Prepare-se para o novo Bazar Vegano Sampa: inscrições abertas

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Prepare-se para o novo Bazar Vegano Sampa: inscrições abertas

Carta Aberta – Bazar Vegano Sampa

Em dezembro, a cidade de São Paulo receberá o Bazar Vegano Sampa. A pergunta que fica é: Por que mais um evento vegano em São Paulo, uma cidade que já tem diversos eventos com essa temática?

Essa pergunta pode ser “respondida” numa reflexão sobre outras perguntas.

Quais são os problemas dos eventos atuais? Quais as pessoas que estão tendo acesso a esses eventos? O que esses eventos estão promovendo além de não utilizar nada de origem animal? Quais as inúmeras reclamações das pessoas, visitantes e não visitantes, expositoras, veganas e ainda não veganas? Quais as novas propostas de mudanças por esses eventos já existentes?

Tendo em vista muitas dessas questões, diferentes vivencias tem sido experimentadas em Santa Catarina no Bazar Vegano Floripa, iniciado há mais de dois anos sobre pilares cooperativos, o que fez materializar um convite para a realização deste “novo bazar” em São Paulo, cidade onde tivemos o primeiro Bazar Vegano do país, com início em 2006 pela coletiva Veganas, e que por 10 anos existiu promovendo diversas atividades que influenciaram outros inúmeros eventos pelo país, reunindo produtores, ongs e ativistas ligados ao tema.

O tempo passa, a natureza humana também é feita de capacidade em observar as situações e tentar outras vias numa constante, frente a previsibilidade do sistema capitalista. Sentimos que além de não ter nada de origem animal, as tentativas no cuidado socioeconômico, ambiental e da saúde humana também precisam de atenção em nossas práticas. A interseccionalidade é inevitável se queremos um mundo com equidade. Nosso ponto de partida é que somos todes animais.

Então quais as ideias apresentadas para esta nova iniciativa em São Paulo?

Além de termos produtos não testados em animais e sem ingredientes de origem animal como carnes de qualquer tipo de animal, ovos, laticínios/margarinas/ghee, mel/própolis, pólen de abelhas, seda, lã, penas, couro, camurça, gelatina/colágeno, queratina, carmim/cochonilha, glicerina animal, entre outros, nosso bazar também não promove o uso de transgênicos, sal (comum e himalaya) e açúcar refinados (branco e cristal), farinha branca refinada de trigo e farinha de glúten isolado, arroz refinado, glutamato monossódico (realçador de sabor), maltodextrina/dextrose, glucose, aspartame, corantes artificiais, fermentos químicos, gordura hidrogenada, suplementos proteicos, palmito, uso de forno de micro-ondas, frituras, refrigerantes, bebidas alcoólicas, fumo, palo santo, jóias…
Está impedida a utilização, em todo espaço de nosso bazar, de explosivos, gases não liquefeitos, tóxicos, combustíveis, botijões de gás (GLP) ou qualquer outro elemento que possa provocar incêndio ou explosão. Nesse sentido, são permitidos somente equipamentos a base de Alimentação Elétrica e/ou Manual.

Será praticado o lixo-zero, visível e “invisível”, aquele lixão que você não vê na hora. Sobre o lixo visível, contentores estarão dispostos no espaço para coleta dos resíduos orgânicos desse encontro (aqueles resíduos que voltam ao solo rapidamente e sem contaminá-lo). Não haverão embalagens, sacolas, nem garrafas pet, copos, pratos e talheres descartáveis de plástico ou isopor. É solicitado a todes expositores que vão levar sacos/sacolas, que usem de papel ou celofane ou qualquer outro material 100% biodegradável. Todas as expositoras de líquidos irão dispor de copos retornáveis (tentaremos copos de bambu) e estão previamente sendo comunicadas sobre. Outra “novidade” será um simples sistema milenar para que as pessoas lavem os seus próprios pratos. E sobre o lixo “invisível”, ao não promovermos a comercialização de nada de origem animal, também estamos nos poupando da atividade responsável pela maior geração de lixo deste planeta.

Outras atitudes a serem abolidas são os materiais com mensagens preconceituosas como por exemplo “vegetarianos pensam melhor”, entre outras falácias. Também não usamos de apelos do sistema consumista em nossa comunicação, como por exemplo natal, páscoa e demais datas “comemorativas”. Não somos um “nicho de mercado” tampouco “recursos”.

Pedimos a todes expositores que liberem suas receitas e demais modos de fazer as coisas pois copiar não é roubar. Acesso!

