Mesmo “sem rosto as plantas querem viver”?

Por Sônia T. Felipe em Galactolatria: mau deleite 

Quem tem muita dó de planta precisa parar imediatamente de comer carnes, queijos, manteiga, requeijão, creme de leite, leite condensado, leite em pó, sorvete, tortas, biscoitos e tudo o que contenha derivados do leite de vaca, porque extrair leite de vacas é devastar plantas que “mesmo sem rosto querem muito viver”.

Vejamos alguns números: 1 kg de queijo contém 10 a 12 litros de leite. Para extrair essa quantidade de leite foi preciso dar água, plantas, grãos e cereais para a vaca comer, pois nenhuma vaca secreta 10 litros de leite naturalmente. Para que secrete leite é preciso haver excesso de calorias concentradas e armazenadas na forma de gordura que vai então se transformar em leite, carreando os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bezerro.

Então, para extrair 12 litros de leite foram necessários 100 litros de água, dada de beber às vacas, 6 kg de grãos e cereais e pelo menos 24 kg de plantas que a vaca comeu! Se alguém tem muita pena de plantas, não coma laticínios, pois eles são grandes devoradores de plantas.

Quanto ao fato de as plantas serem sensíveis, é verdade que elas o são. Nossos cabelos também são sensíveis à seca ou ao sol, ou à carência de nutrientes. Nossa pele também é sensível aos mesmos interferentes, endógenos ou exógenos. Nem por isso, porque nossos cabelos ou nossas unhas são sensíveis, deixamos de cortá-los de vez em quando. E quando o fazemos, nunca ouvimos seus gritos de dor, porque eles podem até ser sensíveis, mas não são “sencientes”.

Por isso temos a palavra senciência na ética animalista. Sensibilidade pode haver até em matéria inorgânica e isso é tão verdade que muitos equipamentos pifam caso sejam submetidos a temperaturas acima ou abaixo da resistência dos materiais que os compõem.

Agora, para ter consciência e consciência de si é preciso ter um lugar onde todas as imagens e experiências sejam armazenadas, o cérebro, e um sujeito que faça a filtragem de tudo, com o único propósito de se orientar, ou de orientar os outros que dependem de sua experiência, em seus movimentos seguintes.

Essas capacidades, a da senciência e a da consciência de si, só existem em seres vivos que têm como tarefa contínua manter-se vivos em movimento, porque, ao se moverem no ambiente natural ou social, os elementos que precisam ser ingeridos para dar continuidade ao processo vital não estão fixados num mesmo lugar, como acontece com as plantas, que, por não se deslocarem no ambiente, não precisam do aparato necessário para levarem consigo o arquivo de utilidades, as imagens requeridas para se moverem com segurança.

Animais são seres sencientes. Incluem-se aí os humanos, justamente por sua condição animal. As experiências de todos os indivíduos que nascem na condição animal precisam ser armazenadas com critério por esse animal, porque ele depende desse arquivo super bem organizado quando se move por aí, no mundo. Os animais vertebrados têm um cérebro e áreas bem especializadas no cérebro para processar as imagens que ficam de cada experiência vivida, olfativas, visuais, táteis, gustativas, palatares. Essas imagens são usadas pela memória (que trabalha em vigília e durante o sono) para que o animal não cometa erros que ponham sua vida em risco.

No caso das plantas, sua sensibilidade contribui para a manutenção do metabolismo básico. Mas elas não têm em sua natureza evolutiva a proposta de se tornarem aptas à sobrevivência, com os mesmos mecanismos mentais dos animais humanos e não humanos.

É certo derrubar as árvores para comer o que está nelas? Não acho. Palmito, por exemplo. É preciso matar a planta toda para arrancar sua “carne”. Mas comer o que as plantas produzem, grãos, sementes, frutas e frutos, ou mesmo tubérculos, comer alimentos vegetais que são produtos das plantas, mas que não fazem mais falta alguma a elas quando amadurecem e podem ser colhidos, não vejo erro algum nisso. É certo que o ideal seria nos alimentarmos apenas da luz solar, fazendo a fotossíntese que as plantas fazem. Mas até elas se alimentam de matérias orgânicas para obterem todos os nutrientes, além de serem capazes da fotossíntese.

De qualquer modo, porque na criação de animais para abate e extração de leite ou coleta de ovos é preciso usar muito alimento de origem vegetal e isso implica em matar muita planta mesmo, ser vegano é a única forma de evitar tamanha matança e destruição de plantas cultivadas com o único propósito de serem ceifadas para virarem ração animal.

