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A destruição do leite: a chocante verdade sobre a indústria de laticínios e o meio-ambiente

Por Kate Good / Tradução de Alice Wehrle Gomide

A partir do momento que já temos idade o suficiente para estarmos cientes das propagandas, nós somos bombardeados com mensagens dizendo como os laticínios são essenciais para uma dieta saudável. Quer crescer e ter ossos fortes? É melhor tomar o seu leite! Quer ser igual às suas celebridades ou atletas favoritos? Novamente, a resposta é o leite.

Mais do que qualquer outro alimento que consumimos, o laticínio está associado com cálcio. Tratado como a “fonte” mais importante de cálcio, o leite de vaca se tornou uma verdadeira estrela no mundo dos “alimentos saudáveis”. Embora possa ser discutido que o começo da propaganda do leite pelo seu conteúdo de cálcio tenha começado após a Primeira Guerra Mundial, convenientemente no meio de um superávit de laticínios, esta indústria tem se tornado uma das mais organizadas em lobby dentre as indústrias nos EUA. Em 2013, a indústria de laticínios gastou mais de 8 milhões de dólares em lobbying, e já gastou mais de 3,5 milhões de dólares em somente em 2014. Isso sem comentar o fato de que o governo federal dos EUA coleta “taxas da indústria” para liberar programas de laticínios. Essencialmente, o governo cobra essas taxas dos produtores de mercadorias agrícolas para promover e “pesquisar” tal mercadoria em particular. Conforme os interesses do lobby mobilizam o governo para colocar esses dólares para promover os laticínios, o ciclo acaba se tornando perpétuo.

Independentemente da questionável ética de descaradamente promover os laticínios para uma população que já está no meio de uma obesidade epidêmica (o queijo é principal fonte de gordura saturada na dieta norte-americana), a propaganda do leite possui outras consequências. Conforme empresas encontram mais maneiras de colocar mais laticínios em seus produtos (entre 2009 e 2011, a pizzaria Domino’s entrou em uma parceria de U$35 milhões através de um plano de lobby que fez com que eles colocassem MAIS queijo em suas pizzas – outros na indústria seguiram esse exemplo) eles são recompensados com ganhos financeiros e encorajados a aumentar as propagandas dos laticínios.

Atualmente, as fazendas de laticínios dos EUA produzem 90 bilhões de quilos de leite por ano. Em 2013, a indústria de laticínios dos EUA produziu cinco bilhões de quilos de queijo (excluindo o queijo tipo cottage), quase um bilhão de quilos de manteiga, e quase 500 mil quilos de sorvete com gordura regular.

Onde existe uma oferta abundante de laticínios, existe demanda, certo?… ah, espera aí. Apesar de estar claro que a proliferação de laticínios é ótima para a economia dos EUA, a realidade é que não é tão ótimo para o planeta.

Os laticínios e o consumo de água

O registro mundial do gasto de água da pecuária é de 2.422 bilhões de metros cúbicos de água (um quarto do uso total de água no mundo), 19 por cento do qual está relacionado com as vacas produtoras de leite. Isto pode parecer uma quantidade enorme de água, mas considerando que somente nos EUA atualmente há nove milhões de vacas leiteiras e que em uma operação de produção de laticínios a água é necessária para hidratar as vacas, limpar o chão do salão, as paredes e os equipamentos de ordenha, o gasto de água cresce rapidamente.

Água para limpar as instalações

Uma instalação produtora de laticínios que usa um sistema automático de “descarte” de esterco pode usar até 600 litros de água por vaca, por dia. Uma fazenda produtora de laticínios de tamanho médio possui entre 200 e 700 vacas (a lei considera uma quantidade de 700 vacas leiteiras como o limite mínimo para ser considerada uma Operação Concentrada de Alimentação Animal). Utilizando o valor máximo, isto significaria que uma fazenda produtora de laticínios de tamanho médio usaria quase 400 mil litros de água por dia – somente para limpeza.

Água para hidratar as vacas leiteiras

O leite é formado de cerca de 87 por cento de água, então uma vaca que está constantemente produzindo leite precisa estar hidratada o suficiente. Uma vaca pode beber até 90 litros de água em um dia, então considerando uma fazenda com 700 vacas, 61 mil litros de água seriam usados a cada dia para hidratar as vacas.

Água para comida

Um estudo publicado por Mesfin Mekonnen e Arjen Hoekstra descobriu que 98 por cento do registro do leite pode ser rastreado até a comida das vacas. Vacas leiteiras comem muito. Produzir leite constantemente é um gasto enorme no metabolismo das vacas, e elas precisam repor essa energia através da comida. De acordo com as descobertas de Dan Putnam, um cientista de plantas da Universidade da Califórnia-Davis, é necessário cerca de três quilos de alfafa para produzir um galão de leite (quase 4 litros). É necessário 683 galões de água (cerca de 2600 litros) para produzir somente três quilos de alfafa. Uma vaca leiteira produz até sete galões de leite (cerca de 26 litros) em UM dia, o que significa que 18 mil litros de água são usados por vaca por dia somente para suas necessidades alimentares.

Quando você adiciona o uso de água para comida, hidratação e limpeza, uma vaca leiteira usa quase 19 mil litros de água por dia. Quando você multiplica isso por 700 vacas em uma fazenda de laticínios, temos 13 milhões de litros de água A CADA DIA. Se considerarmos os nove milhões de vacas leiteiras que existem somente nos EUA, esse número é astronômico.

Cerca de 21 por cento dos laticínios dos EUA vêm da Califórnia. Enquanto isto possa não parecer muito importante, quando você considera a extensão da seca atual que está ocorrendo na Califórnia e a quantidade de água que a indústria de laticínios usa, esses 21 por cento se tornam muito significantes.

