A Cidade do México não será de vanguarda se seguir vendo a tortura dos touros como “arte”, denuncia ONG

A Cidade do México não será de vanguarda se seguir vendo a tortura dos touros como “arte”, denuncia ONG
Não somos uma cidade de vanguarda porque aqui se vê a tortura e o maltrato como arte. (Laura Hernandez/Diretora da organização Esperança Animal)

“Não mais tortura, não mais sangue, não mais morte. Não mais corridas de touros!”, lançaram como exigência – uma vez mais – ativistas aos legisladores na Cidade do México, em frente à assembleia legislativa. Além do que, advertiram, quem queira governar a capital do país deve implementar ações urgentes para proteger aos animais.

“Com cartazes em forma de mãos ensanguentadas e que tinham escritas palavras de ordem como “zero tolerância com o maltrato animal”, “touros sem tortura”,” basta de tortura”, toureiros – código penal” e “abolição já”, um grupo de ativistas pediu aos deputados da capital a abolir as corridas de touros na Cidade do México.

Em entrevista para o SinEmbargo, Laura Hernández, diretora da Organização Esperança Animal, pediu que tenham “muita esperança”, porque existe consenso em todas as bancadas.

Com cartazes em forma de mãos ensanguentadas e com as legendas "basta de tortura", toureiros ao código penal" e "abolição já", ativistas pediram aos deputados para abolir as corridas de touros na CdMx. (Foto: Ivette Lira/SinEmbargo)
Com cartazes em forma de mãos ensanguentadas e com as legendas “basta de tortura”, toureiros ao código penal” e “abolição já”, ativistas pediram aos deputados para abolir as corridas de touros na CdMx. (Foto: Ivette Lira/SinEmbargo)

“Antes da constituinte, muitos deputados prometeram que iam encerrar com as corridas de touros e eu espero que não tenha sido apenas para angariar votos”.

“Depois de quatro legislaturas onde temos trabalhado aqui, lançando as iniciativas contra as corridas de touros, esperamos que esta seja a melhor”, disse.

Por ele, completou, “viemos a exigir-lhes aqui que não queremos mais corridas de touros e que não voltem a congelar a iniciativa porque levamos12 anos pedindo-lhes. Já vêm outra vez eleições, vão pedir nosso voto, mas não cumprem com nossa demanda social”.

A ativista qualificou de “totalmente incongruente” o fato de que a capital governada por Miguel Ángel Mancera Espinosa conte com uma lei de proteção animal e que os touros continuem sendo torturados até sua morte em um espetáculo público. “Não somos uma cidade de vanguarda porque aqui se vê a tortura e o maltrato animal como arte”, sentenciou.

“Não podemos ter uma moral dúbia. Vamos ser uma cidade de vanguarda ou não vamos ser uma cidade de vanguarda? Vamos proteger aos animais ou não vamos proteger aos animais? Tem que ter coerência, não podemos estar aplaudindo este tipo de práticas, não podemos seguir conservando-as, são inaceitáveis”, condenou.

Também exigiu ao Movimento de Regeneração Nacional (Morena) ser “congruente” já que “na cidade do México, lançou uma iniciativa muito importante contra as corridas de touros, mas lá em Coahuila está apoiando a Armando Guadiana, um empresário do setor que está muito relacionado com a Televisa. Pedimos congruência de nossos legisladores, se querem nosso voto que cumpram com a demanda social” e fez um chamado para que apoiem a proteção animal.

O deputado do PRD, Victor Hugo Romo, conversou com os ativistas fora da assembleia legislativa da cidade do México e lhes assegurou que o Partido da Revolução Democrática (PRD) trabalha com o fim de “que se faça algo com relação à tortura e a crueldade nestes espetáculos públicos, no caso concreto, a tauromaquia”.

Inclusive previu que o tema da tauromaquia seja discutido na próxima semana para que se inclua na lei de proteção aos animais e “se tenha claro que na cidade do México se evitará, se multará, e se penalizará a crueldade e tortura nestes espetáculos públicos”.

Sem dúvida, destacou, existem interesses práticos de emissoras de TV e empresários que agem de maneira corporativa e manifestou confiar que os deputados que se tem pronunciado contra as corridas de touros, mantenham suas posturas, entre eles Antonio Xavier López Adame e Adrián Rubalcava, do Partido verde Ecologista de México (PVEM).

“Não há elementos jurídicos nem científicos para estar contra (…) mas há que ter paciência. Vocês (os ativistas) tem razão porque nos convenceram com argumentos técnicos, jurídicos e científicos. Por isto, hoje, cada vez mais deputados tem esta postura (a favor de proibir as corridas de touros) e cada vez mais na sociedade civil, principalmente entre os jovens, há pessoas as quais não apreciam que se maltrate aos animais. É uma tendência geral e as redes sociais têm servido muito para conscientizar”, disse Romo.

Por Ivette Lira / Tradução de Nelson Paim

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