De todas as dietas, a vegana e as crudívoras são as menos devastadoras do planeta. E, sendo brasileira, tenho o privilégio que a maioria dos humanos ao redor do planeta não tem: o de poder me alimentar só de matérias colhidas da horta, do pomar e da lavoura, em todos os tons e texturas, sem precisar tirar a vida de nenhum animal não humano nem devastar a vida de tanta planta.

Faço isto, ser vegana, há 15 anos. Sem deficiência alguma. Os médicos olham meus exames e não acreditam, porque foram treinados sob a ótica do agronegócio que vendeu a ideia de que só é possível obter proteínas comendo carnes, laticínios e ovos. Não é verdade.
Todos os aminoácidos que formam a cadeia de 20 elementos necessários para compor a proteína, estão nos alimentos vegetais.

Basta raciocinar. Se para produzir proteína fosse necessário comer carnes, a vaca teria que ser alimentada com churrascos, o elefante com salsichas, o hipopótamo com queijos e as girafas com frango assado, não é mesmo? Venderam essas ideias para todos nós. Mas elas são mitos do agronegócio. Depois venderam a ideia de que temos que tomar remédios para tratar das doenças. Podemos curá-las com a dieta abolicionista vegana.


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Sobre a campanha do PETA, salve as baleias!

Por Sônia T. Felipe

Primeiro as pessoas são levadas à hipnose (sim, açúcar tem efeito opiáceo e depois depressor) por alimentos sem nutriente algum, que forçam o cérebro a pedir sempre mais da mesma comida inútil, na esperança de obter finalmente os nutrientes que ele precisa. Estamos falando da obesidade que já assola as brasileiras e brasileiros como ocorre no território estadunidense há muito tempo.

Em seguida, naqueles organismos onde tanto lixo não tem destino algum, o tecido gorduroso é a forma de o corpo armazenar a glicose, justamente porque o cérebro sempre está a entender que a miséria à qual o condenam com a dieta errada significa que ele não terá comida pelos próximos tempos. É mais ou menos assim que se formam os corpos aumentados para frente, para os lados e para trás, não apenas em adultos, mas já em crianças e em muitos jovens.

Finalmente, não bastasse o desconforto que as pessoas com excesso de peso ou obesas sentem, vêm uma propaganda grosseira ridicularizando as pessoas cujos metabolismos respondem evolutivamente, fazendo reserva de energia para enfrentar tempos de desnutrição. Essas propagandas divulgam o vegetarianismo como se os vegetarianos ironizassem a condição dos gordos. Tem muito vegetariano e mesmo vegano com grande quantidade de gordura armazenada em seus tecidos e a causa é a mesma que acabo de descrever acima: carboidratos com nada dos nutrientes nobres que mantêm a saúde do cérebro e as funções celulares normais em todo o corpo.

Seus cérebros estão gritando de desnutrição e dando comando o tempo todo para que os tecidos armazenem glicose, a energia vital para o funcionamento de todas as células. Vital, mas não única. Por isso, a pessoa quer comer sempre mais da mesma comida malvada. Porque nessa comida, nos carboidratos vazios, não estão os demais nutrientes que o cérebro precisa. A pessoa come uma pizza ou massa, sente-se saciada e crê que se nutriu. Tem milhões de pessoas bem comidas que estão bem desnutridas sem o saberem.

Para perder peso é preciso deixar de lado, digo, de lado, e não diminuir apenas, os alimentos com os quais o corpo foi condicionado a se sentir sempre com fome, ameaçado de morte. É preciso acalmar o cérebro e ensinar o metabolismo a fazer as sínteses dos nutrientes vitais a partir de nutrientes realmente presentes na comida.

E junk food, meus caríssimos veganos, não é fonte de nutrientes, apenas de calorias vazias, portanto, dispensáveis.
Fonte de nutrientes são os vegetais comprados na feira, no formato e cor que a natureza lhes dá. Dieta integral vegetal. Dieta abolicionista sem carboidratos refinados e processados, não apenas sem carnes, laticínios e ovos.

Vamos comer xuxu, abóbora, batatas doce, feijão, arroz integral, muita couve e crucíferas, tubérculos e tudo o que vem da horta, oleaginosas e leguminosas, frutas e frutos de todo tipo. Deixemos os pacotes, as latas e os saquinhos de lado. Essa é a forma de perder o lixo armazenado em nossos tecidos.

