Tartaruga-marinha é capturada em lago de praça no centro de Criciúma, SC

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Foto: Lariane Cagnini / Diário Catarinense
Foto: Lariane Cagnini / Diário Catarinense

Uma tartaruga-verde, animal marinho ameaçado de extinção, foi capturada em um lago artificial na Praça do Congresso na tarde desta quinta-feira, em Criciúma. Uma força-tarefa foi montada para retirar o animal do local, que não é seu habitat. Foram quase sete horas de trabalho dentro e fora da água, até que a tartaruga foi isolada e retirada com o auxílio de uma tarrafa. Trata-se de um animal juvenil, com cerca de 50 centímetros e três quilos.

Equipes da Fundação de Meio Ambiente de Criciúma (Famcri), do Museu de Zoologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e do Projeto Tamar, de Florianópolis, trabalharam em conjunto para capturar a tartaruga. Segundo os especialistas, é provável que o animal tenha sido capturado no litoral, levado para casa e depois descartado no lago. Capturar ou manter em cativeiro um animal como esse é crime ambiental.

— Esse é um bicho que quando chegar à fase adulta, o que demora cerca de 30 anos, vai atingir os 300 kg. A tartaruga vai para o centro de reabilitação na Barra da Lagoa, passar por todos os procedimentos veterinários, e se conseguirmos reabilitar vamos fazer a soltura no mar — explica a bióloga do projeto Tamar, Camila Trentin Cegoni.

Com pouca visibilidade na água, além de presença de pedras e de uma ilha no lago, foi difícil para o animal ser capturado. O biólogo Rodrigo Ribeiro de Freitas, do Museu de Zoologia da Unesc, utilizou duas técnicas de captura, por meio de rede e por contenção fechada, até que a tartaruga ficou restrita a uma área de menos de 50 metros.

População ajudou no resgate

O primeiro indício de que ela estava no local foi uma fotografia registrada na segunda-feira, pelo advogado Pedro Augusto Schmidt. Acostumado a mergulhar nas horas vagas, ele reconheceu a tartaruga e entrou em contato com o Tamar, para fazer a identificação do animal.

— Eles não acreditaram até que mandei a foto, pois é algo muito incomum. Eu estava indo almoçar e me chamou atenção pois ela é bem diferente das outras tartarugas que tem aqui, e eu já havia encontrado algumas iguais durante os mergulhos — explicou.

Choveu durante toda a quinta-feira, mas a movimentação em torno do lago chamou a atenção de moradores, que quiseram acompanhar o trabalho de resgate do animal. Por volta das 15h, Vitor Rosauro Bastos, 21 anos, chegou na praça e logo entrou na água para ajudar. Ele quer prestar vestibular para Biologia, e adorou acompanhar de perto o trabalho dos futuros colegas de profissão.

— Eu vi todos trabalhando e quando percebi que precisava de mais braços, entrei na água. No fim deu tudo certo e fiquei muito feliz e grato por fazer parte disso. É algo que vai ficar marcado na minha vida — comentou.

Fonte: Diário Catarinense

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