Resgatado no Arroio Dilúvio, pônei cego ganha 30 quilos e vira xodó de abrigo

EPTC encontrou o animal em Porto Alegre desnutrido e com infecção nos olhos.

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Após cirurgia e tratamento com antibióticos, Branquinho está recuperado - Divulgação / PMPA
Após cirurgia e tratamento com antibióticos, Branquinho está recuperado - Divulgação / PMPA

Resgatado em outubro e levado para o abrigo de animais da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), o pônei Branquinho ganhou 30 quilos de lá para cá e já está recuperado. Virou, também, o xodó do local, que fica na zona sul de Porto Alegre.

— Ele foi encontrado em estado deplorável (nas imediações do Arroio Dilúvio), com os dois globos oculares saltados. Foi feita uma cirurgia, mas acabou ficando cego dos dois olhos. O Branquinho fez tratamento com antibióticos e hoje não tem mais infecções — comenta o chefe da equipe veículos de tração animal da EPTC, Gilberto Machado Fonseca.

Conforme Fonseca, Branquinho já está na fase adulta, deve ter entre oito e 10 anos. Os 30 quilos adquiridos ao longo do tratamento fez com que atingisse o seu peso ideal — e já está se alimentando normalmente. Ele já virou até o xodó da área de 27 hectares.

— A gente trata ele como um patrimônio do abrigo — brinca Fonseca,acrescentando: — O equino cego precisa do espaço dele, é um animal que precisa se adaptar ao som, ao cheiro e precisa da ajuda de alguém para fazer tudo isso. Os funcionários cuidaram da adaptação dele à nova vida.

Em outubro, Branquinho foi encontrado no Arroio Dilúvio, quando foi resgatado e encaminhado ao abrigo da EPTC - Divulgação / PMPA
Em outubro, Branquinho foi encontrado no Arroio Dilúvio, quando foi resgatado e encaminhado ao abrigo da EPTC – Divulgação / PMPA

A maioria dos animais de grande porte resgatados pela EPTC é encontrada em condições preocupantes, como magreza extrema decorrente de desnutrição, patas bichadas e corpo machucado. O abrigo, que é mantido com verba pública, tem como objetivo retirar esses animais das ruas e de situações violentas para que, após cuidados veterinários, possam encontrar um lar definitivo e saudável. Quando há caso em que o cavalo é roubado, ficando solto na via, o dono tem um prazo de 15 dias para a retirada do animal.

Desde 2008, cerca de 2,8 mil cavalos foram recolhidos das ruas — 688 já foram adotados. O abrigo de animais de grande porte da EPTC fica na Estrada Chapéu do Sol, 2.400, zona Sul da Capital. Atualmente, dos 23 em tratamento no local, 18 estão aptos para adoção.

Como adotar um animal

Para adotar, é preciso comparecer no Atendimento ao Cidadão da EPTC, na Avenida Erico Verissimo, 100 — de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 17h — com cópia do RG, CPF e comprovante de residência. O perfil do interessado é analisado junto à Secretaria Especial dos Direitos Animais (Seda). É verificado se há histórico de maus-tratos — de qualquer tipo de animal — e ocorrências criminosas, se a pessoa vai deixar o cavalo em um lugar apropriado e se tem condições para manter o bicho. Essa consulta é feita para garantir que o cavalo não volte a uma condição de sofrimento.

Para adotar

— O cavalo não poderá ser vendido, em hipótese alguma

— É preciso ter chácara, fazenda ou sítio de, no mínimo, um hectare

— O animal não poderá ser utilizado para puxar carroças, charretes ou para atividades esportivas como corridas e saltos

Denúncias

— Pelos telefones 118 e 156.

— A EPTC apenas recolhe cavalos abandonados ou vítimas de maus-tratos se eles estiverem soltos. Caso o animal esteja amarrado dentro de uma propriedade e ficar constatada a situação de abandono, a EPTC aciona o Batalhão Ambiental da Brigada Militar

Por Bárbara Müller

Fonte: Zero Hora

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