Esta é a dieta aplicada pelo Dr. John McDougall há quase 50 anos para curar seus pacientes de obesidade, cardiopatias graves, diabetes, hipercolesterolemia e câncer: a dieta abolicionista vegana integral não processada. Leiam, desse que é apenas um dos mais de 10 mil médicos do Comitê dos Médicos por uma Medicina Responsável, The Starch Solution, publicado em novembro de 2012. Vale a pena.

Não adianta ridicularizar a pessoa obesa. Ela não vê nenhuma ajuda nisso para sair do seu tormento.


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Bolo de cenoura

Ingredientes

1 xícara de cenoura picada miúda
1 e 1/4 de xícara de leite vegetal (de soja, de castanhas, etc)
1 colher (sopa) de semente de linhaça
4 colheres (sopa) de óleo
1 e 1/2 xícaras de açúcar
1 colher (sopa) de suco de limão
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher (sopa) cheia de fermento em pó

Calda

1/4 de xícara de leite vegetal
4 colheres (sopa) de chocolate em pó
3 colheres (sopa) de açúcar

Preparo

Bata no liquidificador a cenoura, o leite vegetal, a linhaça, o óleo, o suco de limão e açúcar até ficar homogêneo. Em um recipiente, peneire a farinha e misture com o fermento em pó. Despeje o líquido sobre os ingredientes secos e misture bem. Leve para assar em forma pequena, untada e enfarinhada; em forno médio pré-aquecido, por cerca de 35 minutos.

Para a calda – misture bem todos os ingredientes e leve para cozinhar, mexendo e deixando ferver em fogo baixo por alguns minutos até engrossar. Despeje sobre o bolo.

Fonte: Veggi & Tal

O ativista Mauricio Varallo fala sobre as consequências do episódio do Instituto Royal na sociedade brasileira

Após o episódio ocorrido no Instituto Royal, os questionamentos sobre os testes realizados com animais vivos ganharam repercussão na mídia nacional, ampliando o debate sobre esse tipo de testes, principalmente aqueles que são feitos para a indústria cosmética. O ativista Maurício Varallo fala sobre a falta de transparência das atividades realizadas em institutos e universidades, muitos deles recebendo verbas públicas para a realização de suas pesquisas. Ele comenta a repercussão do caso no Congresso Nacional, onde foram propostos não só novos projetos de proteção aos animais, mas também uma CPI para investigar as atividades destes centros de pesquisa.

Mauricio Varallo propõe ainda que os consumidores verifiquem se os produtos que costumam utilizar foram testados em animais e, caso isso ocorra, deixem de comprar essa determinada marca e entrem em contato com o fabricante por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para comunicar as razões do boicote. No Brasil não há legislação que obrigue ou impeça esse tipo de testes para produtos cosméticos e de utilização doméstica, como desinfetantes e detergentes.

Ouça a entrevista acessando http://radios.ebc.com.br/amazonia-brasileira/edicao/2013-11/debates-sobre-o-fim-de-testes-em-animais-crescem-em-todo-o-mundo

Adicção aos opioides dos laticínios

Por Sônia T. Felipe

Se uma pessoa já viveu 21 anos, descontando-se o primeiro ano de amamentação, essa pessoa já ingeriu 21.900 refeições principais (café da manhã, almoço e jantar) e pelo menos 14.600 lanches. Temos, no total, 36.500 ingestões.

Segundo o filósofo grego Aristóteles, nascemos com uma certa bagagem genética, um éthos que não define de todo o que fomos, somos ou seremos. Além desse éthos biológico, forjamos um segundo éthos e esse sim define nosso caráter, tanto do ponto de vista das nossas necessidades físicas, quanto das afetivas, emocionais e morais.

Hoje, na ponta da biogenética, os estudiosos se voltam para o estudo da marca ambiental sobre nossos genes, a ponto de nenhum dos cientistas da epigenética crer que nossos genes determinam o que somos ou até mesmo nossas doenças. O que comemos ou respiramos e as emoções e pensamentos que acalentamos têm uma força antes não imaginada pela ciência, embora afirmada por todas as tradições espiritualistas, sobre cada uma das células do nosso corpo.

