Pombos teriam a noção de espaço e tempo, afirma estudo científico

Cérebro de passarinho que nada: fato ajuda a sustentar a teoria de que esses animais têm relações cerebrais mais sólidas que se imaginava.

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Prú prú (Foto: Pixabay)
Prú prú (Foto: Pixabay)

Uma nova pesquisa da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, afirma que os pombos sabem identificar os conceitos abstratos de espaço e de tempo — e aparentemente utilizam uma região diferente do cérebro humano para fazê-lo.

A descoberta fornece mais pistas para um fato que a comunidade científica já suspeitava: espécies animais de ordem “inferior” — como aves, répteis e peixes — são capazes de tomar decisões de alto nível e abstratas.

Em experimentos, os animais observaram em uma tela de computador uma linha horizontal estática e tiveram que notar seu comprimento ou a quantidade de tempo que a linha era visível para eles. Os pombos “avaliaram” que as retas mais longas tinham uma duração mais longa e com um comprimento maior.

De acordo com Edward Wasserman, professor na Universidade de Iowa, isso significa que essas aves utilizam uma área comum do cérebro para avaliar o espaço e o tempo, sugerindo que esses conceitos abstratos não são processados separadamente. Resultados semelhantes foram encontrados em humanos e outros primatas.

“Na verdade, a proeza cognitiva dos pássaros é agora considerada cada vez mais próxima daquelas dos primatas humanos e não humanos”, afirmou Wasserman, que estudou inteligência em pombos, corvos, babuínos e outros animais por mais de quatro décadas, de acordo com o Science Daily.

“Esses sistemas nervosos aviários são capazes de realizações muito superiores ao que o termo pejorativo ‘cérebro de passarinho’ sugere”.

Essa interação do espaço e do tempo em paralelo com a pesquisa realizada com humanos e macacos revelou uma codificação neural comum dessas duas dimensões físicas.

Os pesquisadores acreditavam anteriormente que o córtex parietal era o local dessa interação nessas espécies, mas, como os pombos não possuem essa região do cérebro, as descobertas de Wasserman sugerem que o conhecimento atual pode estar errado.

“O córtex não é exclusivo para julgar o espaço e o tempo”, lembra Benjamin De Corte, outro pesquisador do estudo. “Os pombos têm outros sistemas cerebrais que lhes permitem perceber essas dimensões”.

Fonte: Revista Galileu

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