Abolicionismo antiescravista e abolicionismo animalista

Por Sônia T. Felipe 

Imaginem a angústia dos antiescravistas abolicionistas quando se deram conta do horror que era sequestrar os africanos e vendê-los em mercados públicos como objetos de propriedade.

Todos os demais cidadãos e quase todos os então não ainda cidadãos estavam a favor disso, incluindo o clero, a nobreza, os grandes proprietários de terra, os comerciantes, as madames e o resto da sociedade que usava e vivia à custa desses humanos.

Agora, com a perspectiva ética animalista abolicionista vegana, não é diferente.

Percebemos o horror que é transformar o corpo dos animais em matéria comestível após condená-los a uma vida de tormentos, do minuto do nascimento ao do golpe letal na câmara de sangria; devastar o planeta, plantando mais de 70% do total de grãos para alimentar esses animais que deixam atrás de si essa matéria comida, uma montanha na forma de excrementos e urina expelidos por seu sistema digestório.

Percebemos que não há possibilidade de construir um argumento ético sequer para justificar que os seres humanos continuem a usar o corpo dos animais como matéria-fonte de alimentos, pois temos acesso a todos os aminoácidos necessários para formar a cadeia proteica com alimentos de origem vegetal.

Ter consciência de tudo isso é doloroso, porque sempre temos a sensação de termos nascido antes do tempo, pois gostaríamos mesmo de viver no tempo futuro, quando nada mais disso for praticado.

Entretanto, se não formos nós, agora, a dar sustentação à consciência moral crítica, em quem os animais buscarão ou encontrarão sua defesa?
Então, o jeito é manter a profundidade do raciocínio, não se perder em superficialidades e sustentar a ética abolicionista vegana.

O mundo pode não querer mudar com nosso exemplo. Mas nós teremos conseguido resistir à formatação especista que esse mundo tenta impor à nossa mente. Podemos não ter poder nem meios para levar ao mundo os argumentos abolicionistas veganos, nem para transformar as práticas institucionalizadas de criação e abate de animais para consumo humano.

Mas um poder já temos e ninguém o pode tirar de nós: o de não deixarmos abater em nós a força para realizar a mudança. Temos, sim, em cada um de nós, o poder de rejeitar o contrato antropocêntrico-especista-elitista e eletivo, assinado tacitamente por todos os que ainda consomem animais.


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Cálcio de alimentos vegetais

Por Sônia T. Felipe

Uma xícara de couve refogada tem tanto cálcio quanto em 250 ml de leite de vaca. Mas somente 25% desse cálcio do leite de vaca vai poder ser absorvido direito, porque o leite de vaca mal contém magnésio e contém fósforo em excesso.

Enquanto isso, o cálcio da couve, do brócolis e das folhas verde-escuro em geral, vem acompanhado de magnésio suficiente e de fósforo na quantidade ideal para que o cálcio possa ser bem absorvido e fixado nos ossos.

O cálcio do leite de vaca que não pode ser absorvido circula livremente pelo corpo formando calcificações: artrose, placas ateroscleróticas, cálculos biliares e renais e uma série de danos, chegando a produzir a quebra do cálcio já fixado nos ossos.

Então, em vez de garantir a saúde dos ossos contra a osteoporose, o leite de vaca contribui para a osteoporose. Mas disso quase ninguém, exceto os que já leram o livro Galactolatria: mau deleite, ouviram falar.


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A hipocrisia da produção orgânica de carnes e laticínios

 

Por Sônia T. Felipe

Não há sistema orgânico que respeite a natureza evolutiva dos animais criados para o abate ou extração de leite e ovos.

Todos os animais acabam mortos quando seus organismos não prestam mais para produzir o que se quer extrair deles, ou quando seus organismos estão no “ponto” para se extrair o que se quer deles, exemplo dos que são mortos para virar bife.

Então, do ponto de vista abolicionista vegano, manter o animal em condições decentes mas visando matá-lo ou explorá-lo em seguida é pura hipocrisia, porque esses animais sequer são respeitados em seus ciclos naturais de vida.

Um frango é morto aos 30 dias, hoje, quando sua vida natural seria de 9 a 14 anos. Um porco é morto aos 140 dias, quando sua vida natural seria de 10 anos. Um bezerro para bife é morto com menos de dois anos de idade, quando sua vida seria de 18 a 22 anos. Mesmo a produção orgânica vive a matar os bebês de galinhas, de porcas e de vacas.