Fiz essa digressão sobre o número de refeições ingeridas ao longo de duas décadas, fui até à Grécia para ter presente a tese de que a ética depende dos hábitos morais e cheguei no que há de mais avançado na epigenética, para falar da influência dos alimentos sobre nossa mente e de como a conhecida frase: “somos o que comemos” tem mais sentido do que imaginávamos até há pouco tempo.

Voltemos à ética na alimentação. Se os alimentos que colocamos para dentro do nosso organismo levam consigo o poder de marcar nossas células em sua estrutura genética e molecular, e se essas marcas podem ser da ordem da energia quântica ou mesmo além dela, não devemos menosprezar o hábito de ingerir certos alimentos e a adicção que eles podem produzir em nosso cérebro, a ponto de, quando estamos com fome olharmos imediatamente para certos alimentos e não para outros nunca ingeridos quando sentimos fome.

Entre os alimentos que mais viciam o cérebro e formatam a mente estão o açúcar, os estimulantes que contêm cafeína, teína e caseína e as moléculas de gordura animal. Chegamos, com a caseína, aos alimentos derivados do leite de vaca. Muitas pessoas afirmam ter parado de comer carnes sem drama, mas não conseguem parar de ingerir queijos ou derivados do leite de vaca.

O leite de vaca tem má fama, no senso popular e mesmo entre os profissionais de saúde, por conta da lactose, composta de duas moléculas, uma de glicose outra de galactose, que só pode ser digerida quando o organismo produz a lactase, uma enzima que na maior parte da população mundial, por uma herança evolutiva, deixa de ser produzida quando se forma a arcada dentária nos mamíferos, pois os dentes são os instrumentos para macerar os alimentos e obter os nutrientes presentes no leite materno. Isso vale para todas as espécies mamíferas, razão pela qual nenhum mamífero continua a usar leite materno após se formarem os dentes, apenas os humanos, especialmente os que sofreram a colonização europeia, o fazem. Todos os mamíferos começam imediatamente a comer os alimentos sólidos comidos por suas mães, assim que têm seus próprios dentes.
No leite de vaca tem algumas proteínas em menor quantidade, e uma bastante concentrada, chegando a 83% do total delas: a caseína. As vacas descendentes da espécie Bos indicus, conforme o nome sugere, o gado hindu, não produzem a proteína A1 no leite, mas as vacas europeias, as Bos taurus a produzem. Essa proteína que mal e mal é digerida pelo sistema digestório humano, quebra-se em um peptídeo conhecido como BCM7, ou betacasomorfina-7.

Conforme o nome indica, há morfina nesse peptídeo. O efeito dessa morfina no cérebro humano pode ser bem devastador, pois essa BCM7 se liga a 43 áreas diferentes do cérebro, roubando dele a recepção dos opioides que ele produz para restituir o equilíbrio das funções neuromentais diárias. Com o cérebro sujo de betacasomorfina-7, o indivíduo pode se sentir cansado, mau humorado, ter sono agitado, sintomas aguçados de autismo, esquizofrenia, hiperatividade, bipolaridade. Mas os efeitos da ingestão do leite de vaca por pessoas sem condições de digestão dessa matéria animal também podem causar transtornos fisiológicos e outras doenças, como o intestino preso, as diarreias, o colesterol LDL elevado, a litíase, ateromas, diabetes tipo 1, obesidade, enxaquecas e câncer.

Voltemos agora ao número de refeições às quais uma pessoa com 21 anos de idade já se submeteu. Em todas essas refeições, sem exceção, a menos que essa pessoa tenha sido alimentada com a dieta vegana, havia mais de um alimento contendo derivados do leite de vaca. O cérebro foi, portanto, bombardeado com a betacasomorfina-7 pelo menos 36.500 vezes em apenas 20 anos dessa dieta galactômana. Imaginemos agora que a pessoa tenha 40, 60 ou 90 anos.

Com o opioide do leite dominando a função do cérebro não podemos esperar que para um galactômano ocorra a mudança da dieta galactômana para a dieta abolicionista vegana sem algum impacto, especialmente de ordem emocional. Os médicos que tratam da questão da abolição do leite e seus derivados da dieta de um galactômano chegam a falar de “síndrome de abstinência” nos dias de desintoxicação dos laticínios.

Tirar o leite e os laticínios da dieta é uma decisão pessoal de foro íntimo, pois é preciso que a área do cérebro responsável pelos neurônios que contribuem para nossas escolhas morais seja colocada em ação, enfrentando o condicionamento opiáceo que a dieta galactômana exerce sobre ele ao longo de décadas.

