160 raposas ‘mortas por cães de caça’ durante caçadas na Escócia

160 raposas ‘mortas por cães de caça’ durante caçadas na Escócia
Caças às raposas como esta em Selkirk ainda ocorrem na Escócia, com cães usados para ‘expulsar’ as raposas ao invés de matá-las. (Imagem: Getty)

Cerca de uma em cada cinco caças às raposas na Escócia resulta no animal sendo morto pelos cães ao invés de ser baleado, de acordo com um grande levantamento que sugere que as leis que governam esse esporte deveriam ser mais rígidas.

No futuro, monitores independentes devem ser designados para observar aleatoriamente as caças às raposas que ocorrerem ao redor da Escócia, em meio a evidências de que a legislação atual está sendo violada, de acordo com o relatório feito por Lord Bonomy.

Seu relatório disse que “evidência empírica” sugere que cerca de 20 por cento das raposas perturbadas pelas caças são tiradas de suas tocas e mortas pelos cães, ao invés de serem baleadas – o equivalente a 160 animais são mortos dessa forma a cada ano.

A caça às raposas com cães foi banida sob a Lei de Proteção dos Mamíferos Selvagens (Escócia) em 2002, mas não houve nenhum processo bem sucedido desde então e a polícia descreveu a legislação como “impraticável”.

Atualmente, cães podem ser usados para expulsar as raposas de suas tocas e persegui-las em direção aos caçadores para que sejam baleadas, mas grupos ativistas dos direitos dos animais questionaram a prática, dizendo que na prática os animais são regularmente mortos pelos cães, resultando em mais sofrimento.

Em seu relatório, que foi encomendado pelo governo escocês, Lord Bonomy disse que alguns aspectos da lei atual “complicam indevidamente” a investigação e a acusação dos delitos.

Sobre a questão se a caça ilegal de raposas ainda estava ocorrendo na Escócia, ele concluiu: “Há uma base para suspeitar que possa haver ocasiões onde a caça ilegal realmente ocorre e as razões para essas suspeitas devem ser abordadas”.

Monitoramento Independente

Para fazer isto, ele sugeriu que monitores independentes deveriam ser designados para observar as caças na Escócia, com seu trabalho apoiado por um código de prática. Eles então deveriam reportar seus achados para o governo escocês.

Lord Bonomy também sugeriu que ministros avaliem se um sistema de “responsabilidade indireta” poderia ser introduzido, o que resultaria em proprietários que permitem que caças ocorram em suas terras possam ser responsáveis se tal delito for cometido.

A Secretária do Meio Ambiente Escocês, Roseanna Cunningham, disse que os ministros “considerarão cuidadosamente” os resultados, mas não responderão formalmente no próximo ano. Qualquer mudança na lei estará sujeita a um processo de consulta.

Robbie Marsland, diretor da Liga Contra Esportes Cruéis da Escócia, disse que o relatório provou que a lei atual não era “adequada para seu propósito”.

Ele acrescentou: “A opinião pública na Escócia quer ver a caça às raposas banida. O governo pensou que eles a tinham banido e agora Lord Bonomy e a polícia escocesa revelam que as caças estão passando por cima da legislação”.

No fim de semana, a Liga e outra organização chamada OneKind alegaram que eles recuperaram a carcaça de uma raposa que tinha sido morta por cães em um estado no oeste da Escócia.

Os veterinários disseram que ela tinha sido baleada, mas concluíram que alguns de seus ferimentos eram consistentes com o ataque de um cão e sugerem que a raposa passou por “sofrimento significante e desnecessário” antes de morrer.

Entretanto, a Aliança Countryside disse que a caça responsável pela morte da raposa ocorreu sob um “protocolo estrito” de acordo com a lei.

Por Chris Green / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: I News 


Nota do Olhar Animal: Tratar da morte das raposas como sendo aceitável desde que não haja o sofrimento imposto pelos cães é uma aberração moral. É repugnante que “ativistas” defendam que “é melhor que as raposas morram baleadas”. Negociam com a vida alheia como se não fosse importante para as raposas viver. São cúmplices do assassinato destes animais.

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