Animal frequentava lago junto ao Convento de Santo Agostinho, em Leiria, à procura de alimento. (Foto: CML)

Portugal: Lontra encontrada no centro de Leiria estava “em elevado sofrimento”

O alimento existente no lago junto ao Convento de Santo Agostinho, em Leiria, era o principal motivo que levava uma lontra a sair do leito do rio Lis e a fazer a travessia do espaço verde.

Na passada sexta-feira, o animal foi encontrado ferido, recolhido e encaminhado para Centro de Reabilitação de Animais Marinhos – Ecomare (CRAM-Ecomare). Contudo, após alguns dias de observação, “em elevado sofrimento num estado demasiado grave”, foi decidido “terminar humanamente o seu sofrimento” através de eutanásia.

A fotografia da lontra a nadar no lago junto ao Museu de Leiria, divulgada na terça-feira, pela Câmara de Leiria, foi “carinhosamente” recebida e partilhada nas redes sociais. No entanto, o desfecho desta situação não foi o mais feliz para esta espécie que começa a voltar a habitar ao rio Lis.

O alerta do animal ferido foi dado por um cidadão, na sexta-feira à tarde, depois de já ter sido avistada no dia anterior. A BriPA (Brigada de Proteção Ambiental) da PSP de Leiria, fez chegar o caso ao conhecimento do veterinário municipal de Leiria, no sentido de recolher o mamífero.

O animal “apresentava um ferimento na cabeça, mais ou menos circular, com cerca de três centímetros de diâmetro, desconhecendo-se a causa/origem do ferimento”, informou a vereadora do Ambiente, Ana Esperança, ao nosso jornal. “Atendendo à espécie em causa e especificidade de tratamentos necessários, para os quais” a autarquia não tinha resposta, o animal foi então encaminhado para o CRAM-EComare, em Ílhavo.

A permanência neste local seria temporária, dado tratar-se de um centro especializado em animais marinhos, e apenas para “avaliar o estado do animal e proceder ao seu tratamento o quanto antes”, refere Marisa Ferreira, responsável do centro em Ílhavo.

A lontra seguiria no dia seguinte para o centro de recuperação de animais selvagens do Parque Biológico de Gaia.

Além do ferimento na cabeça, a lontra “tinha vários ferimentos (uns mais antigos e outros recentes), sendo o mais grave uma laceração na cabeça e perfuração do crânio. Para além disso estava abaixo do peso cerca de 50%, indicando um processo crónico”, indicou Marisa Ferreira, responsável do centro em Ílhavo.

Após exame veterinário, “infelizmente teve que optar-se pela eutanásia do animal”, refere a responsável. “O seu estado geral, a emaciação severa e o traumatismo cranioencefálico foram determinantes para esta decisão. O animal estava em elevado sofrimento num estado demasiado grave pelo que decidiu-se terminar humanamente o seu sofrimento”, acrescenta.

Por Marina Guerra

Fonte: Região de Leiria / mantida a grafia lusitana original

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.