Por Fernanda Tripode

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Quando entramos na discussão, baseados na ética e moral, princípios que regem a vida como um todo, e questionamos o uso, exploração e morte de animais para o consumo humano, entretenimento, experimentação e demais usos, nos é dada a justificativa que é feito de forma ‘legal’, regras essas criadas pelos próprios seres humanos.

A regra geral é o Direito à Vida, obrigação com a ética e o respeito a todos, sejam humanos ou não humanos. Quando legalizamos o uso de animais, seja qual for o fim, apresentamos uma exceção à Lei da Vida.

Justificar uso, exploração e matança de animais, baseado em Leis dos humanos, nos esquecemos da regra geral à Vida, a ética e ao respeito para com todos os seres sensíveis (sencientes). Nem sempre o que está no Direito (legalizado) é justo. O antropocentrismo que predomina na sociedade, refletido no Direito, permite que o ser humano use, explore e retire a vida de animais para seu próprio deleite e interesse. E para tanto, esses atos foram legalizados.

É legalizado o uso de animais para experimentar. Mas, é justo?

É legalizado o uso de animais para entretenimento. Mas, é justo?

É legalizado confinar um animal e retirar sua vida, para alimentação e vestimentas. Mas, é justo?

Em alguns lugares é legalizado caçar animais. Mas, é justo?

Podemos usar, explorar e retirar a vida de animais, para nosso deleite e interesse, e temos amparo legal, regra estabelecida pelo ser humano. Mas, é justo infligir sofrimento e retirar a vida porque é legalizado e somos considerados superiores?

Por outro lado, criamos regras para proteção animal, mas na prática, aplicamos somente a determinadas espécies animais. Diz a Constituição Federal do Brasil:

Artigo 225 – Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as futuras gerações.

§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

Ainda, a Lei 9605/98 é clara em seu artigo 32 ao estabelecer:

“Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:

Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.”

Em seu parágrafo primeiro, dispõe claramente que, em havendo recursos alternativos, não devemos realizar experiências em animais.

A Lei é clara ao estabelecer proteção a todas espécies animais, mas o ser humano estabelece exceções baseadas na cultura e no próprio princípio antropocêntrico que rege a superioridade do ser humano, em detrimento a vida e causando sofrimento aos animais, tudo para o seu deleite e interesse.

Maltratamos e matamos bois, porcos, galinhas, carneiros, coelhos, e demais animais para consumo e vestimentas. Maltratamos e matamos coelhos, cães, ratos, macacos, para experimentação, não obstante haver alternativas ou possuirmos a capacidade em buscá-las. Confinamos leões, elefantes, ursos, e demais animais para nos divertirem, mesmo que isso cause sofrimento e muitas vezes a morte de animais. Infringimos a regra estabelecida que é clara ao preconizar ser crime maltratar e matar animais. Desta regra, criamos exceções, em razão de nossa cultura, baseada no princípio antropocêntrico. Assim, desde que não seja para beneficiar humanos, maltratar animais é crime. 

Hoje as pessoas se indignam e clamam pela aplicação da legislação ambiental para quem maltrata e mata animais (normalmente cães e gatos), mas infelizmente se esquecem do animal que irão jantar, que também é um animal, tendo sido maltratado e morto. Embora o preceito legal proteja animais, na prática aplicamos somente a algumas espécies.

Em alguns casos, o judiciário tem aplicado a Norma a algumas espécies, ainda que de forma tímida, mas a mentalidade judicial está evoluindo, pois a sociedade, com uma consciência de proteção animal, tem exigido isso do legislativo e judiciário. Mas, ainda estamos em busca da proteção de todas as demais espécies, e para que isso ocorra, necessário a mudança da consciência da sociedade com relação a todas as demais espécies animais, deixando para trás o famigerado princípio antropocêntrico, que coloca os interesses humanos acima de outras espécies não humanas.

A legalização se contrapõe a obrigação ética e moral de “não infligir sofrimento aos seres sencientes”, tornando-se assim, injusta. O “Direito” que temos sobre os animais é questionável diante a visão ética e a regra geral do Direito à Vida.

O “Direito” busca a aplicação da justiça. Ao mudarmos a consciência e cultura de uma sociedade, mudamos o Direito, que é dinâmico e pode evoluir junto a uma nova consciência, e assim, seremos realmente justos. No caso, aplica-se o célebre pensamento do jurista Eduardo Juan Couture: “Teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça.”

