Portugal: Associação de Proteção Animal Instinto ainda não recebeu apoios prometidos

Em 2015, a Associação Instinto candidatou-se com o projeto de construção do Centro de Recolha e Acolhimento Animal, ao Orçamento Participativo do município da Covilhã. Foi o projeto mais votado, cuja dotação inicial era de 60 mil euros, mas passados três anos este Centro ainda está por construir.

Em 2016, a Instinto volta a candidatar-se, com um projeto de esterilização de animais errantes (25 mil euros), mas o dinheiro também ainda não foi entregue.

Em setembro de 2017, depois de escolhido o local onde iria nascer o centro de acolhimento, um terreno cedido pela Câmara no sítio dos Caldeirões, foi assinado um protocolo que previa que as obras tivessem início em janeiro e ficariam concluídas até setembro de 2018. Mas ainda não começaram… Há cerca de duas semanas o presidente da Câmara anunciou numa reunião do executivo que as obras estavam suspensas por dois ou três meses para ser definida uma nova localização.

Fundada há 6 anos, a Instinto dedica-se ao resgate de animais de companhia que se encontram perdidos, feridos ou em risco e procura encontrar-lhes um novo lar, dependendo sempre da ajuda de terceiros. Segundo o Beiras, o vice-presidente Vítor Costa diz “Nunca obtivemos apoios municipais. Sem a ajuda financeira, é mais limitado o número de animais que conseguimos ajudar, pois todos os que passam pela Instinto são tratados, alimentados, esterilizados, vacinados e é-lhes colocado um microchip. Um novo centro viria dar melhores condições aos animais recolhidos e fazer frente à dificuldade em arranjar famílias de acolhimento”.

Estes sonhos vão sendo adiados…

A Instinto soube, através dos meios de comunicação social, da suspensão das obras, e decidiram reunir-se com um responsável da Câmara que revelou a nova localização do centro, no Parque Industrial do Tortosendo. Vítor Costa, mostra-se surpreendido com o espaço pois “é ao fundo do parque industrial e o canil é logo ao início. Acreditamos que poderia ser boa uma parceria trabalharmos em conjunto com o canil, mas esta sugestão nunca foi aceite pelo município”.

Segundo o Beiras, o município diz que houve “um vasto conjunto de queixas de instituições e munícipes a propósito da localização inicialmente escolhida. No entanto, encontrado um novo terreno, a empreitada encontra-se já adjudicada e com um prazo de execução de 120 dias”. Garantem também que avançaram já com uma candidatura para a modernização do Centro de Recolha Oficial (CRO), cuja com participação será de 15 mil euros, à qual ainda aguardam resposta.

Na Covilhã, a Instinto já ganhou a confiança da população, mas precisam de ajuda e de apoios.

O Bloco de Esquerda (BE) questiona a Câmara da Covilhã, exigindo que façam o ponto da situação sobre a construção do centro de recolha animal apresentado pela Instinto. Segundo a Rádio Covilhã, O BE defende que a “participação cívica enriquece o processo de decisão e favorece um maior ajustamento dos investimentos às necessidades dos munícipes, pelo que a criação e correta aplicação de um Orçamento Participativo poderá ajudar a população a decidir o destino de recursos públicos, definindo prioridades de investimento através da reflexão e debate dos problemas das pessoas e do território, portanto, consideramos grave a atitude que a Câmara Municipal da Covilhã está a ter neste processo”.

Fonte: Beiras e Rádio Covilhã via Revista Cães e Cia. / mantia a grafia lusitana original

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