45 mil cavalos selvagens serão mortos pelo Governo dos EUA

45 mil cavalos selvagens serão mortos pelo Governo dos EUA

Por Sarah V. Schweig / Tradução de Katia Buffolo

Um conselho do governo recomendou que 45.000 cavalos e burros selvagens fossem mortos para dar lugar às grandes fazendas de carne – e os cidadãos estão prestes a pagar por isso.

Os contribuintes financiariam o maior abate de cavalos da história, após o National Wild Horse e o Burro Advisory Board do Bureau of Land Management (BLM) votarem pela eutanásia de todos os cavalos selvagens e burros em instalações mantidas pelo governo em todos os Estados Unidos.

Os defensores de animais estão inconformados com a decisão e estão se voluntariando para ajudar com quaisquer alternativas à matança.

“A decisão do conselho deliberativo do BLM de recomendar a destruição de 45 mil cavalos selvagens, atualmente nessas instalações, é a completa abdicação da responsabilidade pelo seu cuidado”, disse Holly Hazard, vice-presidente sênior do programas & inovações da Humane Society of the United States  (HSUS), em um comunicado de imprensa. A agência não estaria nesta situação não fosse a má administração por longo prazo.”

As alternativas à matança dos cavalos, tal como controle de fertilidade humanitário, foram ignoradas por mais de 20 anos, segundo Hazard, já que os cavalos e burros tem sido capturados pelo governo e levados de sua região silvestre para dar lugar aos criadores de gado. Nas instalações administradas pelo governo, os cavalos têm sido deixados em currais externos sob temperaturas de 38 graus, sem abrigo para protegê-los.

E as instalações estão ficando superlotadas. Apesar do Bureau of Land Management  afirmar que eles não enviam os cavalos para o matadouro, muitos dos cavalos que eles leiloam terminam na fila do abate. Um recente relatório de investigação descobriu que a BLM vendia cavalos para uma estância no estado do Colorado, nos Estados Unidos, e esta, por sua vez, os encaminhava ao México para o abatedouro.

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Menos de 50 mil cavalos silvestres continuam em regiões selvagens, depois da remoção de mais de 270 mil cavalos mustang de terras particulares desde 1971, conforme a organização In Defense of Animals (IDA).

“Com as populações de cavalos selvagens criticamente baixas, o abate planejado equivale a um genocídio”, o grupo escreveu em um comunicado de imprensa.

“O BLM continua a perseguir os cavalos selvagens continuamente para removê-los da área, de forma que as terras públicas possam ser usadas por criadores de gado de corte”, escreveu o grupo IDA, salientando que o número de vacas e ovelhas que vivem nestas áreas ultrapassa a quantidade de cavalos na proporção de 30 para um. As estâncias enormes que abastecem as fazendas industriais com animais destinados ao abate também estão para as fábricas também estão devastando o meio ambiente.

O BLM gastou milhões de dólares por ano para manter as instalações, mas não implementou um plano humanizado para esterilizar os cavalos. Ao contrário, o BLM experimentou um procedimento de esterilização invasiva nos cavalos selvagens, que provocando um protesto público.

Uma das maneiras era imobilizar fêmeas, enquanto um veterinário alcança a sua vagina, faz uma incisão na parede vaginal e, manualmente, torce e corta os ovários com um instrumento com uma corrente na extremidade

Este procedimento “pode resultar em sangramento prolongado ou… infecção”, de acordo com a National Academy of Sciences, que advertiu o BLM para não utilizar esta técnica para estes cavalos.

Outra maneira, é chegar ao órgão da fêmea através de uma incisão na sua lateral.

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Algumas semanas atrás, o Bureau of Land Management deixou de usar estes experimentos e, em vez disso, recomendou o assassinato em massa dos cavalos.

“Agora devermos estar atentos para assegurar que a agência não vá prosseguir com a “eutanásia” dos cavalos selvagens ou manter a castração de garanhões selvagens”, Ginger Kathrens, diretora executiva voluntária da organização The Cloud Foundation, que também atua no conselho deliberativo de cavalos selvagens do BLM, disse num comunicado de imprensa. Kathrens foi o único voto contrário ao abate.

Atualmente, Kathrens insiste na colaboração entre o governo e os defensores de animais para desenvolver, em larga, programas de controle de fertilidade Porcine Zona Pellucida (PZP) – vacinação humanizada, em vez de procedimentos dolorosos – que a National Academy of Sciences recomendou anos atrás. O BLM usou o método PZP algumas vezes, mas disse que, geralmente, ele “não é prático”.

Segundo Hazard, o HSUS “está preparado para implementar estas alternativas a qualquer momento. “

Exatamente quando (ou como) os cavalos poderiam ser mortos ainda não foi decidido – então, ainda há tempo para manifestar-se em favor deles.

Ligue para Sally Jewell, Secretária do Interior, no telefone 202-208-3100, para dizer que a matança de cavalos e burros selvagens da América é inaceitável. Envie um e-mail para o BLM no endereço eletrônico: [email protected]. Adicione seu nome à petição aqui.

O BLM não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários do The Dodo.

Atualização: O Bureau of Land Management (Gabinete de Gestão Territorial) respondeu ao protesto público no dia 15 afirmando que o departamento não tem planos vigentes de matar os cavalos e continuará a manter aqueles que não tenham sido vendidos em leilão. O departamento ainda não respondeu formalmente à proposta do conselho deliberativo, mas fará isto na próxima assembleia, informou a agência Reuters.

O site The Dodo irá acompanhar esta história conforme ela se desenrolar.

Fonte: The Dodo

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