*Caso tenha alguma dúvida sobre algum ingrediente, material ou matéria prima, entre em contato com a organização até dez dias antes do evento através do e-mail: bazarveganosampa@gmail.com

Interessades em Expor:
Viva a economia ambulante solidária! O Bazar Vegano Sampa não tem a participação de grandes empresas, nem estímulo à produção em série. Valorizamos o trabalho artesanal, de alma cuidadosa e criativa, reduzindo os danos no limite do que hoje podemos fazer. Nenhuma representAção expositora deste evento é maior que uma MEI. Portanto sem ser empregado nem patrão de ninguém.

Também é um evento anti-gourmet! Está sendo pedido a todes expositores para que façam valores populares. Que, por exemplo, não comercializem sabonetes acima de 5 reais, para que burgueres/lanches sejam sempre abaixo de 10 reais, etc. São limites máximos “suportáveis” para o trabalho no caminho de deselitização do movimento, não desmerecendo o trabalho de ninguém. Nesse caso, não nos importa a justificativa mais “nobre”, pois a pessoa que não tem dinheiro, simplesmente não tem condições de adquirir, não faz parte dessa “nobreza”. Se o que quiser comercializar não estiver nessas condições mínimas, o melhor indicado é mudar de estratégias, seja buscando economia local direto do produtor, compras coletivas, usando itens de época, PANCs, coletando, reciclando, usando a criatividade, retirando matérias caras e importadas, priorizando a exposição, etc. Se por um lado, neste bazar, não temos tanta produção em série e o trabalho escravo das grandes empresas, por outro lado a maioria das expositoras não tem “atravessador”, sendo ligação direta de quem produz, o que barateia, trazendo a economia solidária a tona. São ações para não dar a falsa ideia de que custa mais caro ser uma pessoa vegana, pois isso não é uma verdade. Nossa entrada franca possibilita com que muitas pessoas sem condições financeiras venham nos visitar.

Estamos deixando de lado o termo “orgânico” para os produtos, em virtude da segregação socioeconômica produzida pelo sistema capitalista. O Bazar Vegano Sampa visa estimular o uso de atividades agroecológicas na medida do possível, ou seja, tudo aquilo sem veneno, caso esteja de acesso mais viável a todes, sem ter que repassar aumento de valor nas vendas, melhor ainda se tiver retorno as comunidades. Todas as pessoas expositoras são previamente comunicadas sobre essas orientações, e a responsabilidade cabe a consciência de cada indivíduo que nos procurou para se integrar ao bazar. A exposição de um tapete com mudas nativas e sementes crioulas também está em nosso planejamento.

Ninguém é mais, nem menos, que ninguém, todas expositoras terão um espaço igualitário de aproximadamente 1,5M com mesas feitas de palets reaproveitados. O local disponível comporta em torno de 70 representações expositoras.

No Bazar Vegano Sampa são as expositoras que decidem previamente com quanto contribuir financeiramente de acordo com sua própria consciência/ condição/ valorização para viabilização do evento. Sua contribuição terá que ser feita em até quinze dias antes da data do evento, após cadastro preenchido e acordado conosco. Portanto a data limite para recebimento da contribuição é até sexta-feira, dia 24 de novembro de 2017 juntamente de sua ficha preenchida por completo, ou se antes disso esgotarem as vagas.
*Essa contribuição financeira é unicamente de sua representação e intransferível para outras representações, e outros eventos, e os valores monetários contribuídos poderão ser devolvidos somente em caso de cancelamento do evento.

Ocupação! Todes expositores terão desde as 8h08 para arrumar sua montagem, e caso 12h12, na abertura ao público ainda tenham espaços vagos, estes poderão ser ocupados por novas expositoras que chegarem na hora querendo expor, desde que estejam cooperando com toda política do evento.

De nossa parte não há fiscalização, pois o caminho é pela confiança do que for combinado, e vai da consciência de cada pessoa expositora. Na porta do evento é exposto a todes tudo o que foi combinado com os expositores. Não há uma central paternalista, é o próprio público que naturalmente reclamará diretamente com quem tiver problemas. Que cada expositor faça a sua parte sem se justificar com alguma possível falha ao lado.

Trata-se de um evento abolicionista, não promovendo organizações parasitas ao movimento, e sem ser palanque para nenhum político institucional. Seguindo sempre em busca de autonomia política, de forma laica, pela esquerda e sem partido. Tudo é política! O Bazar Vegano Sampa é organizado por pessoas veganas comuns que entendem o veganismo como algo a ser considerado.

