O Partido Animalista Contra el Maltrato Animal (PACMA) denuncia a participação de menores de 14 anos em caças privadas e “batizados” na Espanha.

Sangue, violência e maus-tratos nos rituais de iniciação de crianças e adolescentes na caça

Em cada temporada de caça, milhares de cidadãos pegam suas escopetas para participar de caças privadas na Espanha. Nas áreas de caça de muitas comunidades autônomas se pode ver, entre os adultos, menores de 14 anos participando nessa atividade que muitos definem como um esporte ou uma tradição social, mas que muitos outros denunciam como um dos maiores exponentes de maus-tratos a animais.

Apesar da participação de crianças estar proibida em algumas comunidades, na maioria, isso é legal. E mais, o fato de serem organizadas por clubes privados e serem celebradas em áreas de mesma titularidade, faz com que seja difícil controlar a presença de crianças. Entretanto, a realidade é que as crianças participam do mundo da caça, uma verdade que inclusive gera alarde entre grupos de caçadores que publicam em suas redes sociais as imagens destes menores com suas presas.

Conforme a presidente do PACMA, Silvia Barquero, explicou à ElPlural.com, ao navegar pelas webs e redes de monteros e realeros, pode-se descobrir que existem “batizados” ou rituais de iniciação para dar as boas vindas aos menores no mundo da caça.

Crianças que, com menos de 10 anos, já mataram um animal. Crianças com o rosto cheio de sangue enquanto seguram sua vítima ou seguram uma faca com um sorriso sob o atento olhar de seus pais.

É certo que, nas últimas semanas, foram publicados vários vídeos onde se mostra a insensibilidade dos caçadores para com os animais; como o caso de um javali apedrejado ao invés de levar um tiro, ou o de um porco devorado vivo pelos cães caçadores. Mas as imagens destes menores supõem a ruptura ou o desvelo de um dos tabus da caça: a participação de menores.

“Eu tirei estas fotos em um foro de caçadores. Para saber o que contam e como realizam suas atividades, para ver como eles atuam, é só visitar os foros de monteros e realeros”, conta Barquero. E isto foi o que ela encontrou:

“Não é a primeira criança que vejo com o rosto sujo de sangue”, denunciou a presidente do PACMA ao ElPlural.com. “Me parece terrível educar as crianças na violência e os introduzir desde tão jovens a este mundo tão sombrio”, porque Barquero considera que nas fotos há duas vítimas: o menor e o animal morto.

“Eu nunca ensinaria meus filhos a agir com violência e a matar animais porque é completamente contrário à educação em valores e progresso moral, de empatia”, acrescenta para se perguntar: “Que tipo de sociedade estamos construindo quando permitimos que os menores participem de maus-tratos a animais?”.

Morre um menino de 13 anos

Não é a primeira notícia sobre a participação de menores em caças. Em outubro, um menor de 13 anos morreu depois de levar um disparo durante uma caçada em Villaba de los Alcores, localidade da província de Valladolid. O jovem morreu ao levar um tiro na cabeça.

“Nós sempre mantemos nossa rejeição a uma atividade violenta como a caça, que custa a vida de milhares de animais e, às vezes, também de seres humanos em acidentes perfeitamente evitáveis, como este. Além disso, lamentamos profundamente o falecimento do menino e consideramos que é necessária a proibição da caça”, lamentou o PACMA no momento do incidente.

Entretanto, o presidente da federação de caça de Castilla e León, Santiago Iturmendia, garantiu que o ocorrido “é algo que sempre está presente neste esporte e que sempre há um risco latente que nos surpreende com um desenlace tão terrível como este”. Apesar de que ele também garantiu que era “um dia de duelo para a caça”.

Mas ele não acredita que seja mais perigoso que uma criança participe em uma caça do que um adulto. “O risco é o mesmo se há uma pessoa de 40 anos ou uma criança de 13. Desde a Federação vamos tentar tudo que pudermos para fazer campanhas de sensibilização e minimizar os riscos nas caças”.

O respeito aos animais é um ensino obrigatório

Por tudo relatado anteriormente, o Partido Animalista PACMA solicitou à ministra de educação, Isabel Celaá, que seja incluído na nova lei de educação e nos objetivos transversais de todas as etapas de ensino obrigatório, a empatia e o respeito para com os animais. Além disso, o partido pediu uma reunião com o ministro da cultura, José Guirao, para que proteja os menores da violência da tauromaquia.

“É necessário que se cumpram de imediato as demandas do Comitê dos Direitos da Criança que, com a finalidade de prevenir os efeitos nocivos das corridas de touros nos menores, insta a distanciar as crianças da violência da tauromaquia”, recordam.

Para isso, exige o fechamento das escolas taurinas, a proibição do acesso de menores a espetáculos taurinos e a proibição da emissão de programas televisivos com conteúdo taurino no horário infantil.

Por Natalia Castro / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: El Plural


Nota do Olhar Animal: É fundamental para os animais que crianças não sejam “iniciadas” nestas atrocidades contra os bichos, para que assim seja possível interromper este ciclo de violência.

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