1.250 macacos explorados em testes em Israel podem morrer de fome

1.250 macacos explorados em testes em Israel podem morrer de fome
Foto: Macacos enfrentando um destino incerto andam por sua jaula na Mazor Farm perto de Petah Tikva. (Imagem: Monkey Rescues)

Quando o Ano Novo chegar, alguns dos 1.250 macacos em uma fazenda na Israel central podem correr o risco de morrerem de fome ou se deteriorarem em suas próprias fezes, avisam os ativistas.

Dois anos atrás, a organização Monkey Rescue comprou os direitos dos habitantes restantes da controversa Mazor Farm (BFC Monkeys Breeding Farm Ltd.) em uma tentativa de salvar os animais de potencial experimentação fora do país. Como o financiamento para os macacos acaba neste fim de semana, os líderes do grupo estão exigindo que o governo interfira e cumpra com as promessas que os funcionários fizeram antes da compra.

“Ou o governo interfere e aloca um orçamento para a manutenção desses macacos, ou eles terão somente mais alguns dias da comida que é levada pelos voluntários”, Amos Ron, o diretor do Monkey Rescue, disse ao The Jerusalem Post. “Depois disso, mesmo se eu vier aqui pessoalmente para trazer comida, eles irão morrer de desnutrição e de doenças porque não haverá ninguém para limpar suas jaulas”.

Em dezembro de 2014, o Monkey Rescue pagou pelos direitos para salvar os macacos através de uma doação de $2 milhões feita pelo israelense-americano Ady Gil, que desde então vem provendo cerca de NIS 150.000 por mês para manter e alimentar os macacos, Ron explicou.

A Mazor Farm, localizada em Moshav Mazor, no sudeste de Petah Tikva, reproduziu macacos por duas décadas e os exportava para fins medicinais. Durante anos, os ativistas lutaram para fechar a fazenda completamente, em uma tentativa de acabar com a exportação desses animais e minimizar a experimentação neles.

Seguindo uma decisão da Suprema Corte em junho de 2012, a fazenda parou de exportar os macacos que tinham sido capturados na selva nas Ilhas Maurício. O mesmo, entretanto, não foi ordenado para os macacos reproduzidos em cativeiro na Mazor Farm.

Em janeiro de 2013, o então promotor geral, Yehuda Weinstein, apoiou a decisão do ministro de proteção ambiental Gilad Erdan de que a fazenda deveria ser fechada completamente a partir de janeiro de 2015. O governo também determinou que seria ilegal exportar qualquer macaco nascido depois de 15 de janeiro de 2015, incluindo aqueles reproduzidos em cativeiro.

O Ministério de Proteção Ambiental então decidiu investir NIS 4,5 milhões para transferir 650 macacos que tinham nascido na natureza da Mazor Farm para o santuário Bem Shemen Monkey Park – o que ocorreu em janeiro de 2015. Entretanto, o destino dos 1.250 macacos que nasceram em cativeiro na fazenda ainda permanece incerto.

Em meados de dezembro de 2014, Weinstein aprovou dois pedidos da Mazor Farm para exportar várias centenas desses macacos para propósitos de pesquisa médica em laboratórios nos Estados Unidos. Depois de levantar os fundos necessários de Gil para prevenir sua exportação, o Monkey Rescue assumiu a responsabilidade pela sua custódia.

“Nós tínhamos um acordo com BFC para pagar pela manutenção dos macacos por dois anos, baseados no pressuposto de que dentro desses dois anos nós chegaríamos a um acordo que nos foi prometido de realocar os macacos para Ben Shemen”, Ron disse.

Ron, que já foi diretor geral da Autoridade Portuária de Israel e serviu em vários cargos governamentais, foi atraído para a campanha, como resultado do envolvimento de seu filho nos esforços para salvar os macacos.

De acordo com Ron, MK Amir Peretz (Zionist Union), que sucedeu Erdan como ministro de proteção ambiental, prometeu à organização que o governo iria fornecer um novo abrigo para os macacos.

Mas nem Peretz, nem qualquer outro dos ministros que o sucederam realizaram esse plano, ele disse.

Ressaltando que ele já apresentou programas detalhando como o governo e a ONG poderiam compartilhar dessa responsabilidade, Ron disse que o ministro o vem ignorando por dois anos. Enquanto isso, o contrato do Monkey Rescue para financiar os animais acabou no dia 31 de dezembro.

“Esse é o último dia que qualquer um de nós tem qualquer obrigação contratual para com os macacos”, ele acrescentou.

O Monkey Rescue pediu aos membros do público que fossem até a Mazor Farm na sexta-feira, 29 de dezembro, às 10 horas da manhã para doar uma variedade de frutas e vegetais para que os macacos tivessem algo para comer nos próximos dias. A organização estava pedindo inhames, pepinos, cenouras, tomates, repolhos, abobrinhas e maçãs – mas não bananas, já que as cascas são difíceis de limpar.

Enquanto isso, Ron disse que já enviou cartas para o chefe do Moshav Mazor, assim como para os funcionários do Ministério da Saúde, avisando-os sobre os potenciais riscos de saúde pública que os residentes da área poderiam enfrentar se os macacos morressem em seu meio. A organização também entrou com um recurso no Supremo Tribunal, e o assunto está esperando discussão futura.

“É tão decepcionante que um governo que diz que é o mais progressista na região, e talvez no mundo, em direitos humanos e direitos dos animais, se comporte de tal forma”, Ron disse. “É simplesmente vergonhoso”.

Em resposta à situação, o Ministério de Proteção Ambiental negou que seus funcionários fizeram as promessas que Ron descreveu, mas afirmou que conversas entre as partes estariam sendo feitas.

“Apesar do estado não ter nenhuma responsabilidade legal sobre o assunto, o Ministério de Proteção Ambiental e o Ministério das Finanças concordaram em negociar com o requerente, para tentar e ajudar a encontrar uma solução sobre os cuidados dos macacos, pelos quais o requerente alegou responsabilidade”, disse uma declaração do ministério.

“Consequentemente, uma reunião foi marcada entre as partes”.

Por Sharon Udasin / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: The Jerusalem Post

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.