Que um dia o Direito esteja em igualdade com a justiça por todas espécies animais.


Fernanda Tripode é advogada vegana. 

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Aves silvestres são resgatadas de cativeiro no norte do Tocantins

Foram mais de 30 pássaros apreendidos após uma denúncia anônima. Animais estavam em uma casa e o proprietário deve responder na Justiça.

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TO araguaina gaiolasUma denúncia anônima levou à apreensão de mais de 30 pássaros nesta quarta-feira (1º), em Araguaína, no norte do Tocantins. No total, foram 24 gaiolas apreendidas. Segundo a Companhia Independente de Polícia Rodoviária Ambiental (Cipra), as aves estavam na casa de Hilário Dias da Silva, de 48 anos, localizada no setor Universitário.

“Fomos informados de que nesta casa havia essas aves silvestres em cativeiro, tanto nós quanto o Naturatins [Instituto Natureza do Tocantins]. Então decidimos ir até a residência e lá constatamos o fato”, explica o tenente Laesio dos Santos, da Cipra.

Além dos pássaros os policiais encontraram ninhos improvisados, cheios de ovos. Alguns animais ainda estavam presos dentro da armadilha utilizada na captura. Entre as espécies estão um papagaio e até um Galo de Campina, que está ameaçado de extinção.

A multa para esse crime ambiental pode variar de R$ 500 a R$ 5 mil por animal apreendido, dependendo da espécie. O proprietário da casa onde os pássaros foram encontrados terá que responder na Justiça. “Ele vai responder aqui os procedimentos e será multado”, acrescentou Laesio.

Hilário não quis gravar entrevista com a TV Anhanguera. Ele se apresentou na Delegacia de Plantão da Polícia Civil e será investigado por tráfico e comércio ilegal de animais silvestres.

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Fonte: G1

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Três homens são presos com papagaios em Tianguá, CE; vídeo

Três homens são presos com carregamento ilegal de papagaios em Tianguá.

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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 100 aves silvestres, da espécie papagaio verdadeiro (Amazona aestiva), sendo transportadas em um veículo, na noite da última quarta-feira, 1, na BR-222, em Tianguá, 335,8 km de Fortaleza. O motorista e dois passageiros foram presos por crime contra a fauna.

Os animais foram encontrados por volta das 21h30min, em uma fiscalização de rotina no km 308 da rodovia. Os suspeitos foram identificados como José Valdemar Viana de Morais, que conduzia o Ford Fiest, Francisco Elton da Silva e Edimar Alves dos Santos. Eles foram encaminhados à Delegacia de Tianguá, onde devem responder pelo crime contra a fauna, do art. 29 da Lei 9.60598. 

Eles vão responder por transporte de pássaros silvestres sem autorização. A pena varia de seis meses a um ano e prevê também pagamento de multa. A ocorrência foi repassada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Sobral e os pássaros devem ser encaminhados para os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas).

Fonte: O Povo

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Grupo lança versão em espanhol da ‘Ética Animal’, um projeto pelo fim do especismo

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Acaba de ser lançada, em língua espanhola, a Ética Animal, um projeto internacional que visa trabalhar pelo fim do especismo e pelo respeito por todos os seres sencientes e que, até ao momento, funcionava apenas em inglês. 

O objetivo da organização é difundir informação sobre a senciência animal e os interesses dos animais não humanos, assim como promover o debate sobre a consideração moral dos animais e o especismo. Entre as tarefas que se propõem levar a cabo encontram-se a investigação sobre a realidade na que se encontram os animais, assim como os argumentos a favor da sua plena consideração e contra a sua discriminação. A finalidade é, depois, disponibilizá-los num formato facilmente acessivel a todos e todas.

A Ética Animal procura chegar a um público geral, mas também servir de apoio às diferentes pessoas e organizações que fazem activismo em defesa dos animais, proporcionando recursos informativos que possam ser de utilidade. Por outro lado, trabalha no sentido de levar o debate em torno do especismo ao ámbito acadêmico que, pelo seu potencial de influência educativa e de configuraçao de novas ideias, é extremamente importante.

A Ética Animal está atualmente disponível em espanhol e inglês. Em breve, também em português. Fiquem atentos/as.

