41 milhões de galinhas nunca chegaram a ver a luz do sol

41 milhões de galinhas nunca chegaram a ver a luz do sol

Em Espanha, 88% das galinhas nunca saem de gaiolas de arame ou chegam a ver a luz do sol. A fotógrafa canadense Jo-Anne McArthur da ONG Igualdad Animal partilhou imagens que mostram as condições em que estes animais têm de viver e produzir ovos para consumo.
“A criação de galinhas em gaiolas é um sistema que mais gera sofrimento nos animais de pecuária industrial. Os consumidores têm o direito de saber isso e, na Igualdad Animal, trabalhamos para acabar com este sistema cruel”, afirmou Javier Moreno, director desta associação, citado no El País.

Para avaliar o bem-estar dos animais, os veterinários usam os princípios de referência europeus da Welfare Qaulity. Estes avaliam os diferentes parâmetros relacionados à alimentação, saúde e comportamento animal. Uma das secções refere-se à facilidade de movimento.

“Para as galinhas cuidarem do seu corpo e manterem o conforto precisam de estender e sacudir as asas. Nas gaiolas é impossível realizar este tipo de actividade”, explica o veterinário e activista Alfonso Senovilla. O veterinário argumenta também que viver em condições de superlotação é prejudicial à saúde das aves: “Isso causa fraqueza dos ossos, podendo levar à paralisia e morte do animal”. Porém, estes parâmetros de bem-estar animal são apenas recomendações, mas não são obrigatórios.

“As gaiolas mantêm-se porque o nível de higiene dos ovos que é obtido, em média, é melhor. Em adição, nestas estruturas é mais fácil de se inspeccionar os animais e ver se eles estão a comer em boa quantidade”, diz Francisco Javier Dieguéz, professor de Produção Animal na Universidade de Santiago de Compostela.

Outro problema sério é a falta de inspecção. Em 2017, apenas 15% das instalações pecuárias foram inspeccionadas. De 161 estabelecimentos, 107 usavam gaiolas, e foram encontradas irregularidades em 31.

Alguns supermercados comprometeram-se com esta causa, anunciando que deixarão de vender ovos de galinhas que vivem em gaiolas. O Lidl foi o primeiro a deixar de vender este tipo de ovos, desde Janeiro do ano passado.

Fotos: Jo-Anne McArthur

Por David Oliveira e Leonor Riso

Fonte: Sábado / mantida a grafia usitana original


Nota do Olhar Animal: O modo como os animais são criados é um agravante em relação ao problema principal, que é o próprio abate. Ao se matar um animal, havendo o sofrimento dele durante sua criação ou não, violenta-se seu direito moral mais fundamental, que é o direito à vida.