Todo esforço, entretanto, vale a pena. Ao se limpar dos resíduos deixados no corpo pelos laticínios, o sujeito se sente mais leve, mais disposto, mais alegre e, assim, mais apto a ajudar a abolir o sofrimento animal, a devastação alimentar e ambiental causada pela extração e consumo de leite e as mazelas e doenças que afetam o próprio organismo.

Custa tentar? Faça a experiência de forma radical por 10 dias. Vai querer prolongar para sempre!


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Um dia o mundo vai se tornar vegano, ou tudo corre para um colapso?

Por Sônia T. Felipe 

Os dados da produção de cereais e grãos ao redor do mundo indicam que 70% de tudo o que é plantado e colhido, em certos casos chegando a 90%, destina-se a alimentar animais que são usados para extração de leite, coleta de ovos e para todos os que são abatidos para atender à demanda por carnes.

É preciso considerar a extensão do planeta, roubada aos humanos com esse cultivo. Também é preciso considerar a quantidade de biocidas inventados nas últimas décadas para forçar as sementes e grãos a se transformarem rapidamente em plantas e a produzirem o que se deseja colher.

Por fim, é preciso considerar que essa quantidade imensa de comida, uma vez ingerida, precisa ser expelida pelos animais. Também é preciso considerar que para poder digerir alimentos que a evolução do seu organismo não previu jamais ter que digerir e assimilar, os animais precisam receber muita água. O mesmo acontece conosco quando comemos indevidamente e precisamos oferecer ao nosso sistema digestório um meio para que ele se limpe dos detritos e resíduos imundos que vão ficando pelo trajeto.

Consideremos a montanha de excrementos e urina produzida ao redor do mundo pelos animais mantidos confinados na indústria das carnes, laticínios e ovos. O fato é que o planeta não evoluiu para digerir nem assimilar tanto lixo orgânico. Consideremos ainda que a maior parte desses animais possui um sistema de fermentação entérica que produz muitos gases responsáveis por repelir o ozônio que nos protege dos raios letais do sol. Não há como concluir que estamos indo muito bem, obrigada. Não há razão para pensar que nada do que comemos hoje tem influência alguma sobre os desdobramentos climáticos e a devastação ambiental.

Se estamos comendo a morte, estamos plantando a morte para o planeta colher. Isso afeta todos os seres vivos.

Para completar o quadro, a dieta animalizada implica em tormento e dores, sofrimento e morte para os animais. Para isso não temos perdão. Todos os aminoácidos necessários para formar a famosa cadeia proteica, o mito sobre o qual foi construído o poder do agronegócio, podem ser obtidos perfeitamente a partir dos alimentos vegetais.

Caiu por terra o velho mito de que só temos proteínas se ingerirmos carnes, leite de animais, ovos ou seus derivados. Então, o sistema de produção de alimentos baseado na exploração e morte de animais, de fato, não tem mais qualquer sustentação moral.

Entretanto, todos que foram submetidos cultural e mentalmente à dieta animalizada estão programados em seus neurônios para responder com apetite ao apelo dos alimentos animalizados. Não por maldade, obviamente. Por vício mesmo. As carnes e os laticínios estão carregados de opióides que se ligam aos receptores dos opióides naturais produzidos por nosso cérebro.

A pergunta é: as pessoas vão tornar-se veganas por reconhecerem a obsolescência moral de sua dieta onívora galacto-carnista, ou vamos ter o colapso planetário por conta dessa dieta que aí está e elas terão que se tornar veganas na marra?

Pessoalmente, não creio que todos os seres humanos se tornem veganos num passe de mágica. Estou mais propensa a pensar que não vai dar tempo para frear a desabalada corrida, imposta ao planeta (à atmosfera, ao solo e às águas) pelo sistema belicista de produção de grãos e cereais ao redor do mundo, e pela montanha de urina e excrementos animais liberados diariamente, ininterruptamente, levando-o à exaustão.

Se continuarmos mais 20 ou 30 anos a ingerir alimentos animalizados, o planeta vai ter que sustentar o cultivo e a colheita de alimentos para os animais usados em nossa dieta por mais 20 anos. Esses animais excretarão nas próximas décadas a montanha que ora excretam. Quando o colapso se apresentar em muitas regiões do planeta ao mesmo tempo, já não haverá mais tempo para corrigir espontaneamente a dieta animalizada e adotar a dieta abolicionista vegana. Essa será a única dieta viável.

