Suspenso por remédios vencidos, CCZ diz estar em ‘reforma’ e cancela atendimentos

Nesta segunda, ao receber pacientes com castração marcada, um funcionário usou uma suposta reforma na sede para se desculpar com o cancelamento. Centro está suspenso por uso de medicação vencida.

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Portões foram trancados e papel avisa a suspensão (Foto: Raine Luiz)
Portões foram trancados e papel avisa a suspensão (Foto: Raine Luiz)

“O Centro de Controle Zoonoses informa que o serviço de castração/esterilização está suspenso até segunda ordem”. Este é o recado colado nos portões do CCZ, suspenso porque, na última quinta-feira, após denúncia, foram encontrados medicamentos fora da validade no local. Os remédios seriam usados para tratamento de animais – pré e pós-cirurgia.

Mas o recado para clientes que foram ao atendimento marcado para esta segunda-feira (12) é outro: “Estamos fazendo uma reforma por aqui”, afirmou um funcionário, sem hesitação, à dona de uma gata que tinha castração marcada para as 12h.

“A castração estava agendada há mais de um mês. Falaram que ligaram para a gente, só que não ligaram. Minha mãe está sempre atenta ao telefone, então acredito que seja uma desculpa. Aí falaram que está de reforma aqui, mas não vejo reforma.” relatou Maria Ligia, ainda sem saber a real situação e o porquê da suspensão dos serviços.

Sem reforma

A reportagem foi ao local e constatou que não há reforma. O funcionamento está suspenso após uma comissão de vereadores encontrar os medicamentos vencidos. As datas de validade chegavam até 2014.

A desculpa da reforma foi usada mais de uma vez. Antes, um funcionário do setor administrativo do CCZ se recusou a falar sobre o assunto. O mesmo expulsou a equipe de reportagem do Portal A Crítica ao ver a cliente dar uma entrevista.

Logo após a expulsão, mais um animal chegou para tratamento. O assunto, dessa vez, foi levado para dentro da sala da administração. Enquanto isso, uma funcionária trancou os portões.

Uma entrevista oficial com o responsável pelo Centro foi negada pelo departamento de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). O órgão respondeu que “entrevistas sobre esse assunto, somente após a conclusão dos trabalhos da Comissão de Sindicância Investigativa que está apurando as denúncias”.

Ainda não há prazo definido para a conclusão do trabalho investigativo, nem para o retorno do funcionamento do CCZ.

Por Isabella Pina e Raine Luiz

Fonte: A Crítica

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