Poluição plástica já atingiu as profundezas do oceano

Poluição plástica já atingiu as profundezas do oceano

De acordo com um estudo de Alan Jamieson e de seus colegas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, as fossas oceânicas mais profundas do mundo estão se transformando em depósitos de resíduos plásticos.

Pela primeira vez, cientistas surpreenderam-se com a descoberta de contaminação de animais por microplásticos na fossa das Marianas e em outras cinco áreas com uma profundidade de mais de 6 mil metros. Essa descoberta levou-os a concluir que talvez não haja mais ecossistemas marinhos que não tenham sido afetados pela poluição de resíduos plásticos.

O artigo, publicado na revista científica Royal Society Open Science, descreveu como os materiais não biodegradáveis de roupas, recipientes e embalagens jogados em aterros sanitários poluem os rios e os oceanos.

O impacto do plástico em águas mais rasas, onde ameaça a vida de golfinhos, baleias e aves marinhas, já foi bem documentado em revistas especializadas e em programas de televisão, como a série da BBC Blue Planet, narrada por David Attenborough. Mas o estudo recém-publicado mostrou a gravidade do problema ao atingir ecossistemas marinhos tão profundos.

Os pesquisadores examinaram a fauna marinha de seis regiões mais profundas do mundo localizadas no oceano Pacífico, como a fossa Atacama, ou fossa Peru-Chile, as fossas New Hebrides e Kermadec, a fossa Izu-Bonin, na costa do Japão, e a fossa das Marianas.

Eles viram sinais de ingestão de micropartículas por anfípodas, um crustáceo semelhante ao camarão. Na fossa das Marianas, com 10.890 metros abaixo do nível do mar, a região mais profunda do mundo, 100% dos animais examinados continham pelo menos uma micropartícula de materiais como poliéster, liocel, rayon, rami, polivinil e polietileno.

“Ao contrário de rios e praias onde os resíduos seguem o fluxo das correntezas e das marés, o lixo se deposita no fundo das fossas oceânicas”, disse Jamieson.

Apesar do estudo recente e de dados que ainda serão analisados com mais detalhes, os pesquisadores avaliam que os efeitos da poluição em espécies de águas profundas são os mesmos de outras espécies. Porém, advertiram, esses animais são mais vulneráveis, ​​porque as fossas oceânicas têm escassez de alimentos, o que os leva a terem uma alimentação pouco seletiva.

Segundo Jamieson, o nível de contaminação dos ecossistemas de águas profundas é alarmante. “É uma ameaça à sobrevivência da fauna marinha de extrema gravidade”, acrescentou.

Fonte: Opinião e Notícia 

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