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Perdemos 158 mil km2 de floresta tropical no ano passado, em parte porque criadores de gado as queimaram…

De acordo com um relatório publicado recentemente pela Global Forest Watch, que recolhe dados do satélite da Universidade de Maryland, perdeu-se cerca de 15,8 milhões de hectares (158 mil km2) de floresta tropical em 2017. Para melhorar o contexto, essa é uma área quase do tamanho de Bangladesh. Essa estatística terrível fez de 2017 o segundo pior ano registrado em termos de perda de árvores, com 2016 vindo em primeiro lugar.

Como os dados do satélite revelaram, essa não é uma nova tendência: a perda de árvores na Amazônia tem aumentado constantemente nos últimos 17 anos. O que impulsiona essas perdas imprevisíveis? Em épocas recentes, desastres naturais, como tempestades tropicais e incêndios, tiveram um papel cada vez maior no extermínio de árvores, pois esses eventos se tornaram mais frequentes e mais perigosos devido aos efeitos da mudança climática.

Mesmo com centenas de empresas que se comprometeram em mudar seus hábitos para evitar que contribuíssem com mais devastação de ecossistemas tropicais preciosos, a prática disseminada do desmatamento para propósitos como a agropecuária ainda acontece de forma desenfreada.

Na verdade, estima-se que cerca de 1.600 árvores sejam cortadas a cada minuto na Amazônia para dar espaço ao gado e a lavouras para produção de suas rações. Com a eliminação de florestas nessa velocidade extremamente alta, as tentativas atuais para combater o desmatamento não conseguem se manter.

Essa lamentável realidade é evidente ao se observar o que aconteceu no Brasil em 2017: quando pecuaristas e agricultores incendiaram florestas de forma intencional no ano passado para abrir espaço para uso agrícola, tivemos a perda de mais de 12 mil km2 de árvores. Nesse caso, a destruição da floresta foi muito maior do que o trabalho que o Brasil fez para preservar suas florestas tropicais no mesmo ano.

Como um estudo recente revelou, o Brasil não é o único país onde essa destruição em massa ocorre. Na realidade, a tendência geral é que as florestas tropicais estão desaparecendo muito mais rápido do que sendo salvas, o que resulta nas enormes perdas vistas em 2016 e 2017.

Como apontou Andreas Dahl-Jorgensen, vice-diretor da International Climate and Forest Initiative (Iniciativa Climática e Florestal Internacional) do governo norueguês, “Esses novos números mostram uma situação alarmante para as florestas tropicais do mundo. Não conseguiremos alcançar as metas de clima com as quais nos comprometemos em Paris sem uma redução drástica no desmatamento tropical e na restauração das florestas pelo mundo”.

Você pode se perguntar, o que as metas de clima resumidas no Acordo de Paris têm a ver com as florestas tropicais? As florestas têm um papel crucial na fixação de carbono, um processo que percorre um longo caminho na redução da alteração climática, o que evita que gases de efeito estufa sejam liberados na atmosfera. Na verdade, cientistas estimaram que a preservação das florestas poderia oferecer cerca que 30% da solução para manter o aumento da temperatura global em 2°C ou abaixo disso.

O que você pode fazer para ajudar na redução da perda de árvores e para que possamos ter uma chance nessa luta pela reversão das mudanças climáticas? Uma das atitudes mais fáceis e eficientes que você pode ter é limitar o seu consumo de carne e laticínios ao escolher comer mais alimentos à base de vegetais. Ao fazer essa simples mudança, você ajudará a reduzir a demanda por animais de produção e a alimentação destinada a eles, também conhecida como os maiores estimuladores do desmatamento.

Para saber mais sobre como as suas escolhas alimentares podem salvar o planeta, confira o livro #EatForThePlanet!

Por Estelle Rayburn  / Tradução de Juliana Cambiucci

Fonte: One Green Planet


Nota do Olhar Animal: Consumir carne e leite significa obviamente financiar a morte e o sofrimento dos animais explorados para este fim, mas indiretamente contribui TAMBÉM para a destruição de florestas e, portanto, para a morte dos animais que nelas habitam. A pecuária é uma das maiores responsáveis pela devastação florestal, seja para a criação de pastagens, seja para a plantação de soja e outros grãos utilizados na alimentação dos animais, superando o plantio de grãos para o consumo humano.

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