Prefeitura de Belém (PA) castra mais de 4 mil animais e viabiliza adoção de 800 em dois anos

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O CCZ foi reformado e reequipado em 2016. As instalações foram ampliadas e solários foram construídos para garantir mais conforto aos animais. (Fotos: Tássia Barros - Comus)
O CCZ foi reformado e reequipado em 2016. As instalações foram ampliadas e solários foram construídos para garantir mais conforto aos animais. (Fotos: Tássia Barros - Comus)

Desde que foi reformado e reequipado, em janeiro de 2016, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Belém acumula avanços, como a adoção de mais de 800 cães e gatos desde então e o aumento do número de cirurgias de castração, que foram de 572 em 2014 para 4.643 em 2017. São ações que beneficiam pessoas como o aposentado Oswaldo Cardoso, 71 anos, morador do bairro da Brasília, no distrito de Outeiro, que é um apaixonado por animais e procurou o CCZ para castrar a gatinha Dimiau, de 8 meses. Ela passou por um parto difícil e perdeu todos os filhotes.

“Nós vimos o sofrimento dela e buscamos ajuda. Ela foi castrada por uma questão de saúde para ela e para nós”, diz o aposentado. A gatinha de pelagem preta de Oswaldo foi operada no início de fevereiro e ainda usa o colete pós-cirúrgico. Ele a levou ao CCZ para o procedimento de retirada dos pontos.

Dimiau entrou nas estatísticas de 2018. Nos últimos cinco anos, centenas de animais, entre cães e gatos, passaram pela cirurgia de castração no CCZ, que é ligado à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Uma marca significativa para o controle populacional desses animais em Belém. “Por consequência, há também um aumento do controle de doenças que podem ser transmitidas por esses animais aos homens, as zoonoses. Raiva, leishmaniose e leptospirose são alguns exemplos de zoonoses”, explica Márcia Alves, médica veterinária há 18 anos, dos quais oito anos dedicados ao CCZ. “A castração faz parte de um programa chamado Controle Populacional. Juntamente com a vacinação antirrábica, está dentro do Programa de Controle da Raiva”, acrescenta.

Atualmente, o CCZ conta com bloco cirúrgico moderno com quatro mesas, nas quais cinco veterinários pela manhã e quatro à tarde se revezam nas cirurgias. A cada quinze dias são feitos mutirões para castrar até 50 animais em um final de semana. Paralelamente são realizadas ações itinerantes com o Castramóvel, veículo adquirido pela Prefeitura de Belém para a cirurgia de castração nos bairros com maior população de cães e gatos. Recentemente, o veículo esteve no bairro da Cremação, onde mais de 200 animais foram operados.

A camareira Vânia Ramos, 42 anos, chegou cedo ao CCZ para a cirurgia de castração do “filho”, um poodle chamado Sheik, de 1 ano. “Trouxemos o Sheik porque ele é muito agitado e não quero que ele cruze com outras cachorrinhas, mesmo ele ficando maior parte do tempo em casa. O veterinário me falou que quando o bichinho não é castrado fica suscetível a várias doenças e eu não quero que ele fique doente. Me informei muito antes de vir”, afirma. Ao lado da Vânia a filha Rayra, 7 anos, estava abraçada a Sheik, que ainda estava sob o efeito da anestesia. Emocionada, a garotinha beijava o animal e dizia que o amava. “Ele é um irmão pra mim”. Vânia ressalta que outros animais da família já foram castrados no CCZ e, além do bom atendimento, tiveram uma boa recuperação. “Eu espero que o Sheik se recupere logo também”.

Castrações – De acordo com Altevir Lopes, gerente do CCZ, as castrações estão voltadas para animais da população de baixa renda (de até dois salários mínimos), visto que geralmente são essas pessoas que, por diversas dificuldades, acabam abandonando seus animais nas ruas ou permitem o cruzamento e depois não sabem o que fazer com a ninhada e a abandonam.

O CCZ também atua em parceria com organizações não governamentais (ONGs), com a destinação de vagas para que essas instituições também possam castrar os animais que recolhem. Um exemplo é a ONG Au Familly: o CCZ está castrando dez animais oriundos do abrigo da entidade duas vezes por semana. “Procuramos equilibrar as cirurgias entre a população e as ONGs para que todos sejam atendidos e a fila de espera diminua. É um trabalho gradativo que hoje é feito com estrutura e segurança para os animais, mesmo sendo uma cirurgia de baixo risco”, garante Altevir.

Ainda com todo o trabalho educativo de esclarecimento sobre a posse responsável, ainda é comum que animais sejam abandonados na entrada do centro, o que caracteriza crime, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Nº 9.605/98). Em Belém, a Lei Municipal Nº 9.202/2016 também prevê penalidade para quem maltrata ou abandona animais. “Inúmeros são os casos de abandono na porta do CCZ, mas quando conseguimos identificar os proprietários repassamos para a Delegacia do Meio Ambiente, que toma as providências cabíveis. É sempre bom lembrar que o CCZ é um órgão responsável pelo controle de doenças. Nossa estrutura não é para internamentos ou consultas. Nosso canil é de observação, onde os animais que chegam com suspeitas de zoonoses ficam e são avaliados pelos veterinários. Se eles, após um período, mostram-se sadios, castramos e já separamos para adoção”, esclarece a médica veterinária Márcia Alves.

Tanto o canil quanto o gatil do CCZ foram ampliados e reformados para dar mais dignidade no tratamento dos animais hospedados. As celas ficaram mais espaçosas e há um solário para que os animais tenham a experiência de convivência uns com os outros e diminuam o estresse do confinamento. Também há uma equipe de limpeza permanente e ambulatório com médicos veterinários para tratar os animais recolhidos pelo centro em locais públicos. “Existe essa preocupação em dar um atendimento mais cuidadoso a estes animais, que já sofreram pelo abandono e pelos maus-tratos nas ruas. Quando conseguimos a adoção, é uma vitória e uma esperança de que esse bichinho possa viver em um lar onde receberá abrigo, alimento e amor até o fim de sua vida”, diz Altevir.

Adoções – Em cada feira de adoção realizada pelo CCZ, em média, 13 a 16 animais são adotados, o que é considerado satisfatório pela equipe do Centro, sendo a procura maior por machos e filhotes. “Somando todas as feiras, mais o que doamos no próprio CCZ, já chegamos a mais de 800 animais adotados. Eles só saem daqui com boas condições de saúde, vacinados contra a raiva e castrados ou com guia de castração, no caso de filhotes, e os candidatos a proprietários passaram pela entrevista que é feita pela nossa equipe técnica”, ressalta o gerente.

Para adotar um animal no CCZ ou nas feiras, é necessário apresentar documento oficial com foto, comprovante de residência e passar por entrevista. Já para as cirurgias de castração é necessário que o proprietário vá até o CCZ e além dos documentos citados, apresente comprovante de renda, e aguarde ser chamado. O CCZ funciona de segunda a sexta-feira, de 8h às 17h, na Avenida Augusto Montenegro, km 11, ao lado da UPA de Icoaraci. O número de telefone para contato é 3344-2350.

O CCZ atua ainda no controle de doenças (zoonoses) e agravos transmitidos por animais sinantrópicos (pombo, rato, morcego) e peçonhentos (cobra, escorpião e aranha).

Por Paula Barbosa

Fonte: Rede Pará

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