Pelo menos 60 gatos morreram envenenados na UFPB em 8 meses, diz comissão

Mais de 20 gatos morreram apenas no carnaval; laudo apontou para ingestão de chumbinho.

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Mais de 200 gatos vivem no campus I da Universidade Federal da Paraíba (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Mais de 200 gatos vivem no campus I da Universidade Federal da Paraíba (Foto: Krystine Carneiro/G1)

Pelo menos 60 gatos que vivem no campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, foram mortos por envenenamento em 2017. Os dados foram divulgados pelo vice-presidente da Comissão de Direito e Bem-Estar Animal da UFPB (CDBA), professor Francisco Garcia Figueiredo.

Segundo o professor, a estimativa compreende apenas as mortes por envenenamento no período entre o carnaval e o mês de setembro deste ano. Outras causas de morte – atropelamentos, espancamentos e apedrejamentos – não foram contabilizadas, mas, de acordo com a CDBA, são minoria.

“Cerca de 90% das mortes são por envenenamento. Alguém, que pode ser um professor, um servidor, um terceirizado, um aluno ou alguém da comunidade externa, coloca alimento envenenado no local onde colocamos alimentos para os gatos. Morte natural, a gente não detectou nenhuma ainda. Eles morrem jovens”, explicou.

Mortes dos gatos acontecem principalmente na área do CCTA da UFPB (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Mortes dos gatos acontecem principalmente na área do CCTA da UFPB (Foto: Krystine Carneiro/G1)

As mortes dos animais acontecem principalmente na região do Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) da UFPB. De acordo com o levantamento, 23 gatos morreram por ingestão de chumbinho no período do carnaval. A causa das mortes foi constatadas por meio de laudo dos veterinários do campus de Areia da instituição.

Entre agosto e setembro, pelo menos outros 30 gatos morreram, apresentando os mesmos sinais dos animais assassinados no carnaval. Nestes, os exames não foram feitos, mas as características também apontam para envenenamento.

A estimativa de quantos gatos vivem nos campus I da UFPB é inexata pois animais morrem diariamente e, com a mesma frequência, caixas com gatos são abandonadas no local. Porém, o professor Francisco Garcia arrisca que o número varia de 200 a 250 animais.

Integrantes de comissão e comunidade acadêmica cuidam dos gatos que vivem na UFPB (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Integrantes de comissão e comunidade acadêmica cuidam dos gatos que vivem na UFPB (Foto: Krystine Carneiro/G1)

Francisco Garcia esclarece que várias providências já foram tomadas diante dos assassinatos dos gatos, porém, o assassino não foi identificado.

“A gente já denunciou à Delegacia do Meio Ambiente, vários processos já foram abertos, alguns já foram encaminhados para juizados especiais criminais pelo delegado. Aqui dentro, já instauramos várias sindicâncias por intermédio de processos administrativos. A gente consegue identificar o crime e as mortes, mas não conseguimos identificar o assassino”, explicou o professor.

O vice-presidente da CDBA, que também é presidente da comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional da Paraíba (OAB-PB), esclarece que não apenas matar os gatos é crime, mas também abandonar animais no campus. Caso comprovado, o crime de maus-tratos pode ser punido com detenção, de três meses a um ano, e multa.

A CDBA foi instituída de forma permanente, por meio de uma resolução do Conselho Universitário (Consuni), em maio de 2016, mas já existia informalmente antes disso. Os membros da comissão e outros integrantes da comunidade acadêmica colaboram voluntariamente com o pagamento de consultas e a compra de alimentos e remédios para os animais que são abandonados no campus.

Os gatos que vivem na UFPB estão disponíveis para adoção. Quem tiver interesse, pode entrar em contato com os integrantes da CDBA por meio dos telefones (83) 9 9919-7604 (Francisco Garcia) ou (83) 9 9656-7971 (Renata Coelho).

Gatas com filhotes são abandonadas diariamente na UFPB, diz CDBA (Foto: Renata Coelho/CDBA)
Gatas com filhotes são abandonadas diariamente na UFPB, diz CDBA (Foto: Renata Coelho/CDBA)

Por Krystine Carneiro

Fonte: G1

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