Visitante noturno

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Visitante noturno

Sem sossego nem em sonhos, assim é a vida do defensor dos animais. Assim é também a vida da Zehilda, 64 anos. Eram 4h da madrugada quando ela despertou assustada, ouvindo ruídos que vinham do alto da casa. “Era um barulho muito forte, parecia que uma pessoa andava por ali”, lembra.

Os dias anteriores já não haviam sido fáceis, com o resgate de mais um cão que sofria pelas ruas, e isso contribuiu para o sobressalto. Mais um, sempre mais um, pois por mais que os socorristas repitam “este é o último”, de nada adianta. Não adianta, pois para quem maltrata, negligencia e abandona, infelizmente nunca é o último.

“Percebi que era no forro, e não em cima do telhado. Levantei. Fui até a lage, esperando descobrir o que estava acontecendo, e quando olhei para o telhado da vizinha, meu coração se apertou. Vi um gatinho, já grande, que tentava miar mas não conseguia. Os olhos esbugalhados, de quem está sofrendo… Por um momento fiquei atônita, sem saber o que fazer, e então ele sumiu.

Impossível saber para onde tinha ido. Senti na hora que estava envenenado… ” Oprimida pelo desespero e impotência, Zehilda sentou-se num canto de sua singela cozinha e fez tudo que podia fazer naquele momento… Rezou, rezou a São Francisco, padroeiro dos animais, com todas as suas forças.

“Foi então que comecei a ouvir miadinhos de gatos filhotes. Corri a buscar ajuda dos vizinhos, que confirmaram o que eu já sabia. Há dias alguém vinha envenenando gatos na redondeza”. Desse crime sádico e covarde, porém, haviam escapado por milagre três bebês, três bebês de muita sorte, que encontraram lugar no coração de Zehilda.

“Tive que chamar socorro para abrir o telhado e poder retirá-los”. Zehilda trabalha fora, e passa o dia inteiro ausente. “Não tenho condições de ficar com eles”, lamenta. Ela precisa de ajuda, bons adotantes e padrinhos para os pequenos lutadores, e faz um apelo:

“Que Deus nos ajude a todos, aos que gostam e respeitam animais e aos que não gostam também, que consigam abrir seus corações e ver que toda a vida tem que ser respeitada”. Contato para ajudar a Zehilda: 11 99785-5166.


Texto baseado no relato de Zehilda da Gama Sobral, de São Paulo, SP

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