A escolha da mãe

Dr. phil. Sônia T. Felipe 

Praça da Alimentação de um shopping da cidade. Domingo. Um casal jovem, grávidos de uns sete meses, está à minha frente sendo atendido.

Na mesa do atendimento temos pelo menos umas 20 escolhas para compor o molho ao qual será agregada uma massa, essa também à escolha do freguês.

Entre os ingredientes, havia estes de origem vegetal: abobrinha, alcaparras, alho, alho poró, azeitona, brócolis, cebola, cebolinha, cenoura, cogumelo, ervilha, manjericão, milho verde, salsinha e tomate seco.

Além dos ingredientes veganos, a mesa de opções também continha os animalizados: bacon, camarão, frango e gorgonzola.
Para fritar os ingredientes a gente pode escolher entre azeite ou manteiga. E para compor o prato com a massa, também se escolhe entre molho de tomate puro, ou o branco (creme de leite e queijo parmesão), ou o bolognesa (carnes).

Fiquei olhando a escolha da mãe, feliz, na minha imaginação, com a ideia de ver chegando pelo sangue da mãe os nutrientes que seu bebê espera para manter-se em vida. Choquei total. Sério.

Olhava a barriga já bem crescida e vi o bebê lá dentro, precisando de um alimento cheio de luz e de vitalidade. E vejo o que a mãe ofereceu a ele: manteiga para começar a refogar os ingredientes. E, sem faltar com a verdade, nesta sequência ela priorizou a nutrição de seu bebê: bacon, camarão, gorgonzola, mais uma porção de bacon, mais uma porção de gorgonzola, mais uma de camarão.

Para finalizar o prato, ela escolheu molho branco (creme de leite com queijo parmesão). A atendente então avisou: a senhora ainda pode escolher mais dois ingredientes. Meu coração bateu, algo ansioso. Achei que os olhos daquela mãe, finalmente, veriam o que os meus olhos de vegana há mais de quinze anos viam ali: eram 15 ingredientes de origem vegetal e 5 de origem animal. Para completar, ela pediu entediada, azeitona e salsinha. E quanto à massa? Ela já havia escolhido uma massa refinada feita com ovos, não a opção de massa integral sem ovos.

O marido, cujo sangue não está nutrindo o corpo e o cérebro desse bebê, pediu dois ingredientes de origem vegetal e o resto repetindo também o bacon, o gorgonzola e o camarão. E lá se foram, barrigudinhos. E eu fiquei quase sem alma para pedir o meu prato com os 8 ingredientes de origem vegetal e a massa integral sem ovos.

Até hoje sinto uma espécie de luto por essa dieta insana. E sei que a maioria dos bebês está submetida a essas escolhas de suas mães pelos próximos vinte anos. Medei!

Não sou eu a mãe. Mas aquele filho lá dentro, sendo entupido de gordura animal saturada, de colesterol, de tecidos mortos, me doeu até o fundo da alma. A jovem mãe está velha demais para gerar uma criatura saudável. Velha na cabeça. No seu palato viciado em elementos derivados de animais mortos. Na sua dieta de doenças que já está a criar nas artérias do seu bebê antes mesmo de ele nascer.

Segundo T. Colin Campbell, em seu livro, The China Study, quando invadiram a Coreia os americanos perderam 30 mil jovens soldados. Um estudo foi feito examinando-se o estado de seus corações e o resultado foi que 77,3% desses jovens mortos tinham as artérias já lesadas pela alimentação animalizada: laticínios, carnes e gorduras saturadas. As artérias se degeneram ao longo dos anos. Nas palavras de Campbell, “desde aquela época, vários outros estudos confirmaram que as doenças do coração estão disseminadas entre os jovens.”

Se não houvessem morrido ali na guerra, esses homens teriam, provavelmente, enfrentado outra guerra, essa, travada nas salas de espera e de tratamento de clínicas cardiológicas, centros de cirurgia e intubações em centros de tratamentos intensivos, pré-e-pós-cirúrgicos.

Essa guerra, que atinge não apenas os homens jovens, mas boa parte das mulheres, está a ser travada silenciosamente por conta da dieta insana alardeada como saudável pelo agronegócio e seus garotos-propaganda de bacon moderado, queijo moderado, leite moderado, bife moderado, massas moderadas, pão moderado, tudo moderado, menos o estrago que tudo isso, mesmo comido com moderação, causa à plasmalema, o tecido interno das artérias do corpo humano. Nosso corpo animal não evoluiu para alimentar-se exclusivamente, nem moderadamente, de cadáveres e de seus resíduos, magros, ou gordos. Toda essa proteína acidifica o organismo e isso o desvitaliza.

Dieta abolicionista vegana. Bebês alimentados de luz! Bebês vitalizados, filhos do sol, não das catacumbas sombrias. A libertação humana de tudo que é remédio e cirurgia. Os médicos deveriam nos ensinar a comer direito, a comer a luz do sol materializada em todos os tons dos alimentos vegetais coloridos. Cirurgia e remédios? Só para os acidentes ou doenças que não têm origem na comida. E essas são raras.  


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