Caso o colapso ambiental se dê em diferentes regiões do planeta ao mesmo tempo, mas permita ainda que a vida humana seja possível de ser preservada com a dieta vegana, os humanos que não tiverem feito agora a transição mental, cultural e moral, da dieta onívora ovo-galacto-carnista para a dieta vegana, serão forçados pelas circunstâncias a se alimentarem de vegetais, frutos e sementes. Mas seus cérebros estarão ainda fissurados pela dieta animalizada.

Portanto, a mudança que será forçada de fora para dentro não terá força, a menos que a submissão à nova dieta seja prolongada. Assim que esses humanos se recompuserem, a primeira ideia que terão é de matar o primeiro animal para se locupletar outra vez com o churrasco, a carne desse animal morto, assada.

Acredito nas ações cujo propósito resulte de uma decisão existencial do sujeito. Não acredito em mudança alguma imposta de fora para dentro. Creio, no caso de haver mesmo o colapso, na força de todos os que hoje desassinam o contrato galacto-carnista ao qual essa dieta animalizada nos submeteu.

Quem já for vegano quando o sistema de produção animal colapsar estará firme e sereno em sua jornada dietética. Quem ainda depender de sabores e de fontes proteicas animalizados, sofrerá muito e a única coisa que desejará é poder voltar a comer um pedaço de cadáver.

A mudança, em qualquer âmbito que seja, é sempre de foro íntimo, quer dizer, ou ocorre no centro da mente, afetando todos os neurônios à volta, ou, sendo externa ou imposta, não tem efeito algum sobre a vontade moral do sujeito. É preciso ter boa vontade consigo mesmo, com os animais e com o planeta, para fazer a passagem de uma dieta totalmente baseada em alimentos animalizados, para a dieta abolicionista vegana, baseada exclusivamente em alimentos de origem vegetal integral e não processada.

De qualquer modo, a própria Organização Mundial de Saúde e a Associação Médica Americana já reconhecem que a dieta vegana é uma escolha mais saudável. Enquanto isso, o World Watch Institute reconhece que a dieta vegana é a única salvação para o planeta, e a produção e abate de animais, sua derrocada.

Cada indivíduo carrega em sua consciência a responsabilidade por tomar uma decisão dessa natureza. E, uma vez tomada essa decisão, há que assumir a responsabilidade por adequar seu ritmo e seus costumes dietéticos ao novo padrão. A luta é individual.
Não esperemos que se torne uma imposição coletiva.

É mais doloroso fazer mudanças na marra do que de boa vontade.


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Dieta abolicionista vegana

Por Sônia T. Felipe

No Brasil, plantando-se, praticamente, qualquer alimento, dá!

Não temos neve 8, 10 ou 12 meses por ano. Não temos chuvas o ano todo. Não temos seca o ano todo, como a têm os países desérticos. Temos sol, água e solo fértil. Pelo menos aquele no qual ainda não foram aplicados os biocidas que prometem proteger as plantações e acabam por envenenar o planeta e a saúde de todos os seres.

Então, o povo brasileiro bem que poderia dar um exemplo dietético e moral ao resto do mundo, adotando a dieta abolicionista vegana.

Comer alimentos fotossintetizados pelas plantas é o mesmo que comer a luz solar em todo seu prisma. Saúde física e mental. Sair da dieta merreca fixada em dois ou três alimentos animalizados e substituir definitivamente esses alimentos por alimentos vivos, essa é a proposta dietética ética que todos deveriam encarar.

Medo de ficar doente por falta de proteínas animalizadas? Só se houver descuido e nenhuma ingestão de leguminosas e carboidratos integrais, leguminosas e sementes. Ou se houver descuido com a vitamina B12, tão essencial para a saúde mental e neurológica quanto os demais nutrientes, como os ácidos graxos essenciais (ômega-3).

Pesquisas antigas apontam o risco da dieta sem carnes como perigosa para a saúde humana. Esse risco de fato existia quando os médicos mal conheciam a função da vitamina B12. Hoje, com o estudo sério de médicos que atendem pacientes que escolheram viver veganamente (Dr. Eric Slywitch no Brasil, Dr. Caldwell Esselstyn, Dr. John McDougall, Dr. Thomas Campbell e Colin Campbell, nos Estados Unidos), sabemos que a reposição da B12 é essencial para a saúde mental.

