‘Tradição’ de queima de fogos revolta protetores de animais, que se mobilizam contra prática, em Campo Grande, MS

‘Tradição’ de queima de fogos revolta protetores de animais, que se mobilizam contra prática, em Campo Grande, MS

Um clichê do período de festas é o que fazer com animais e crianças em relação aos fogos de artifício. A queima de fogos e o barulho significam momentos de medo para muitos cães e gatos.

Com os animais, há casos extremos em que eles podem até fugir de casa e se perder, na tentativa de se esconder dos barulhos ou até mesmo vir a morrer por atropelamento ou danos cardíacos causados pelo susto, medo e estresse intensos.

Além disso, a Prefeitura Municipal de Campo Grande vai realizar, segundo o site oficial, uma queima de fogos de pelo menos dez minutos na Cidade do Natal, nos altos da Avenida Afonso Pena, região do Parque dos Poderes e do Parque das Nações indígenas.

A ação revoltou os protetores dos animais, que até tentaram, mas sem sucesso, impedir a queima.

Gycelda Ajala, do Patinhas Solidárias criou um abaixo-assinado virtual para pedir o fim do uso de fogos de artifício e bombas de efeitos sonoros. O destinatário será a Câmara Municipal. “Este abaixo-assinado foi criado com o fim de protestar contra o uso de fogos de artifícios e bombas de efeito sonoro, em virtude do número de animais de estimação. Os fogos acabam poluindo nosso meio ambiente, prejudicando e ferindo pessoas, perturbando e causando transtornos aos autistas e pessoas especiais, igualmente idosos, crianças, cardíacos, convalescentes, até mesmo matam pássaros e outros animais. Faz com que muitos animais domésticos fujam de seus lares pelo desespero que os barulhos causam”, explicou na proposta.

Outro contratempo citado são os animais de rua. “Os animais de rua, que já estão fragilizados pelo abandono, ficam desnorteados e tentam buscar abrigo e acabam atropelados. Os idosos e os bebês igualmente sofrem com os barulhos. Sem falar no transtorno psicológico, para aqueles que têm alguma espécie de trauma ligado a bombas e barulhos altos”, argumentou.

A proposta já tem 400 assinaturas virtuais e os protetores pretendem continuar a ação para conseguir mais adeptos.

No Facebook o assunto gerou polêmica. “Espero, sinceramente, que Vossa Excelência reavalie esse absurdo, desperdício de dinheiro público e crime contra a fauna que tanto nos orgulhamos em conviver. Respeite os animais, já que todo o dinheiro gasto com impostos, visando uma cidade melhor, não será”, criticou Laura Elis Reis, que atua em prol a causa animal na Capital.

A postagem dela chegou a quase 600 compartilhamentos com severas críticas ao foguetório. “Que desrespeito com todos! Ninguém quer este tipo de “comemoração” ultrapassada que só causa transtornos, acidentes e mortes de animais. Eu tenho pânico de fogos! Que administração decadente”, apontou Aline Cali.

Já Michele Brun Lopes lembrou o “resultado” triste da queima que acontece em algumas cidades. “Todo dia primeiro uma amiga que trabalha no Ibama no interior de São Paulo sai com os colegas para fazer a contagem dos pássaros mortos. Muito triste e revoltante tanta ignorância. Marquinhos Trad poderia se informar”, sugeriu.

Outros problemas para resolver

Para questionar o gasto com a queima de fogos, os internautas lembraram que a cidade tem outros problemas. “Que absurdo. Odeio fogos, estão queimando nosso dinheiro. Faz alguma coisa de útil pra nossa cidade, que nosso asfalto tá uma belezura”, lembrou Nidia Rocha.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Campo Grande, porém até o fechamento dessa matéria não havia sido enviada respostas.

Fonte: Boa Informação

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