Em espanhol: 

http://www.etica-animal.org/

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Em inglês:

http://www.animal-ethics.org/

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Guanacos são massacrados na Terra do Fogo

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De algum modo, os guias turísticos da Terra do Fogo não mencionam os tiros e as matanças, em especial em Cerro Sombrero, no Chile. Mas a história é triste e controversa – contrampõem-se os defensores dos animais e os pragmáticos que os veem como ameaça. Das estepes patagônicas cobertas de névoa, às densas florestas de faias, tiros podem ser ouvidos todos os anos. Caçadores com rifles telescópicos percorrem essa região, na ponta da América do Sul, em suas picapes, enquanto buscam sua presa: o guanaco.

Quem conta é o repórter Simon Romero, do The New York Times.

O ser humano já caçou o guanaco, parente selvagem da lhama, até sua quase extinção em grandes trechos do continente. Embora a caça ao animal aqui seja legal, o abate de manadas de guanaco na Terra do Fogo vem provocando um acirrado debate sobre a frágil recuperação de uma espécie nativa e a influência de poderosos interesses pecuários e madeireiros, que alegam que o crescente número de guanacos estaria competindo com ovelhas por pastos e alimentação nas florestas comerciais de madeira.

“Estamos testemunhando uma grotesca subordinação a empresários que veem uma criatura de beleza e resistência notáveis como um simples incômodo”, afirmou Valeria Muñoz, ativista de direitos animais em Punta Arenas, a capital regional. “É uma volta à mentalidade do século XIX, onde a exploração madeireira e o pastoreio triunfam sobre todo o resto”.

Em outros lugares da América do Sul, a caça de animais para controle populacional se concentra principalmente na contenção de espécies invasoras. Na Colômbia, os caçadores têm focado nos descendentes de hipopótamos importados por Pablo Escobar. No Equador, guardas florestais das Ilhas Galápagos criaram uma campanha de erradicação dos bodes que competem por alimento com espécies nativas como tartarugas.

A caça de guanacos no Chile parece mais similar ao controverso controle de espécies nativas em outros países, como a caça a cangurus na Austrália, aumentando a ira de grupos de defesa de animais e autoridades de turismo – segundo eles, o abate mancha a reputação de um lugar onde os visitantes muitas vezes se surpreendem com manadas de guanacos selvagens.

A caça ao guanaco é proibida ao longo das principais estradas que cortam a Terra do Fogo – região dividida entre Chile e Argentina que se projeta como um espinho do continente sul-americano –, mas nas estradas vicinais, durante a temporada de caça no inverno chileno, os sinais da matança são evidentes.

Tiros dos rifles ecoam pelas florestas. O sangue de guanacos recém-abatidos mancha a neve. Comunicando-se com os caçadores por walkie-talkies, equipes de apoio se espalham por terras particulares em busca das carcaças, içando-as a picapes para o transporte aos matadouros.

Os pecuaristas com autorização para a caça julgam-se vítimas de políticas que expandiram as manadas de guanacos na Terra do Fogo nas últimas décadas. Até os anos 70, estimava-se que apenas alguns milhares de guanacos permaneciam na maior ilha da Terra do Fogo, uma área maior do que a Bélgica, após uma caça predatória generalizada.

Uma ofensiva da ditadura do General Augusto Pinochet contra a posse de armas de fogo (e por extensão a caça) abriu caminho para os esforços de conservação do guanaco; o número de guanacos na parte chilena da Terra do Fogo cresceu para cerca de 150 mil, segundo o Serviço Agrícola e Pecuário do Chile. As autoridades permitiram a caça de até 4.125 guanacos este ano.

“Além de competir por comida com nossas ovelhas, hoje existem tantos guanacos na Terra do Fogo que eles representam um risco para motoristas que tentam evitá-los quando os animais atravessam nossas estradas”, explicou Eduardo Tafra, criador que prepara carne de guanaco em seu matadouro em Cerro Sombrero, um posto avançado nas planícies.

“Não queremos exterminar o guanaco”, garantiu Tafra, “mas não podemos simplesmente cruzar os braços enquanto ele ameaça nossa subsistência”.

A cultura de pecuária na Terra do Fogo tem raízes nas operações de pastoreio estabelecidas no fim do século XIX, principalmente por colonos britânicos que desalojaram caçadores nômades de guanacos. No início do século XX, os Selk’nam, povo indígena que viveu na Terra do Fogo durante milhares de anos, haviam sido quase totalmente extintos numa brutal campanha de extermínio.

