Sri Lanka vai banir sacrifício de animais nos templos hindus. Muçulmanos ficam de fora da proibição

Sri Lanka vai banir sacrifício de animais nos templos hindus. Muçulmanos ficam de fora da proibição

Governo do Sri Lanka concordou esta quarta-feira em proibir o sacrifício de animais nos templos hindus.  Um porta-voz do Executivo disse à BBC que a medida foi proposta pelo Ministério dos Assuntos Religiosos Hindus e que a maioria dos grupos moderados a apoia.

Alguns hindus sacrificam cabras, bezerros e galinhas nos templos como uma oferenda às suas divindades. Contudo, o ritual motivou anos de protestos no país de maioria budista, que o considera desumano.

Os animais sacrificados nos festivais hindus e muçulmanos são muitas vezes deixados a sangrar até à morte, uma prática que revolta os ativistas dos direitos dos animais e alguns grupos budistas.

Proibição afeta liberdades religiosas, dizem críticos

Muitos hindus praticantes optam por não sacrificar animais mas os que o fazem argumentam que a proibição afetará as suas liberdades religiosas e que os sacrifícios são uma parte antiga da sua fé que as autoridades deviam permitir que continuasse.

No entanto, a lei não cobre o sacrifício de animais por muçulmanos, que constituem o terceiro maior grupo religioso no Sri Lanka.

Por Hélder Gomes

Fonte: Expresso / mantida a grafia lusitana original


Nota do Olhar Animal: O enfrentamento da questão do massacre de animais para fins religiosos não pode ser discriminatório em relação a esta ou aquela religião, como está ocorrendo no Sri Lanka, sob risco de ser entendido como (e de fato ser) mera perseguição. Mas advogar pelo não uso de animais nos rituais não é um ato discriminatório? É tanto quanto descriminar este ou aquele ser senciente em relação ao seu interesse em não sofrer e em não ter suas vidas abreviadas. A questão portanto transcende o debate sobre “discriminação”. O que torna a discriminação relevante são os impactos causados por ela. Em relação a seres sencientes, entendemos que defender os interesses deles em NÃO SEREM PREJUDICADOS obedece a um princípio de igual consideração em relação aos humanos. É uma questão de JUSTIÇA que se sobrepõe a TODAS as manifestações culturais que desconsiderem os interesses próprios dos animais. Não ser prejudicado é um interesse básico destes seres que, neste caso, é violentado para propósitos humanos relacionados à sua fé. Por outro lado, parte do movimento de proteção animal têm se abstido de atuar sobre a questão exatamente por temor de que ela represente algum tipo de intolerância, argumento aliás usado pelos religiosos para defender a matança, desconsiderando a intolerância relacionada à diferença de espécies. E, nesta confrontação, acaba se manifestando e prevalecendo o especismo dos próprios ativistas. Esta omissão nos parece equivocada e deixa desprotegidos os animais vítimas dos rituais. Pensamos que o enfrentamento deve ocorrer, mas sem foco numa religião específica, lembrando aliás que todas as maiores religiões praticam ou praticaram o sacrifício em algum momento de sua história, algumas inclusive o de humanos.

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