Rodeios e vaquejadas podem ser proibidos no estado do Rio

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A Comissão Especial de Defesa, Proteção e Direito dos Animais da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vai apresentar um projeto para proibir rodeios e vaquejadas no estado do Rio. O anúncio foi feito pelo presidente do grupo, deputado Carlos Osório (PSDB), durante audiência pública nesta quarta-feira (01/11), em que foram ouvidos ativistas favoráveis e contrários à prática.

“Já temos dois projetos tramitando na Casa, que pretendem proibir esse tipo de evento. Hoje, após ouvir todos os lados, vamos preparar um substitutivo com o parecer da comissão para que essa proposta possa ser aprovada no plenário da Alerj”, explicou Osório. O parlamentar lembrou ainda que na cidade do Rio de Janeiro já há uma legislação que proíbe esses eventos.

Debate

Quem é contra os rodeios e as vaquejadas se baseia no sofrimento e nos maus tratos a que são submetidos os animais. Para os defensores da prática, a tradição e o aspecto econômico é que estão em jogo.

Segundo a médica veterinária e diretora técnica do Fórum Nacional de Defesa dos Animais, Vânia Nunes, não existe a possibilidade de rodeios e vaquejadas acontecerem sem que exista a crueldade com os animais. “Essa prática causa danos físicos e psicológicos aos bichos. O sofrimento deles não pode ser usado como uma forma de manifestação cultural. Não temos nada contra os eventos onde só os humanos estão envolvidos, o grande problema são os animais que não podem escolher estar ali ou não”, defendeu Vânia.

A favor da prática, o médico veterinário Cesar Fabiano Vilela lembrou que as atividades geram três milhões de empregos diretos e indiretos no País, e que só na vaquejada são 700 mil, além de movimentar cerca de R$ 600 milhões por ano. “Não só na vaquejada, mas também em outras modalidades esportivas com animais existe a possibilidade da prática ser exercida com respeito ao bem estar do animal, inclusive esse é o motivo pelo qual fomentamos essa discussão”, esclareceu.

Segundo César, não se deve proibir a prática e sim regulamentar. “É preciso que se elabore políticas públicas voltadas para esse sentido. É como se tivesse uma micose no dedão do pé e você tirasse o pé inteiro. Em qualquer setor, existem os bons e maus profissionais”, defendeu.

Regulamentação

Para o promotor de justiça Marcus Leal, cabe à União estabelecer normas gerais, e aos estados e municípios, de acordo com os interesses regionais, estabelecer as suas normas. “Temos que avançar na medicina veterinária e na ciência jurídica para que se chegue a uma segurança legal para saber se é possível ou não essa prática, e em que condições ela deverá ser realizada”, explicou Leal.

Autor do Projeto de Lei 3.133/14, que pretende proibir a prática, o deputado Carlos Minc (sem partido), disse que os animais utilizados nos rodeios sofrem flagrantes maus-tratos. “Esse projeto tem também o objetivo de desestimular a violência”, disse Minc. o outro projeto que também tramita na casa sobre o tema é o projeto 3.468/17, de autoria do deputado Flávio Serafini (PSol). Presente na reunião, o deputado Rosenverg Reis, se posicionou favorável aos eventos. “Não defendo sofrimento dos animais, mas sei que existe rodeio sem dor”, disse.

Fonte: Manchete Online

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