Por que é necessário fazer controle ético da população de gatos de rua

Por que é necessário fazer controle ético da população de gatos de rua

Por Eduardo Pedroso

Controlar a população de gatos de rua de maneira ética e não letal é relevante para corrigir os seguintes problemas:

  • O descontrole da espécie causa transtornos de ordem social e motiva atos de violência contra os gatos.
  • A existência de uma espécie em descontrole dentro das cidades requer das autoridades sanitárias uma atenção redobrada e investimentos que nem sempre estão presentes.
  • A fauna silvestre sofre decréscimo.

Portanto é obrigação de todos conter e limitar o número de gatos de vida livre que se faz presente nas cidades brasileiras. O controle ético vai nos trazer benefícios que respondem aos três tópicos acima.

  • População de gatos de rua controlada significa uma diminuição sensível no atrito entre o gato e outras espécies, fazendo decair o número de ocorrências de maus-tratos. Sempre lembrando que toda violação aos direitos dos animais domésticos e silvestres deve ser denunciada e a lei 9605/98 (art. 32) evocada.
  • O controle proporciona segurança para a população humana pois torna quase inexistente a possibilidade de disseminação de doenças, as chamadas zoonoses. O protocolo do método CEVD, por exemplo, prevê a vacinação contra raiva de todos os animais que passam pelo seu processo. Controlar a população de gatos de vida livre é uma questão de saúde pública.
  • Para o quesito que envolve a predação da fauna silvestre, o raciocínio está posto acima: população de gatos de rua controlada significa uma diminuição sensível no atrito entre o gato e outras espécies. Além disso, a prática demonstra que em colônias controladas e alimentadas com ração, seus membros se tornam menos propensos a predação e passam a conviver com outros animais.

Não é um trabalho fácil de ser executado. Há um número expressivo de animais de rua nas cidades brasileiras.

Vamos aos números, parte deles calcado em dados fornecidos e parte projetado como uma estimativa.

Em 2015 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou números interessantes da sua Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). O órgão afirma que 17,7% dos lares brasileiros possuem pelo menos 1,9 gato. O número de felinos domiciliados no Brasil então seria algo em tono de 22 milhões.

Sem base técnica e científica, mas assentada em nossa observação diária, é possível afirmar que temos hoje no Brasil um número perto de 100 milhões de gatos de vida livre. Não é difícil imaginar isso. E a conta é relativamente simples: para cada gato domiciliado (ou semi-domiciliado) de uma rua de um bairro qualquer da cidade de São Paulo, por exemplo, há outros cinco espalhados pelas ruas do mesmo bairro.

Esse raciocínio não é longe nenhum um pouco da realidade. Alias, a previsão da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que no ano de 2030 a população de animais de rua vai sobrepor a população humana no Brasil, parece que está equivocada. O futuro é agora.

Portanto o trabalho de controle é gigantesco. E esse trabalho não pode ser delegado apenas para o Estado. Esse tem seu papel fundamental reconhecido, e em dado momento necessitará acordar da situação letárgica em que se encontra. Não podemos esperar tudo do Estado.

Segmentos de toda a sociedade devem estar presentes nas discussões e ações sobre como controlar a população de gatos errantes.

Sabemos que confiná-los em abrigos para morrerem lentamente não é uma solução. Não funciona. Além do alto custo financeiro que demandam os abrigos, um número muito considerável desses locais são verdadeiros depósitos de animais, insalubres, sujos, disseminadores de doenças, com alimentação de baixa qualidade e na prática não estão sujeitos a fiscalizações do poder público.

Além disso uma parte considerável dos gatos de vida livre nunca se adapta ao confinamento e quando são abruptamente retirados da vida livre, desenvolvem doenças preexistentes que antes se mostravam assintomáticas. O confinamento enfraquece o sistema imunológico de gatos de vida livre, ferais e assilvestrados. Não é a solução.

Ainda sobre os abrigos é importante salientar que seus gestores, em sua maioria, insistem em manter gatos saudáveis dentro de suas gaiolas e salas, não fornecendo a totalidade de vagas disponíveis para animais vulneráveis. Tal prática distorce o conceito original do que se imagina um abrigo, local para acolher gatos que estejam feridos, doentes e abandonados, e pior, abre espaço para a retirada inadequada de animais de vida livre, ferais e asselvajados, das ruas. E também os adaptados e saudáveis são retirados das ruas para lotar os abrigos. O que configura um ato de deslealdade para com o animal.

Há uma falta de compreensão da natureza do gato por parte de um número expressivo de pessoas da Causa Animal. Um gato adaptado, feral ou não, ao seu meio, é diferente do gato que foi vítima de maus-tratos, abandono, está doente ou corre real risco. Para esses últimos o abrigo faz sentido. Para os que vivem nas ruas e estão saudáveis, formam colônias e são comunitários, o confinamento é injustificável.

Sobre a eliminação física do gato de rua, essa opção é abominável. Por sorte o extermínio de animais domésticos conta com massiva reprovação social. E não é para menos, todo povo comprometido com a liberdade e a democracia deve repudiar a adoção de medidas radicais contra qualquer espécie.

A vida é um valor intocável para todos os seres vivos do planeta.

E mesmo os considerados pragas, os sinantrópicos, merecem uma reavaliação de nossa parte. NY (USA) testa castração química em ratos.

A prática de CEVD (Captura, Esterilização, Vacinação antirrábica e Devolução) é sem dúvida o melhor método de controle ético e não letal dos gatos de vida livre, assilvestrados, asselvajados, ferais e adaptados.

Precisamos apoiar as ONGs e grupos sérios que praticam esse método abençoado.

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