UFBA investiga aparecimento de sete gatos mortos; três foram envenenados

A Universidade Federal da Bahia (Ufba) apura o aparecimento de gatos mortos nas dependências da instituição. Nas duas primeiras semanas de abril deste ano, dos sete animais encontrados, três foram submetidos a necropsia, por não apresentarem estado avançados decomposição. Dos corpos analisados, dois tiveram como causa da morte envenenamento por chumbinho – produto clandestino, irregularmente utilizado como raticida.

Apesar de o fato ter acontecido numa área federal, a universidade está, a princípio, fazendo uma investigação interna com a Coordenação de Meio Ambiente (CMA) e a Coordenação de Segurança, para posteriormente comunicar o fato à Polícia Federal (PF). O terceiro gato, indica a necropsia, foi morto por politraumatismo provavelmente provocado por ataque de cães.

A partir da análise de imagens das câmeras de videomonitoramento e das ocorrências registradas pela Coordenação de Segurança da Ufba foram encontrados sete animais mortos entre a Biblioteca Central e o Pavilhão de Aulas III e nas proximidades do Instituto de Química, unidades do campus de Ondina.

“A maioria estava em estado avançado de decomposição. Então, apenas três foram analisados. Destes, dois o laudo apontou envenenamento. Foi encontrado dentro dos animais o veneno misturado à ração. Alguém descobriu o local onde eles se alimentavam e pôs o veneno”, declarou o professor Antônio Lobo da CMA da Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sumai) da Ufba.

Como a universidade é uma instituição de portas abertas, onde há uma circulação intensa de alunos, professores, funcionários, prestadores de serviço e também a comunidade, as imagens estão sendo analisadas minunciosamente.

“A intenção é identificar alguém se aproximando dos alimentos dos animais ou de alguma movimentação em pontos estratégicos, afim de encontrarmos elementos que possam nos levar aos autores”, declarou Antônio Lobo. 

Desde então não foram registradas mais mortes de gatos nas dependências da universidade. “Das duas, uma: ou os autores concluíram o que queriam, era algo pontual, ou eles ficaram com medo, já que a instituição está investigando e certamente haverá punição, o que é mais provável ter acontecido, pois já tivemos reuniões com a coordenação de Vigilância, servidores e alunos”, explicou o professor. 

Os autores responderão pelo crime de maus-tratos aos animais, conforme artigo 32 da Lei  9.605/98 que determina detenção de três meses a 1 ano e multa para quem praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos ou realizar experiência dolorosa ou cruel em animal vivo e a punição é aumentada de um sexto a um terço se ocorrer a morte do animal.

“No caso de os autores serem do ambiente acadêmico, numa situação de crime ambiental comprovada, poderá responder junto ao conselho de ética da universidade, mas o principal certamente será a responsabilização criminal junto à justiça comum”, declarou o professor. 

O CORREIO esteve na manhã desta terça-feira (23) no Campus de Ondina e ouviu alunos, que reprovaram a morte dos animais. “Eu sou vegetariana e condeno com veemência qualquer prática de agressão à animais. Isso é terrível. Em relação à morte dos gatos, eles não fazem mal a ninguém. É preciso que os autores sejam responsabilizados”, declarou Rafaela Chaves, 18 anos, estudante de Letras Vernáculas. 

A colega de sala de Rafaela, Natália Carvalho, 19, compartilha da mesma opinião. “Esses animais estão aqui porque infelizmente são abandonados. Muitas vezes pegam, mas não têm condições de cuidar e largam aqui, acreditando ser a melhor solução. Mas a instituição não tem verba para isso. Só que algumas pessoas são cruéis e resolvem agir de tal forma, matando. Elas devem responder pelos seus atos”.  

Animal descansa em campus da Ufba, em Ondina (Foto: Marina Silva/CORREIO)
Animal descansa em campus da Ufba, em Ondina (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Abandonados

O terceiro gato, indica a necropsia, foi morto por politraumatismo provavelmente provocado por ataque de cães. “Aqui na universidade temos alguns cães que são predadores de gatos. São animais abandonados nas dependências da Ufba, que é uma entidade muito aberta. Essas pessoas entram naturalmente com caixas ou de carro mesmo e abandonam não só os cães, a maioria idosos e doentes, como os gatos, a maior parte filhotes”, explicou o professor Antônio Lobo. 

Segundo ele, em um censo da universidade realizado em 2018 apontou que só no campus de Ondina foram abandonados 25 cães. Já em relação aos gatos, foram contabilizados 130, alguns abandonados, outros frutos da procriação.

“Esse trabalho só é possível por conta de uma parceria entre a Coordenação de Meio Ambiente e o Hospital de Medicina Veterinária da Ufba. O foco do projeto é: monitoramento, identificação, fornecimento de cuidado veterinário, quando possível, e desenvolvimento de campanhas educativas contra maus-tratos e abandono”, declarou o professor. 

Ele faz um alerta: “O projeto não visa em hipótese alguma acolher animais na Ufba, manter criatórios ou coisa do tipo. Todos os animais que estão vivendo nas dependências estão disponíveis para adoção, pois esse é o melhor caminho para que o animal tenha melhor qualidade de vida e fique mais protegido. Um dos grandes problemas é que algumas pessoas querem acolher e criar animais nas dependências da Ufba e isso atrapalha o projeto e não contribui para mitigar o problema”.

Por Bruno Wendel

Fonte: Correio 24 Horas 

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