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Brasil tem cerca de 30 milhões de animais em situação de rua e donos preferem comprar do que adotar animais.

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Pelo menos 30 milhões de animais estão em situação de rua (Foto: Divulgação)
Pelo menos 30 milhões de animais estão em situação de rua (Foto: Divulgação)

O início do mês de janeiro representa férias, diversão e viagens para muitas famílias. Para os animais, no entanto, pode significar abandono. Nas redes sociais, o número de pessoas que viram animais abandonados ou acordaram com caixas cheias de filhotes na porta de casa é cada vez mais frequente.

No Brasil, 30 milhões de animais estão em situação de abandono, segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), feito em 2014. Deste total, 20 milhões são cães. Os dados apenas apontam uma realidade comum no país, onde pessoas preferem comprar cães do que adotar. Segundo aponta o Instituto Fess’Kobbi, somente 41% dos cães com lar são adotados, número esse que cresce para 85% quando se trata de felinos.

De acordo com a pesquisa, 71% dos cães que possuem um lar são de raça definida e foram comprados em lojas. Em relação aos gatos, o número cai para 22% para os felinos com raça, dos quais apenas 3% foram comprados.

O fotógrafo e publicitário Diego Dammon, de 31 anos, morador da rua São José, no Bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus, conta que é normal ver carros pararem na rua para abandonarem animais. “Eles param, abrem a porta, o animal sai do carro e o motorista simplesmente vai embora”, comenta.

Ainda segundo Dammon, em dezembro, ele presenciou quatro situações parecidas. Ele diz que uma moradora da rua recolhe quase todos os animais. “Ela já é uma senhora idosa. Muitas pessoas sabem que ela adota os bichinhos, por isso deixam aqui”, complementando que apesar de resgatar os animais, a moradora não dá o tratamento adequado a eles – que ficam abandonados, passando fome”.

Poucos meses depois de adotar um cãozinho, o coração falou mais alto e a pesquisadora Keila resgatou Lola das ruas (Foto: Arquivo pessoal)

A vice-presidente da ONG “ComPaixão Animal”, Saskya Canizo, relata que no fim de ano a ONG percebe que há mais pessoas que querem doar os animais. “Eles usam as desculpas mais descabidas para se ver livres dos bichos. Falam que vão viajar ou que o condomínio não aceita”, fala.

Ainda segundo Canizo, muitas vezes os tutores já queriam doar o animal e acabam usando pretextos, como, por exemplo, viagens. “Era o empurrãozinho que estava faltando para aquela pessoa doar seu bichinho”, afirma.

Saskya também conta que, em alguns casos, as pessoas adotam animais sem saber o real trabalho que os pets necessitam.

Final Feliz

Nem todas as histórias terminam com um final triste. O cachorrinho Theo, por exemplo, ganhou um lar e o coração da pesquisadora Keila Aniceto. Ela relembra que estava procurando por um bichinho em uma página de adoções e, no momento que viu a foto do Theo, se apaixonou. “Foi amor à primeira vista. Mesmo tendo visto fotos de outros bichinhos, não esqueci da imagem do Theo e o escolhi”, conta.

Ao ver a imagem de Theo em uma página de adoção, Keila ficou apaixonada pelo animal (Foto: Arquivo Pessoal)

Passados pouco mais de cinco meses após a adoção de Theo, Keila passeava pela rua e viu uma cadelinha, perto do condomínio em que mora. O bichinho estava muito assustado, apresentava sinais de maus tratos e não deixava ninguém se aproximar. “Fui a conquistando aos poucos. Levava comida e água, quando ela permitiu que me aproximasse, a resgatei”, disse.

Lola possuía sinais de maus-tratos e ferimentos pelo corpo (Foto: Arquivo Pessoal)

A princípio, a ideia era preparar a cadela para doação. No dia de entregar a Lola, nome escolhido por Keila, para novos donos, a emoção falou mais alto e a pesquisadora decidiu ficar com ela. “Entrevistei vários candidatos, mas no fim parecia que ninguém era bom o suficiente para adotar a Lola, então decidi ficar com ela”, diz.

A estudante Paula Gersanti também recebeu a doação da gatinha Cissa, uma alegria para  família, segundo ela. O animal foi entregue por um amigo de trabalho, que não podia mais manter a gata em casa, pois o animal causava alergia na filha pequena. “Sempre gostei de gatos, mas após mudar para um apartamento não achava que poderia criar bichos em um espaço pequeno”, alega Paula.

A gatinha Cissa foi doada por um colega de trabalho e, em pouco tempo, virou a alegria da casa (Foto: Arquivo Pessoal)

Rapidamente, Cissa tomou o coração de todos na casa. A estudante conta que gata parece que sempre esteve com a família. “Se ela ouve nossa voz, vem correndo nos encontrar. Quando chego do trabalho, me acompanha até o quarto, parece que ela sempre foi nossa”, relata.

Ong Compaixão

Para as pessoas que quiserem adotar um animalzinho, a ONG Compaixão Animal CPA posta fotos, em sua página do Facebook, @compaixaoanimalcpa, de animais que estão disponíveis para doação. Para pegar um animalzinho, as pessoas passam por uma pequena entrevista, segundo conta a vice-presidente da ONG, Saskya Canizo. “Nós fazemos uma espécie de entrevista para saber se o perfil do animal combina com o perfil da família que pretende adotá-lo”, diz.

Canizo complementa que todos os animais que a ONG disponibiliza para doação são previamente castrados, vacinados e vermifugados. Ela também justifica a necessidade da entrevista. “Nós analisamos se o animal  estará confortável na rotina da família, não podemos doar um animal que seja muito ativo para uma família que não possa passear constantemente com o bichinho”, completa.

Por Isabela Bastos

Fonte: Em Tempo

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