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As emissões de gases de efeito estufa e os laticínios

De acordo com o relatório da Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (FAO), Greenhouse Gas Emissions From the Dairy Sector: a Life Cycle Assessment (As emissões dos gases de efeito estufa oriundos do setor de laticínios: Uma avaliação do ciclo de vida) estima que o setor global de laticínios contribua em quatro por cento do total global das emissões antropogênicas de GHG. Este número inclui as emissões atribuídas à produção do leite, processamento e transporte, e as emissões de engorda e abate das vacas leiteiras.

De um modo geral, o metano é o gás de efeito estuda mais preocupante produzido pelo gado leiteiro, já que este possui a habilidade de prender até 100 vezes mais calor na atmosfera do que o dióxido de carbono. Cerca de 52 por cento dos gases de efeito estufa produzidos pela indústria de laticínios é metano. Estima-se que as vacas produzem entre 250 e 500 litros de metano em um dia. Voltando para nossa fazenda de laticínios com 700 vacas, isso gera cerca de 350.000 litros ou 150.000 quilos de metano jogados na atmosfera a cada dia. Perturbante.

Colocando isto em perspectiva, um único poço hidráulico é responsável pela liberação de 14.000 quilos de metano em um dia. Grave.

Em países desenvolvidos, a FAO estima que o óxido nitroso faz-se por outros 27 por cento das emissões de gases de efeito estufa do gado leiteiro. Onde o metano possui um potencial de segurar o calor cerca de 100 vezes mais do que o dióxido de carbono, o óxido nitroso possui um potencial de aquecimento global quase 300 vezes maior do que o dióxido de carbono.

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Fabricação de produtos lácteos

Até agora, nós consideramos o uso de água e as emissões de gases de efeito estufa envolvidos na produção de leite. Para criar os muitos produtos lácteos que as pessoas gostam, é necessário muito mais água e a liberação de mais gases de efeito estufa.

Um relatório feito pelo jornal independente MotherJones revela a quantidade de água usada para cultivar os alimentos para as vacas poderem produzir nosso laticínio favorito. Aqui estão os destaques:

  • 1 copo de iogurte requer 133 litros

  • 1 bola de sorvete requer 160 litros

  • 2 fatias de queijo requerem 190 litros

  • 1 copo de iogurte grego requer 340 litros

  • 1 embalagem de manteiga requer 412 litros

Em comparação, são necessários 35 litros de água para produzir um copo de leite de soja.

Para as emissões de gases de efeito estufa associadas com os produtos lácteos, o Environmental Working Group (EWG – Grupo de Trabalho Ambiental) relata que a produção de 115 gramas de iogurte emite a mesma quantidade de gases de efeito estufa do que dirigir seu carro por 1,6km. Para 115 gramas de queijo, o número de emissões equivale a dirigir 5,6km. De todos os produtos animais, o EWG classifica o queijo como tendo a terceira maior emissão de gases, seguido logo depois pela carne bovina e a carne de cordeiro. Para cada quilo de queijo produzido, 13,5 quilos de dióxido de carbono são liberados no ar. Em média, um norte-americano consome 14 quilos de queijo por ano. Então, o hábito de comer queijo de somente um indivíduo pode contribuir com 182 quilos de dióxido de carbono na atmosfera, anualmente.

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Você realmente precisa de laticínios?

Considerando o alto custo que a indústria de laticínios provoca nos recursos de água e nas emissões de gases de efeito estufa, de repente aquele pote de sorvete pode não parecer mais tão gostoso. Algumas pessoas podem não estar prontas para se jogarem em um estilo de vida livre de laticínios, mas existem alguns pequenos passos que você pode dar para diminuir seu impacto no planeta. Por exemplo, se você escolher substituir suas duas bolas de sorvete à base de leite por uma alternativa livre de laticínios, você pode economizar 318 litros de água com somente essa escolha.

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O norte-americano comum consome cerca de 285 quilos de laticínios a cada ano, então quanto menos você consumir, maior será seu impacto. Um galão de leite pesa quatro quilos e são necessários 2.600 litros de água para produzir o alimento para uma vaca leiteira produzir esse galão.

Cerca de 25 por cento da população norte-americana possui intolerância à lactose, o que significa que alternativas livre de laticínios estão prontamente disponíveis para qualquer um que esteja querendo evitar este particular grupo alimentar. Quando você considerar o fato de que nós não precisamos de leite para conseguir nutrientes como cálcio, diminuir seu consumo de laticínios pode parecer muito mais fácil. Para te ajudar a começar, confira receitas de non-queijos veganos, de massas veganas e de pizzas sem laticínios. Você pode até mesmo experimentar leite de amêndoa, soja ou coco em seu cereal ao invés do regular!

Sendo umas das organizações líderes na luta pelo consumo consciente, a visão do site One Green Planet é de que nossas escolhas alimentares tenham o poder de curar nosso sistema alimentar danificado, dar às espécies uma chance de lutar pela sobrevivência e pavimentar o caminho para um futuro realmente sustentável.

Ao escolher alternativas livres de laticínios para o leite, você pode diminuir drasticamente seu rastro carbônico e salvar preciosas fontes de água. Com a riqueza de opções disponíveis de alimentos à base de vegetais, nunca foi tão fácil comer tendo o planeta em mente.

Fonte: One Green Planet 

Nota do Olhar Animal: Saiba mais sobre o que ocorre com as principais vítimas da produção e do consumo de leite acessando o artigo ‘O sofrimento das vacas e vitelos

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