Por morte de cachorro, moradores de Curitiba (PR) protestam em frente ao Carrefour do Mossunguê

Por morte de cachorro, moradores de Curitiba (PR) protestam em frente ao Carrefour do Mossunguê

Moradores de Curitiba fazem um protesto, na manhã deste sábado (9), em frente ao Carrefour do bairro Mossunguê, em Curitiba.

Vídeo: Por morte de cachorro, moradores de Curitiba protestam em frente ao Carrefour do Mossunguê.

Eles pedem justiça no Caso Manchinha – o cachorro abandonado que morreu em 30 de novembro, depois de ser ferido pelo segurança de um supermercado da mesma rede em Osasco, na Grande São Paulo.

Manifestantes organizam ato contra ação de segurança de rede de supermercados que matou cão a pauladas em Osasco (SP)

Publicado por Tribuna do Paraná em Domingo, 9 de dezembro de 2018

Até as 11h45, segundo a Polícia Militar (PM), havia entre 60 e 70 pessoas no ato, além de cachorros.

Nesta manhã, os manifestantes chegaram a tentar bloquear a entrada do supermercado, mas foram impedidos pela polícia. Agora, eles tentam convencer os clientes a não entrarem na loja.

Manifestantes levaram seus cachorros para ato em frente ao Carrefour do Mossunguê — Foto: Bruna Esmanhoto/Arquivo pessoal

Em nota, o Carrefour disse que, além de afastar o funcionário, “se reuniu com diversas ONGs e entidades que atuam com a causa animal, ouvindo suas solicitações e recomendações para a construção de iniciativas em prol da causa”.

O supermercado também elencou ações que deve tomar após a morte de Manchinha: revisão dos treinamentos de colaboradores, parceiros e prestadores de serviço; ampliação das feiras de adoção de animais em todo o país.

Além disso, disse que criará o “Carrefour Pet Day” no dia da morte do cachorro, “quando apoiará com recursos entidades de acolhimento e defesa animal”.

O supermercado em Osasco também foi alvo de protesto. No sábado (8), atividades do meio ambiente levaram cachorros para o ato e seguram cartazes pedindo justiça.

Manchinha morreu no dia 30 de novembro, depois de ser ferido pelo segurança do Carrefour de Osasco, na Grande São Paulo — Foto: Reprodução/Facebook

Investigação

O segurança do supermercado Carrefour em Osasco, na Grande São Paulo, que aparece num vídeo espantando um cachorro abandonado com uma barra, na semana passada, alegou na última quinta-feira (6), em depoimento à Polícia Civil, que não quis ferir o animal.

Ele é investigado por suspeita de maus-tratos.

Imagens mostram o cão sangrando na pata traseira esquerda antes de ser laçado e levado por funcionários da prefeitura para uma unidade de socorro, onde morreu.

Manchinha morreu em unidade da prefeitura de Osasco — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Segundo a veterinária que o atendeu disse à investigação, Manchinha entrou em óbito em decorrência de hemorragia.

Por meio de nota enviada na noite desta sexta-feira (7) ao G1, a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o segurança do supermercado, que não teve o nome divulgado, “declarou em seu depoimento que acertou o cão com a barra de alumínio de forma não-intencional no estacionamento da loja”.

Ainda, segundo a pasta da Segurança, o segurança do Carrefour “teria usado a barra para bater no chão com objetivo de afugentar o cão e só percebeu que tinha acertado o animal quando este voltou à loja já sangrando.”

O segurança ainda declarou à investigação que só foi retirar o animal do local após ordens de cima. “Segundo ele, o animal rosnou ao ser retirado da área interna da loja pelo funcionário, que alegou ter feito isso a pedido de seus superiores”.

O caso Manchinha repercutiu nas redes sociais.

A Delegacia de Polícia de Investigações Sobre o Meio Ambiente investiga o que pode ter causado a morte do bicho e as eventuais responsabilidades por ela.

Entre as prováveis hipótese estão: um corte na pata traseira do cachorro causado pela barra usada pelo segurança; um enforcador usado por um funcionário da prefeitura para laçar o pescoço do bicho, asfixiando-o, ou ainda se ele foi envenenado ou atropelado.

Abuso

O segurança está em liberdade e deverá responder futuramente por abuso a animais, que está previsto no artigo 32 da Lei número 9.605/98 de Crimes Ambientais.

São enquadrados nesse artigo da lei quem fere ou mutila animais domésticos, silvestres, nativos ou exóticos. Se condenado, o agressor pode receber pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Em tese, o segurança do Carrefour pode ser indiciado, isto é, responsabilizado formalmente pelo crime. O G1 não conseguiu localizar a defesa do investigado para comentar o assunto.

“A Delegacia de Investigações sobre o Meio Ambiente deve concluir o inquérito na próxima semana, após oitiva de mais três testemunhas, e encaminhar ao poder judiciário”, informa outro trecho da nota da Segurança Pública. Mais de 20 pessoas já foram ouvidas.

Por conta da repercussão do caso, a delegada Silvia Fagundes não está dando mais entrevistas sob a alegação de que isso pode atrapalhar a investigação.

Boletim de ocorrência informa que Manchinha teve sangramento e depois parada respiratória, indo a óbito — Foto: Reprodução/Polícia Civil

Fonte: G1

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