Foto: Alan Jamieson / Newcastle University

Todo animal retirado da parte mais profunda do oceano tinha plástico no intestino

“O que você coloca na fossa fica na fossa.” A poluição plástica está causando danos imensos aos ecossistemas do mundo, e os governos em todos os países estão começando a controlar a produção de plástico de acordo com as Metas Globais das Nações Unidas.

Histórias de baleias, tartarugas e aves marinhas com intestinos cheios de plástico tornaram-se cada vez mais comuns.

Recentemente, uma equipe de cientistas queria determinar a extensão da poluição plástica e seus efeitos em animais, com a investigação das regiões mais remotas do oceano e o envio de veículos para as fossas marinhas mais profundas para coletar pequenos anfípodes, criaturas parecidas com camarões, que buscam comida no ambiente hostil.

Na Fossa das Marianas, o ponto mais profundo do oceano, cada anfípode capturado tinha pelo menos uma fibra de plástico no estômago, de acordo com a pesquisa publicada na edição de 27 de fevereiro da Royal Society Open Science. A Fossa das Marianas fica no oeste do Oceano Pacífico, perto de Guam.

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Em seis fossas que foram estudadas, 72% dos anfípodes continham partículas de plástico. Embora as peças plásticas fossem minúsculas, os pesquisadores disseram à revista The Atlantic que, em relação ao tamanho da criatura, as fibras eram equivalentes a um humano engolir um metro de corda de plástico.

Alan Jamieson, o principal autor do relatório, disse à The Atlantic que o plástico provavelmente prejudica as criaturas de várias maneiras. Por um lado, o plástico é indigesto e, portanto, ocupa espaço no intestino. Se houver plástico suficiente no estômago de um animal, a criatura poderia erroneamente pensar que está satisfeita, e morrer de fome como resultado.

O plástico também pode ser um ímã para produtos químicos tóxicos, como os bifenilos policlorados, ou PCBs, que prejudicam a saúde dos animais. Jamieson documentou a poluição por PCBs em ambientes marinhos em outras pesquisas.

Os anfípodes que vivem nas partes mais profundas dos oceanos são, por necessidade, excelentes catadores. A relativa escassez de comida e a falta de luz nas profundezas subaquáticas tornam valioso qualquer alimento. Como resultado, os anfípodes são excepcionalmente vulneráveis a consumir pedaços de plástico.

Pesquisas futuras terão que ser feitas para descobrir como o consumo de plástico afeta a saúde dos anfípodes.

Mas o impacto do plástico em outros animais poderia fornecer algumas pistas. Uma equipe de pesquisadores descobriu que as tartarugas se tornam 20% mais propensas a morrer depois de consumirem um único pedaço de plástico, e muitas baleias encalhadas foram encontradas com intestinos cheios de plástico. Até mesmo os recifes de corais são prejudicados pela poluição plástica.

É provável que os anfípodes sejam igualmente afetados pelo plástico e, se esse for o caso, a poluição por plástico representa um fator existencial para as cadeias alimentares marinhas. Essas minúsculas criaturas são uma fonte de alimento para outros animais e seu declínio pode ricochetear nos ecossistemas.

A cada ano, mais de 8 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos do mundo e mais de 5 trilhões de peças de micro plástico atualmente contaminam os ambientes marinhos.

Como as taxas de produção plástica continuam a subir, talvez o declínio das espécies marinhas servirá como um alerta para os países protegerem os oceanos.

“O que você coloca na fossa fica na fossa”, disse Jamieson à The Atlantic. “[O problema do plástico] só vai piorar. Qualquer coisa que caía lá não vai voltar.

Joe McCarthy e Erica Sanchez / Tradução de Ana Carolina Figueiredo

Fonte: Global Citizen

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