Somente os galactômanos podem ainda ter a ilusão de que, por ingerirem leite e laticínios, embora já não ingiram carnes e ovos, estariam com os níveis de B12 garantidos. Mas os veganos, que estão cientes de que em seus alimentos não há como acessar a B12 em quantidade suficiente para atender a demanda da área neuromental, repõem essa vitamina com eficiência, tornando sua dieta vegana uma dieta mais eficiente do que a lactovegetariana, pela ilusão que os lactovegetarianos podem ainda ter de que recebem suficiente quantidade da B12 pelos laticínios.

Não sabemos quantas brasileiras e quantos brasileiros são veganos. Seria muito bom se o IBGE, no próximo censo, incluísse uma pergunta sobre a dieta do povo brasileiro, deixando bem claras as distinções entre a dieta vegana, a ovo-lacto-vegetariana e a onívora galacto-carnista.

Com base no censo populacional dietético, poderíamos fomentar políticas públicas de conscientização da população escolar sobre a importância de abolir da dieta os produtos animalizados, para dar paz aos animais, aliviar o planeta da exaustão à qual o condenamos nos últimos trinta anos, e devolver a saúde ao próprio corpo.

Por outro lado, adotando a dieta abolicionista vegana, economizaríamos grãos, cereais e forragens cultivados ao redor do planeta para alimentar os animais mortos para bifes e explorados para extração de leite e coleta de ovos.

Para cada 100 g de proteína vegetal dada às vacas, elas devolvem apenas 22 g de proteína no leite. Para cada 100 g de proteína vegetal dada aos bois destinados ao abate, eles devolvem apenas 4 g de proteína na carne. Essa é uma inversão proteica de grande monta, que leva ao cultivo e abate de grãos e cereais para que sejam digeridos pelo sistema digestório bovino e sejam queimados no próprio processo digestório, restando pouco da proteína total ingerida nos produtos animalizados destinados ao consumo humano. Um luxo. Um desperdício.


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A dignidade dos cadáveres e lugares sagrados

Por Sônia T. Felipe

Enterrar animais de estimação em seu próprio jazigo é tirar a dignidade humana, segundo autoridade da Igreja Católica no Brasil, contrária ao projeto de lei que autoriza o enterro de animais eleitos para estima em cemitérios humanos. Agora, enterrar cadáveres de animais não estimados, porcos, galinhas, bois, vacas, ovelhas, perus etc em seu próprio corpo, tão sagrado, ah! isso pode, não é mesmo D. Odilo?

Cemitérios são lugares sagrados, em todos os cantos do mundo. E em lugares sagrados devemos guardar tudo o que há de mais sagrado. Jamais devemos conspurcar um lugar sagrado levando para ele lixos ou matérias imundas, matérias que carregam sujeira, toxina, contaminação e causam destruição da área sagrada. Isso é o que aprendi, quando aprendi a respeitar lugares sagrados. E olha que não sou tão espiritualizada como desejaria ser, apenas me esforço para que meu espírito não seja palco de contradições morais imperdoáveis!

Entretanto, pasmei com a declaração de D. Odilo, de que autorizar as pessoas humanas a enterrarem consigo as pessoas não-humanas que mais estimaram em vida, no mesmo jazigo ou cova, seria profanar o lugar sagrado onde os mortos humanos são enterrados e, de bandeja, dar aos animais a dignidade que eles não têm! Quem disse que os animais não têm dignidade? Só quem gosta de comer seus cadáveres é que pode dizer uma coisa dessas.

E, finalmente, insisto: se o corpo humano é tão digno e sagrado que não pode ser misturado ao corpo dos animais que compartilharam da vida do humano agora morto, então melhor seria destinar a energia para pregar aos seres humanos o dever de parar de conspurcar seus corpos enfiando goela abaixo pedaços de cadáveres de animais que foram assassinados com o propósito de encher o estômago tão sagrado desses humanos tão dignos que não chegam sequer a reconhecer que estar na vida é um presente dado de graça a todos sem distinção de raça, sexo ou espécie biológica.

Carne de animal morto forçada a ir para o estômago de um humano vivo é algo digno de ser respeitado e perpetuado? Carne de animal morto, colocado junto ao cadáver de um humano que amou e cuidou desse animal, tira a dignidade e a santidade do humano?