Em meio a tudo isso, os guanacos, uma das principais fontes de alimento para os Selk’nam, persistiram na Terra do Fogo e outras partes da Patagônia. Estima-se que os animais tenham sido vistos pela primeira vez por europeus em 1520, quando Fernão de Magalhães, explorador que navegou pelo estreito que hoje leva seu nome, descreveu ter visto um “camelo sem corcovas”.

Parte da família dos camelídeos, os guanacos atingiram uma população de 50 milhões na América do Sul, número superior a outras criaturas de casco ao redor do mundo como o caribu, o gnu africano e o antílope saiga, segundo o zoólogo americano William G. Conway.

“Grandes números de guanacos assombram estes planaltos sombrios”, escreveu o explorador britânico H. Hesketh-Prichard em “Through the Heart of Patagonia” (No coração da Patagônia), livro de 1902 onde ele descreve a caça desenfreada aos guanacos. “Eles eram tão dóceis quanto os cervos ingleses, permitindo que nos aproximássemos a até 70 ou 80 metros”.

Conforme os rebanhos não nativos se expandiram na Patagônia, o número de guanacos despencou, atingindo o nível atual de apenas 500 mil, declarou Cristóbal Briceño, especialista da Universidade do Chile. As manadas diminuíram significativamente em outras partes do Chile onde eles eram abundantes, afirmou ele.

Embora o guanaco não esteja ameaçado de extinção em escala continental, ele ainda enfrenta sérias ameaças de caça predatória e a degradação das pastagens, e é provável que desapareça de várias das regiões que formam sua área de distribuição histórica, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza.

As autoridades chilenas permitiram silenciosamente a caça de guanacos na Terra do Fogo ao longo da última década, argumentando que o abate é necessário para manter uma população “sustentável” que não prejudique outros alicerces da economia regional.

Os moradores daqui geralmente abominam comer guanaco, então a maior parte da carne do animal é exportada para a Europa (uma exceção pode ser encontrada no La Cuisine, restaurante em Punta Arenas que oferece o Guanaco Grand Veneur, um guisado da carne em molho de vinho tinto acompanhado por purê de batatas e abóbora).

“Monitoramos detalhadamente cada aspecto da caça para garantir que ela seja conduzida de maneira adequada”, disse Nicolás Soto Volkart, funcionário do Serviço Agrícola e Pecuário em Punta Arenas. “Estamos convencidos de que essa é uma boa política depois que os guanacos recuperaram seus números desde a década de 70″.

Mesmo assim, a tensão é grande quanto à caça de guanacos, herbívoros que se alimentam de qualquer coisa entre cactos, liquens e fungos. Em 2012, uma proposta para expandir o programa ao permitir que os turistas participem das caçadas foi arquivada após ser recebida com duras críticas.

Defensores de um “retorno ao selvagem” nas florestas – basicamente restaurar os ecossistemas em algo que lembre com que costumavam funcionar – dizem que os guanacos poderiam ajudar áreas onde forem reintroduzidos, ao espalhar sementes de certos tipos de árvores.

“Os guanacos parecem ser uma espécie desaparecida que costumava desempenhar um importante papel ecológico”, argumentou Meredith Root-Bernstein, cientista de conservação da Universidade Aarhus, na Dinamarca.

Citando uma crescente resistência no Chile à caça de diversas espécies, autoridades do Serviço Agrícola e Pecuário continuam em estado de alerta depois que manifestantes atacaram seu edifício em Punta Arenas neste ano, com bombas incendiárias, em resposta a uma proposta separada para permitir a caça de cães selvagens acusados de atacas ovelhas.

Mesmo durante a temporada de caça, as silhuetas de guanacos ainda podem ser vistas em trechos ao longo do Estreito de Magalhães. Os animais costumam observar os veículos que se aproximam antes de atravessar correndo as estepes.

“Caçar esses animais é uma aberração que reflete nossas distorcidas prioridades”, declarou Enrique Couve, presidente da câmara de turismo da Terra do Fogo.

“O guanaco é um tesouro da Patagônia, e quem tem a sorte de vê-lo fica encantado”, afirmou ele. “E aqui estamos nós, vendo-o ser morto como se fosse algum tipo de praga”.

Fonte: Clic RBS