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Esfiha de queijo de quinua e milho

Esfiha integral com queijo vegano de quinua e milho verde

Ingredientes

Massa

1 copo de farinha integral
2 colheres de farinha de aveia
1 copo de farinha trigo branca
3 colheres de azeite extra virgem
1 copo de agua morna
1 envelope de 15gr de fermento biológico
1 pitada de sal
1 colher de açúcar orgânico

Molho

3 tomates italianos maduros picados e amassados, temperados com 1 pitada de sal, cebola  e orégano a gosto.

Cobertura

3 xícaras de queijo cremoso de quinua
1 lata de milho verde
4 colheres de sopa de cebolinha picada
3 colheres de sopa de azeite extra virgem
1/2 xícara de cebola picada miúda
1 pitada de sal

Preparo

Para a massa, num recipiente coloque uma pitada de sal e uma colher de açúcar, junte o fermento e a água morna, mexa e deixe descansar. Após a fermentação, junte as farinhas, o azeite e sove bem, polvilhando com a farinha branca até desgrudar das mãos. Faça bolinhas e achate-as com as mãos.

Para a cobertura: Misture o milho com a cebola, 2 colheres de azeite o sal.  Em outro recipiente, misture bem o queijo de quinua com a cebolinha e 1 colher de  azeite; coloque-o dentro de um saco culinário e corte a ponta.

Montagem: passe um pouco de molho de tomate sobre a massa; coloque um pouco do queijo de quinua sobre a esfiha, fazendo um circulo; no centro, despeje milho temperado. Leve para assar em forno bem quente. Rende de 10 a 15 esfihas, dependendo do tamanho desejado.

Fonte: Veggi & Tal

A origem das mentes somatofóbicas

Por Sônia T. Felipe

As crianças sempre encenam o que veem os adultos fazendo. É como se elas experimentassem fazer o mesmo para ficar sabendo o que é que se sente fazendo isso ou aquilo.

Com o tempo passam a fazer as coisas já buscando as emoções ou as sensações que se formaram e foram gravadas em suas mentes.
Por isso a gente olha para elas fazendo certas coisas e não entende o que elas estão sentindo. Podem estar rindo. O riso é nervosismo porque não estão sentindo nada a não ser a ansiedade por algo esperado que desconhecem o que seja ou como seja.

Podem não rir-se. Não sentir nada mesmo. A sensação de prazer ou aflição por estar fazendo mal a outrem vem com a repetição da maldade. Depois, sim, se acostumam a querer sempre de novo a mesma sensação.

Finalmente, com a repetição e a indiferença social, a estrutura afetiva e emocional que dá suporte à estrutura moral somatofóbica já se definiu para sempre.

Se é preciso educar para a não fobia contra o corpo dos outros, é preciso começar por reeducar os adultos somatofóbicos que estão por aí educando no seu padrão fóbico as crianças e os jovens. São eles quem não sentem nada ao ferir um animal, seja lá de que espécie for, para obter com isso algum prazer ou gozo unilateral. São os adultos que ferem os animais para sentirem prazer de comer suas carnes, cortar suas peles, divertir-se com eles, testar venenos neles, usá-los para o serviço bruto e assim por diante.

Em uma sociedade na qual os animais não passam de coisas a serem torturadas pelos humanos, como esperar que todas as crianças tenham compaixão?

Nenhum ser humano nasce com seus afetos definidos. Todos nós forjamos nossa matriz afetiva e emocional a partir das interações que sofremos dos adultos que nos cercam quando crianças, da família à escola, da igreja ao clube, à praia, à montanha, ao circo, ao abatedouro e ao zoológico.


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Dia nacional da consciência negra, abolicionista, antirracista

Por Sônia T. Felipe

Dia da consciência ética. Dia para lembrar da igualdade equitativa de oportunidades para viver bem e expressar-se sem ser obrigado a um padrão alheio.

Dia da consciência ética de que não há formato externo em qualquer organismo que defina o valor dele perante os outros, não importando a quantidade de melanina a exercer sua função de proteger a pele contra os raios solares.

Nesse dia não poderia deixar de pensar em todas as consciências discriminadoras, que elegem um padrão exterior ou formal como regra à qual todos os seres devem se submeter para terem direitos. Entre as formas mais conhecidas de discriminar estão o racismo, o sexismo e o especismo.

A ética abolicionista vegana estende para além das raças e dos sexos o direito à vida e à livre expressão de sua singularidade a todos os animais, sem fazer discriminação alguma quanto ao seu sexo, ao seu gênero, à sua anatomia, à sua mente e à sua alma.

Diz-se, na filosofia, que a racionalidade nada mais é do que a capacidade de expandir a consciência e os gestos, os conceitos e as ações até alcançar aqueles que não por simples acaso estão sempre fora da consciência dos que dominam a razão.

A moralidade humana evolui sempre que os direitos já reconhecidos para um grupo privilegiado passam a ser estendidos a todos os casos similares, mesmo que isso signifique a abolição dos privilégios.