Todas ótimas ideias do originário bazar vegano estão mantidas, como por exemplo o “Cantinho das Dádivas“, um espaço de gratuidade, onde cada pessoa deixa objetos que não usa mais e/ou pegar o que lhe for útil sem ter que entregar nada em troca. Oficinas livres, práticas corporais, rodas de bate papo com pessoas voluntárias, intervenções artísticas e música alternativa independente autoral ao vivo e ambiente. Grátis!

Brechós beneficentes, adoção responsável de animais vítimas de abandono e maus-tratos.

Não pagamos anúncios. Nosso evento envolve ativismo social, e, portanto, tem vida própria. Não corroboramos com nenhuma mídia corporativa, não dê bola a nada que vier deles. Não buscamos e nem queremos patrocínio de nenhuma empresa, instituição ou governo.

O Bazar Vegano Sampa também não promove nenhum tipo de discriminação racial, de orientação sexual, de gênero, heterossexista, xenofóbica, antinordestina, classista, misantrópica, etarista, capacitista, gordofóbica, bem como especista. Movimentos por justiça social naturalmente se interligam, mesmo que algumas pessoas ainda não reconheçam. Estamos juntas, em constante movimento e transformação, na intenção de fazer o melhor para o hoje. Este evento também é Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira!

Vem de bike! Dá para amarrar a sua bicicleta na entrada da casa. Esta nova iniciativa ocorrerá na zona leste. Um local diferente dos demais.

Quando? dia 10 de dezembro, das 12h12 às 20h20 (Montagem das 8h08 às 12h12)
Onde? Rua Suzana, 408 – Jardim Independência – Próx. ao metrô Oratório, linha prata
Contato para Exposição: bazarveganosampa@gmail.com
Evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/381212285658625

Um pouco sobre o significado do termo Veganismo

Veganismo é uma ampliação do que hoje entendemos como direitos humanos, uma extensão de respeitos básicos e de igual consideração para com todos os seres animais. É a aplicação de um modo de viver e agir que tem como pressuposto básico o respeito aos interesses dos animais não-humanos. Um movimento de justiça social para que nós, animais humanos, vivamos sem explorar os animais não-humanos. É a prática e busca da abolição ao uso de animais por seres humanos para alimentação, apropriação, comercialização, trabalho, caça, pesca, vivissecção, confinamento e toda atividade que envolva a exploração da vida animal.

Sendo assim, as pessoas que adentram ao veganismo procuram abolir qualquer ação que explore animais, zelando pela preservação da liberdade e integridade animal, no exercício da não-violência, a busca por alternativas aos mais diversos produtos, o não consumismo, ação direta, entre outras práticas. É o ato de lutar diariamente por respeito aos animais, evitando ao máximo a exploração de animais não-humanos e humanos, pois nós, seres humanos, também somos animais.

É muito importante diferenciar o modo de vida vegano da dieta vegetariana. Veganismo não é dieta, mas sim um conjunto de práticas focadas nos Direitos Animais que, por consequência, adota uma alimentação verdadeiramente vegetariana, ou seja, sem laticínios, ovos, mel, colágeno, etc. A alimentação é apenas uma das partes do conjunto de práticas veganas. Os animais têm o direito de não serem usados como propriedade, e o veganismo é a base ética para levar a sério esse direito, pelo mínimo de respeito a eles. O termo “vegan” foi criado em 1944 na Inglaterra, por diferenças conceituais a Sociedade Vegetariana, pois a palavra vegetarianismo não alcança tudo acima dito.

Estamos falando de uma proposta revolucionária nos valores morais, na qual os indivíduos humanos refletem e agem pelo direito/reconhecimento para com outros animais não-humanos, independente de espécie, e não somente pelos próprios direitos humanos, de animais domiciliados ou silvestres. Esta revolução propõe a nós uma mudança de perspectiva, que exacerba o coletivo humano, desestimulando convenções baseadas em fatores perecíveis e unicamente pessoais. Isso significa uma mudança de valores que transmigra do nível antropocêntrico para o altruísta; atingindo a raiz dos principais problemas do ser humano, todos originados pelo sentimento de ganância e egoísmo naturalizado ao qual muitas vezes não percebemos.

Damos a possibilidade da consciência se expandir, e a responsabilidade coletiva se desenvolver, quando permitimos o livre manifestar de todas essas vidas, hoje ainda proibidas pelas mãos humanas. Que aproveitemos a nossa capacidade de criar e cumprir códigos de ética, de aprender com nossos erros, em situações de opressão as quais não dependemos para a continuidade de nossas vidas humanas neste planeta.

Fonte: Bazar Vegano SP

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