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Secretário do meio ambiente fica indignado ao saber que fazendas industriais ‘do estilo dos EUA’ estão se espalhando pelo Reino Unido

A pecuária industrializada é uma das maiores epidemias que assola o planeta. Esse sistema quebrado não só baseia-se na exploração e na crueldade animal, como também fazendas de gado gigantescas são a principal causa do desmatamento em massa, da diminuição de fontes de água fresca, da extinção das espécies,  poluição da água e do ar e da mudança climática.

Conforme a população do nosso planeta continua a crescer, com uma previsão de explodir para assombrosos 9,8 bilhões até 2050, simplesmente não há espaço nem recursos para manter o sistema atual regido pela pecuária industrializada. Apesar disso, uma pesquisa mostrou uma mudança significativa em direção a esse sistema de criação no Reino Unido.

No ano passado, descobriu-se que 800 Operações Concentradas de Alimentação Animal (CAFOs) de aves e porcos estavam no interior britânico, algumas com mais de meio milhão de galinhas ou cerca de 20.000 porcos. Isto veio como um choque para muitos que imaginavam as fazendas britânicas como pastos idílicos com animais felizes e saudáveis. Em resposta a isto, o secretário do meio ambiente, Michael Gove, expressou que ele não quer que a pecuária industrializada continue a se alastrar no Reino Unido. Gove disse em uma declaração parlamentar: “Eu não quero ver, e nós não teremos, fazendas no estilo dos EUA neste país”.

Entretanto, conforme mostraram uma pesquisa recente e gravações feitas por drones, operações gigantes de alimentação animal continuam a crescer no Reino Unido, com algumas maiores que possuem até 6.000 vacas cada e que as mantêm confinadas, longe de qualquer tipo de pasto, por cerca de um quarto de suas vidas antes de serem abatidas.

Chris Mallon, diretor do National Beef Association (NBA), disse que esta mudança em direção à produção em grande escala de carne é para alcançar a demanda do consumidor. Ele disse para o The Guardian: “O que estamos falando aqui é produção comercial para alimentar pessoas. Não é um nicho de mercado. Grande parte disto estará nas prateleiras dos supermercados, é para lá que isso vai. No lado de catering também, eles estarão fazendo isso”.

Mallon acrescentou, “Uma das coisas que temos visto ao longo dos anos é a dominação do supermercado no comércio de carne. O que eles querem é especificação, tamanho dos cortes, tamanho para caber em certas embalagens, tamanho dos assados; isto tudo se tornou incrivelmente importante… A diferença é que temos conseguido algumas unidades maiores agora e isso se deve às economias de escala… Se você puder dar às pessoas um fornecimento constante de gado que está na especificação correta, isso te torna valioso. E essa é umas das razões pela qual vemos um movimento nessa direção”.

O sistema ineficiente está cheio de ironia e contradição. Fornecedores dizem que estão produzindo mais carne para alimentar mais pessoas, mas os vegetais usados para alimentar o gado em confinamento (basicamente grãos) poderiam alimentar de forma direta milhões de pessoas que passam fome em todo o mundo. Ao invés de atender à demanda crescente da população ao criar mais bife pelo caminho tradicional, os fornecedores do Reino Unido deveriam seguir os passos das gigantes da carne Tyson e Cargill e começar a focar na produção de carne cultivada em laboratório e alternativas de carnes à base de vegetais. Com um número crescente de consumidores que dizem preferir carne livre de animais e matadouros, um passo na direção contrária da produção típica de carne, com certeza, será visto com aprovação pelos consumidores, e isso também terá um impacto significante no bem-estar animal e no meio ambiente.

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Por Natasha Brooks / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: One Green Planet 


Nota do Olhar Animal: A maior diferença entre a pecuária industrial e a “artesanal” são os danos causados aos próprios humanos. Mas para os animais, o destino é sempre o mesmo. A forma como os animais são tratados é apenas um agravante em relação à questão principal, que é o próprio abate. Não há o que dê sustentação moral à interrupção da vida de um ser senciente. A indignação do secretário só colaborará com uma mudança de paradigma se ela for dirigida ao abate, se resultar em políticas públicas para que a alimentação baseada em animais seja banida algum dia.

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