Se os humanos têm direito à vida e nesse direito se inclui a liberdade de expressão singular, e se tal direito se deve ao fato de que não tê-lo é o mesmo que estar socialmente morto, então é preciso expandir o círculo da ética para abranger todos os animais não-humanos, pois suas vidas e sua singularidade específicas estão há milênios à espera do reconhecimento de valor moral.

Nenhum animal nasce instrumento para favorecer ações humanas. Nenhum animal nasce para ser escravizado para beneficiar interesses humanos, do mesmo modo que nenhum humano nasce para ser escravizado em benefício de outros humanos. Todos os animais têm interesses semelhantes, ainda que alguns animais tenham interesses singulares que não se pode ver na expressão de outros.


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Violência mimética: a performance das crianças espelha a moralidade dos adultos

Por Sônia T. Felipe 

Fazendo os horrores que fazem aos animais, por exemplo, furar os olhos de cães em situação vulnerável nas ruas, as crianças nada mais mostram do que os horrores que nós adultos permitimos que sejam feitos contra os animais.

As crianças funcionam como bonecas de ventríloquos de uma sociedade. Quando vemos uma miniatura fazendo mal a outras, vemos com clareza que um ser tão pequeno quanto um humano não tem direito algum de fazer o que anda fazendo aos outros animais.

Em vez de odiar essas crianças, que tal começar a fazer algo para que os adultos parem de fazer mal contra os animais? Se não houver nada errado sendo feito contra os animais, as crianças nunca terão ideia de imitar. Ações infantis são sinônimos de mimese de adultos. Crianças agem por imitação. Encenam. Não são propriamente autoras de trama alguma. Apenas encenam sem saber exatamente o que o animal sente. Aliás, ouvem todo tempo que animais não têm consciência, não é mesmo?


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Geleia de tangerina

Ingredientes

4 xícaras de gomos de tangerina pequena, partidos ao meio e sem as sementes
1 xicara de casca de tangerina picada
1 xícara de maçã sem casca picada
1/2 xícara de açúcar demerara ou cristal orgânico
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio

Preparo

Leve as cascas de tangerina para ferver na água junto com o bicarbonato de sódio por 5 minutos; escorra e lave em água corrente. Junte as cascas com as frutas picadas e o açúcar e leve para cozinhar, mexendo de vez em quando. Quando os gomos estiverem quase desmanchando, verifique se há alguma semente e retire com uma colher; bata tudo no liquidificador e volte para a panela, cozinhando e mexendo de vez em quando até atingir o ponto. Conserve em geladeira em recipiente bem tampado.

Fonte: Veggi & Tal

Agressividade em quem mata ou em quem mostra a morte?

Por Sônia T. Felipe

Quem agride animais, matando-os para comer se sente agredido por aqueles que puxam a cortina atrás da qual o abate e o confinamento cruéis desses animais acontece ao redor do mundo: 56 bilhões no (quase) todo e somente em nosso Brasil 5 bilhões de animais ensanguentados por ano, morrendo de hemorragia provocada pelos punhais e motosserras para que (quase) todo mundo coma bifes e similares, quando somos um país no qual todos os cultivos vegetais são bem sucedidos e bastam para formar a cadeia proteica necessária à nossa saúde.


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Ninguém nasce mau caráter

Sônia T. Felipe 

Todos nascemos abertos ao espelhamento do mal ou do bem que vimos à nossa volta, que imitaremos, que nos marcará, que deixará sua pegada em nossa mente, em nosso corpo e em nosso coração.

Se vivemos o mal, espelhamos mais rapidamente o mal, porque ele está solto à nossa volta. Toda criança é muito vulnerável, afetiva e emocionalmente, ao mal que os adultos lhe fazem ou fazem a alguém próximo dessa criança, quando ela não pode se defender nem pode defender a vítima da maldade adulta. Isso deixa uma marca indelével na alma infantil.

Se a criança vê que quem pratica o mal sai na boa, sem sofrer nada, ela pode concluir que esse é o melhor modo de se safar sem lesões em sua vida. Então, na hora de vir à tona uma emoção, se essa criança está marcada pelo mal, ela espelhará a emoção má. Chega a ser uma forma de catarse.

Descarregando o mal acumulado, a criança o deixa num gesto, para que os adultos possam ver o conteúdo latejante que a pressiona para o mal, que a destrói emocional e moralmente.

Em vez de xingar as crianças que praticam maldades e são cruéis contra outras crianças e animais, é bom observar esses comportamentos e se ver espelhado neles. As crianças não fazem nada que não tenham visto ou que não vivam vendo os adultos fazerem. Crianças se comportam por mimesis, imitação.


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