Aumento de redes ilegais próximo ao costão bombou o número de cascudas que aparecem sem vida na praia

Tartarugas estão morrendo na praia do Grant, em Barra Velha, SC

A aparição de animais mortos, em especial tartarugas, na praia do Grant, em Barra Velha, está chamando a atenção dos moradores locais. Eles creditam as mortes ao aumento no número de redes de pesca perto da costa. Um grupo foi formado pela associação de moradores com objetivo de buscar uma saída para o problema.

O morador Maurício Banin afirma ter notado um aumento no número de barcos com redes na praia e observou que as embarcações estão mais próxima da costa do que antes, principalmente nos últimos 20 dias.

Segundo ele, também tem aumentado a incidência de tartarugas mortas. “Na semana passada foram recolhidas cinco tartarugas de uma vez”, lembra.

O assunto se tornou tema de discussão da Associação de Moradores da Praia do Grant e por isso o grupo foi montado para discutir quais caminhos tomar. “Queremos achar uma saída que seja melhor para todos. Sabemos da necessidade dos pescadores que trabalham por seu sustento”, pondera Janaína Banin, outra integrante do grupo.

O advogado Rodrigo Thomazi, presidente da associação de moradores, diz que o problema é antigo, mas tem aumentado nos últimos tempos. Ele lembra que a legislação proíbe o uso de vários tipos de redes próximas às praias, com as feiticeiras, e que libera outras, mas limita a distância. “Tem muita gente que não respeita”, se queixa.

De acordo com ele, só a fiscalização da Polícia Ambiental não basta. Rodrigo esteve na tarde de ontem no Projeto Tamar, em Floripa, para buscar orientação.“Não queremos brigar com a Colônia de Pescadores. Mas conscientizar para a morte das tartarugas”, adianta.

Em Floripa, o projeto reconhecido internacionalmente, trabalha com os pescadores por meio de palestras e informações. É o que Rodrigo quer repetir no Grant. Ele afirmar que vai levar o assunto para a pauta da próxima reunião dos moradores.

A polícia Militar Ambiental de Joinville, responsável pela região, confirma que tem atendido muitas ocorrências na Praia do Grant e no litoral de Barra Velha. Os policiais realizaram apreensões de redes de pescas e recolhimento de animais mortos, além de resgates de animais presos nas redes que são devolvidos ao mar, informa a PM Ambiental.

Fuman aumenta fiscalização na beira da praia de Navegantes

O problema de redes ilegais perto da costa ou mesmo na beira da praia não é exclusivo de Barra Velha. Em Navegantes, os fiscais da fundação Municipal do Meio Ambiente (Fuman) precisaram intensificar a fiscalização por conta do uso de redes de pesca fixas, as chamadas redes feiticeiras, por conta da safra da tainha.

A feiticeira é uma rede que usa três panos com malhas de tamanho diferente. Por isso, pega de peixes grandes a pequenos. O uso é considerado crime ambiental, com pena de detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas ao mesmo tempo.
A fiscalização ambiental de Navega orienta que a única rede permitida é a que possui pano simples, com apenas um tamanho de malha. Essas redes oferecem risco menor à vida dos animais marinhos que precisam voltar à superfície para respirar, com tartarugas e botos, por exemplo.

A Fuman pede que a população ajude a denunciar a pesca ilegal. O telefone é o (47) 3185-2015.

Fonte: Diarinho

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