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Vereador pede interdição do zoológico de Salvador

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O vereador Marcell Moraes (PV) entrou – pela segunda vez – com representação junto ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) para interdição imediata do Jardim Zoológico de Salvador.

Ele afirma que o local possui “irregularidades”, e espera que obras sejam realizadas “com urgência”.

Em contrapartida, o coordenador geral do zoológico, Gerson Norberto, considera a denúncia “vaga”, e defende que o espaço “tem passado por obras de requalificação”.

A ação, apresentada por Moraes no último dia 27, aborda questões como péssimo estado de conservação dos viveiros, maus-tratos e exploração dos animais, além de falhas nas equipes de fiscalização que propiciam a alimentação irregular de certas espécies pelos visitantes.

“Este é um modelo de zoológico arcaico, medieval, que precisa ser reavaliado o quanto antes. Os animais são explorados e vivem em constante estresse com a falta de acústica nas jaulas. Em comparação a outros zoológicos do Brasil, o de Salvador apresenta total desrespeito aos animais”, diz o vereador.

Sobre as instalações, ele alega que os felinos correm grandes distâncias no seu habitat, enquanto no zoo “são mantidos em cativeiros de 50 m²”. Ele ainda critica o viveiro das aves (“com contato muito próximo dos visitantes”), e o dos macacos (“muito pequenos”).]

Coordenador

O coordenador geral do Jardim Zoológico de Salvador, Gerson Norberto, afirma que o MP-BA acompanha regularmente as atividades do parque zoobotânico.

Segundo ele, o zoo atende “a 100%” das determinações da portaria normativa 169 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O documento regulamenta questões estruturais, nutricionais, e estipula as equipes necessárias para o funcionamento do zoológico e bem-estar dos animais.

Norberto informa que os viveiros têm passado por reparos, principalmente em relação à acústica.

“Já instalamos vidros especiais em parte dos plantéis. Eles isolam ruídos e mantêm a segurança dos visitantes”, explica o gestor.

Segundo ele, já existem projetos para implantação da medida em todos os viveiros, mas ainda não há definição de prazos. Ele explica que esta é uma “ação gradativa”.

Sobre a interdição do espaço, Norberto acredita que não seja a melhor opção.

“Caso o Ministério Público considere que reformas devem ser feitas, elas podem acontecer sem interromper a visitação do público”, ele argumenta.

“Recebemos cerca de 45 mil pessoas por mês. Interditar o zoológico causaria um transtorno social enorme”, adverte o coordenador.

Em relação ao tamanho dos viveiros, Norberto diz que “todos atendem às especificidades da portaria do Ibama e não oferecem nenhum tipo de risco aos animais”.

Alimentação

Em se tratando da alimentação, o coordenador geral do zoológico afirma que existem 96 cardápios específicos para as espécies. Além disso, equipes de fiscalização se mantêm estrategicamente posicionadas, a fim de coibir ações de alimentação irregular dos animais.

“A cultura dos visitantes de dar comida aos bichos é muito comum, e também acontece em outros zoológicos pelo mundo. Queremos instalar câmeras de vigilância para monitorar essas ocorrências”, conta Norberto.

Equipes de educação ecológica também circulam pelo ambiente, buscando conscientizar os visitantes.

“Ainda que trabalhemos contra essa cultura, acaba acontecendo. Certa vez jogaram um saco de pirulitos no viveiro do urso. Foi necessária uma ação imediata para recolher os doces. Ainda assim, tivemos que fazer lavagem estomacal no animal”.

Ele explica que os alimentos que não fazem parte da dieta natural das espécies podem causar doenças e até levar à morte.

Sobre dados de óbitos de animais, Marcell Moraes afirma que o zoológico apresenta resistência em relatar os números.

“Felizmente, temos uma quantidade maior de nascimentos do que óbitos. O zoo não omite nenhuma informação, quando questionado”, rebate Gerson Norberto.

Fonte: A Tarde 

Nota do Olhar Animal: Zoológicos não precisam ser remodelados, precisam é ser extintos. Atendem a interesses predominantemente comerciais, causando danos aos animais e levando à deseducação da população sobre o respeito aos interesses destes seres. A atividades científicas de interesse dos animais podem muito ser bem realizadas em santuários.

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