Mas (agora vem a Ceia de Natal) carne de animal morto para compor sua ceia de natal, um animal que veio à vida para viver dignamente sua vida mas foi obrigado a vivê-la abjetamente, isso pode, não é mesmo?

Ah! Vai faltar perdão para tamanha insensatez e incoerência ética!


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Todos os animais são iguais…

Por Sônia T. Felipe 

Mesmo que a aparência externa de seus organismos tenha detalhes que o nosso não tem, ou o nosso tenha detalhes desenhados em lugares que os deles não têm. O que importa não é a aparência externa de um ser senciente, de uma pessoa, humana ou não-humana.

O que importa é o pulsar da vida naquela expressão singular, a forma de expressão que cada espécie animal lega a cada indivíduo ao nascer. O resto é pura construção, não por acaso, sempre favorecendo os interesses humanos e vilipendiando os dos animais não-humanos.

O respeito a todos os animais é simplesmente um dever moral, fundamentado no princípio da coerência entre o que esperamos que não nos façam e o que fazemos aos outros.

Se houvéssemos nascido com o sistema reprodutivo de uma porca não desejaríamos passar nossa vida trancadas em uma baia apertada, na qual sequer pudéssemos mover o corpo num giro de 180º. Não desejaríamos amamentar nossos dez ou doze leitõezinhos num piso de concreto frio, imundo, tendo-os condenados ao lado de fora das barras de ferro na hora de mamar.

Se houvéssemos nascido com a roupagem externa bovina feminina, não desejaríamos ser estupradas e forçadas a uma gestação pelo simples fato de que uma gestação finalizada em um parto dispara a secreção da glândula mamária e essa secreção pode ser vendida a humanos que não necessitam dela, mas estão viciados em sua ingestão por pressão cultural e moral.

Se houvéssemos pensado há mais tempo na igualdade intrínseca de todas as vidas animais não teríamos fomentado o sistema de produção alimentar animalizado que aí está. Não teríamos condenado o planeta à exaustão com o plantio biocida de alimentos destinados aos animais. Não teríamos condenado os animais ao inferno que suas vidas atormentadas representam para eles. Não teríamos colocado nossa saúde na dependência de fármacos, que até podem tratar muito bem das nossas mazelas desenhadas por nossa dieta bélica, mas não nos curam das sequelas dessa dieta animalizada, imposta a todos nos últimos cinquenta anos.

Repensar a igualdade animal nos liberta de todo esse mal.

Texto editado em 22/11/13 e repostado em 25/11/13.


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ONGs querem que Prefeitura cumpra lei estadual para castração

 
O Fórum Livre de Defesa e Bem-Estar Animal, constituído por membros de quatro ONGs (Organizações Não-Governamentais) de Araçatuba, enviou documento à Prefeitura e à Câmara cobrando a aplicação da lei estadual criada em 2008 que determina o controle reprodutivo de cães e gatos, sendo a castração uma das medidas protetivas. O ofício foi encaminhado na última segunda-feira solicitando informações sobre projetos para o cumprimento da lei, com prazo de 15 dias para as respostas. 
 
“Caso não tenhamos resposta sobre o assunto, vamos representar no Ministério Público”, disse o coordenador do Fórum Livre, Fernando Corrêa, que também é fiscal da APA (Associação Protetora dos Animais de Araçatuba). Além da APA, participam do Fórum, fundado em dezembro do 2012, as ONGs APDA (Associação Protetora de Defesa dos Animais), Clube Amigo dos Animais e Paixão Animal.
 
Conforme o Censo Canino realizado pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) no final do ano passado, Araçatuba possui aproximadamente 35 mil animais, sendo 28 mil cães e 7 mil gatos. Integrantes do Fórum acreditam que, desse total, por volta de 2,6 mil animais se encontrem em situação de abandono. “Se a Prefeitura começar a fazer a castração de cães e gatos, a tendência é diminuir o número de animais errantes, assim como as doenças infectocontagiosas”, explicou Corrêa. Na opinião de Corrêa, a Prefeitura deveria firmar um convênio com os veterinários da cidade para que os profissionais realizassem a castração em suas clínicas, com recursos do município.PREFEITURA
 
A Prefeitura informou que, atualmente, o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) realiza em média dez castrações de gatas por semana. O órgão considera o número baixo para o controle de animais, mas acredita que, após formalização do convênio com a Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp, esse número cresça significativamente, envolvendo cães e gatos.