A fofa mascote olímpica chama atenção para as controversas fazendas de ursos na Coreia do Sul

A fofa mascote olímpica chama atenção para as controversas fazendas de ursos na Coreia do Sul
Os ativistas dos direitos dos animais esperam que as mascotes olímpicas aumentem a conscientização sobre a criação de ursos na Coréia do Sul. (Foto: Chung Sung-Jun/Getty Images)

O urso preto asiático é uma das mascotes mais fofas das Olimpíadas de Inverno de 2018.

Mas os ativistas dos direitos dos animais dizem que a escolha dessa mascote é irônica, uma vez que os ursos na Coreia do Sul são mantidos em fazendas e mortos para colher sua bile, que é usada na medicina tradicional.

“É maravilhoso estar comemorando as Olimpíadas, mas a mascote é a própria espécie que sofre nas fazendas de bile de ursos”, disse Jill Robinson, CEO da Animals Asia, uma organização que trabalha para proibir a prática.

Nesta foto fornecida pelo PyeongChang Organizing Committee para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Inverno de 2018, a ex-patinadora olímpica sul-coreana, Yuna Kim, embaixadora honorária das Olimpíadas de Inverno de 2018, segura os recortes das mascotes oficiais das Olimpíadas de PyeongChang, chamado Soohorang, à esquerda, e dos Jogos Paraolímpicos de Inverno, chamado Bandabi, à direita, em Seul, Coreia do Sul, quinta-feira, 2 de junho de 2016. (foto: The Associated Press)
Nesta foto fornecida pelo PyeongChang Organizing Committee para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Inverno de 2018, a ex-patinadora olímpica sul-coreana, Yuna Kim, embaixadora honorária das Olimpíadas de Inverno de 2018, segura os recortes das mascotes oficiais das Olimpíadas de PyeongChang, chamado Soohorang, à esquerda, e dos Jogos Paraolímpicos de Inverno, chamado Bandabi, à direita, em Seul, Coreia do Sul, quinta-feira, 2 de junho de 2016. (foto: The Associated Press)

Robinson disse que cerca de 1.000 ursos dessa espécie, também chamados de ursos-lua devido às formas crescentes brancas em seus peitos, são mantidos em fazendas na Coreia do Sul. Os ativistas esperam que o foco do mundo nas Olimpíadas gere atenção para os ursos, que uma vez vagaram pelas montanhas escarpadas da Coreia.

“É nossa esperança que a mascote querida e fofa de urso-lua de desenho animado, chamada ‘Bandabi’, sirva como um tipo de embaixadora para os ursos-lua reais na Coreia do Sul, cujas vidas são tudo, menos idílicas e fofas”, disse Robinson.

As Olimpíadas já levantaram preocupações sobre a prática sul-coreana de comer carne de cachorro criados em condições frequentemente sujas em fazendas.

De acordo com a lei sul-coreana, os ursos podem ser mortos aos 10 anos de idade para que suas vesículas biliares sejam extraídas, de modo a remover a bile. (A vida média de um urso é cerca de 25 anos.) A bile é usada na medicina tradicional para curar uma série de males. A criação de ursos também é comum na China e no Vietnã.

Mas a prática na Coreia do Sul está desaparecendo, conforme os defensores fazem progresso. Pesquisas sugerem que a maioria das pessoas não tem interesse em comprar a bile, e o público tornou-se mais sensível aos direitos dos animais. A demanda pela bile está diminuindo, já que o composto encontrado nela pode ser produzido sinteticamente. A Coreia do Sul também proibiu a prática de extrair bile de ursos vivos usando um cateter. E o governo está pressionando para castrar os ursos em um esforço para reduzir os números em cativeiro.

No entanto, os ativistas ainda estão preocupados porque não há santuários para resgatar os ursos para que eles não sejam todos mortos quando completarem 10 anos.

“A criação de ursos é uma prática extremamente cruel e desumana que não tem lugar na sociedade moderna”, disse Robinson.

Por Jim Michaels / Tradução de Ana Carolina Figueiredo

Fonte: US Today

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