Protesto contra abate de cervos no Pampas Safari pede criação de santuário animal

Cerca de 50 ativistas se reuniram em frente ao parque neste sábado, em Gravataí, para se mobilizar contra o possível sacrifício dos animais.

254
Ativista Dyelle Neubauer esteve entre os cerca de 50 manifestantes que criticaram abates e reivindicaram criação de santuário (Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS)
Ativista Dyelle Neubauer esteve entre os cerca de 50 manifestantes que criticaram abates e reivindicaram criação de santuário (Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS)

A comoção social gerada pela ameaça de abate sanitário de 400 cervos levou cerca de 50 militantes da causa animal a protestar na tarde deste sábado em frente ao parque Pampas Safari, na ERS-020, em Gravataí. Na quarta-feira (4), o desembargador Armínio José Abreu Lima da Rosa alegou questão de saúde pública para cassar a liminar que impedia a continuidade dos sacrifícios iniciados em meados de agosto, quando 20 cervídeos foram abatidos em um frigorífico com autorização dos órgãos de fiscalização por suspeita de tuberculose bovina.

Portando faixas, cartazes e com tiaras que simbolizaram a galhada dos cervos, os manifestantes reivindicaram a criação de um santuário para que os espécimes possam passar o resto de suas vidas. Dezenas de motoristas que transitavam pela rodovia buzinavam em apoio ao avistar o aglomerado de ativistas.

“Que estes animais que serviram de entretenimento para várias famílias gaúchas não sejam simplesmente esquecidos e jogados numa vala! Junte-se à causa e seja mais uma voz contra esse massacre! Eles não são simples objetos, são seres vivos”, dizia um cartaz impresso em folha A4 afixado no portão recém-erguido pelos proprietários do Pampas, que deixa os manifestantes mais distantes do pórtico de ingresso ao parque.

Uma das lideranças do ato, a deputada estadual Regina Becker (Rede) informou que apresentará recurso ao desembargador Lima da Rosa na próxima semana para solicitar que os abates voltem a ser impedidos judicialmente.

— Queremos prestar esclarecimentos ao Judiciário. Existe a possibilidade de levar os animais para um santuário em Uberaba, em Minais Gerais, em terras de um empresário que está disposto a receber. É uma alternativa de garantir vida e segurança plena — diz Regina, que mantém o nome do possível benfeitor em sigilo.

O entrave para concretizar os planos da deputada é que espécimes com suspeita de tuberculose bovina não podem receber a Guia de Trânsito Animal (GTA) para traslado. Ela diz que, neste caso, é necessário fazer os testes de identificação da doença em todos os cerca de 400 cervos do parque. Os sadios poderiam ser separados, com a emissão da GTA que permitiria o envio deles ao santuário mineiro.

— Para nós, o que aconteceu aqui não foi abate sanitário. Foi assassinato — disse Gelcira Teles, uma das organizadoras da Marcha de Defesa Animal, evento também realizado neste sábado em 40 cidades brasileiras.

Para alguns manifestantes, os 320 hectares do Pampas deveriam ser transformados em um santuário. Desta forma, os bichos não precisariam ser retirados do local e poderiam ali ficar até o final dos seus dias.

— É a hipótese mais adequada e viável de todas, fazendo do próprio Pampas um santuário. Isso também ajudaria na preservação ambiental da região — afirmou a ativista Dyelle Neubauer.

A preferência por essa possibilidade ficou evidente em dois breves momentos em que os manifestantes bloquearam a ERS-020. Ocupando as duas faixas da via, os protetores cantavam: “Pampas Safari: santuário já”.

O primeiro bloqueio da pista durou três minutos. O segundo, apenas um. O ato transcorreu sem animosidades. Do lado de dentro do Pampas, era possível avistar pelo menos cinco empregados da propriedade privada, que observavam à distância. Houve momento em que um deles se aproximou e pediu que dois cartazes fossem descolados do portão, onde uma placa com erro de português avisava: “Propiedade (sic) particular. Entrada proibida”.
Os manifestantes concordaram em retirar os materiais de protesto — um deles dizia que as verdadeiras razões do caso não estão sendo contadas.

Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

O Pampas Safari está fechado para visitação e a licença do empreendimento, que foi o maior parque-safari da América do Sul, está cassada desde junho do ano passado. Órgãos de fiscalização contabilizam que, entre 2003 e 2017, 74 animais foram diagnosticados com tuberculose bovina no local. Foram registrados outros problemas, como insuficiência de funcionários, superpopulação animal e condições sanitárias precárias.

Diante da situação, a família Febernati, proprietária do empreendimento, manifestou o desejo de encerrar definitivamente as atividades, o que incluiria o abate dos cervos com suspeita de tuberculose bovina. Em agosto, 20 animais da espécie foram sacrificados em um frigorífico, com autorização legal. Depois disso, houve comoção popular e uma liminar, agora cassada, impediu a continuidade dos sacrifícios.

Uma audiência de conciliação está marcada para o dia 17, no Fórum Central, em Porto Alegre. Autora da ação, Regina solicitou judicialmente que um representante da família seja nomeado para fazer as tratativas. Ela justifica o pedido pelo fato de os responsáveis que fizeram os primeiros diálogos estarem em viagem ao exterior.
Em contato com a reportagem, a família Febernati disse que “a decisão do desembargador Armínio reflete a posição da empresa Pampas Safari”.

Fonte: Gaúcha ZH

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.