A prefeitura de Jaraba, na Espanha, organiza uma jornada de tauromaquia para menores

A prefeitura de Jaraba, na Espanha, organiza uma jornada de tauromaquia para menores

O Comitê dos Direitos das Crianças da ONU, em sua seção sobre a violência contra as crianças, já instou o Estado espanhol em março a proibir a participação de crianças menores de 18 anos nesse tipo de atividade. O Conselheiro de Turismo e Meio-Ambiente da localidade defendeu que “simplesmente irão conhecer mais uma parte da cultura igual a um curso de xadrez, ou uma palestra sobre violência de gênero”.

O encierrillo de San Fermín, o toro embolado e o ensogado, os anéis, os cortes e os quiebrillos, a Prefeitura de Jaraba organizou uma manhã inteira para que as crianças possam desfrutar de uma atividade que a ONU catalogou como nociva para a infância.

O consistório encarregou a Associação Cultural Mar de Nubes de uma atividade que, como define em seu Facebook, busca o “fomento e defesa da tauromaquia”. Segundo o Conselheiro de Turismo e Meio-Ambiente, José Vicente Moreno, trata-se de uma celebração que “os pequenos do povoado exigem porque são aficionados pelas pequenas festividades”.

Independente do desejo deles, o Comitê dos Direitos das Crianças da ONU, em sua seção sobre violência contra as crianças, instou o Estado espanhol a proibir a participação de crianças e jovens menores de 18 anos “como toureiros e como público em espetáculos de tauromaquia”. O informe foi publicado em março deste ano e várias entidades e partidos políticos como PACMA celebraram a decisão tomada pelo órgão europeu, já que “se supõe uma normalização da violência para com os animais amparada pelas instituições”.

O partido defensor dos animais também recordou que já em 2014 a Organização das Nações Unidas garantiu que a tauromaquia e todas as festividades relacionadas estavam em contravenção à Declaração dos Direitos das Crianças.

E, apesar disso, para o Conselheiro de Jaraba, “simplesmente vão conhecer mais uma parte da cultura, igual a um curso de xadrez, ou uma palestra sobre violência de gênero”. Estudos distintos relacionaram a violência animal com a violência de gênero, justamente por essa normalização que o PACMA denuncia.

A Coordenadora de Profissionais pela Prevenção de Abusos fez um estudo com mulheres vítimas de violência de gênero, onde “95% das mulheres que reportaram maus-tratos a animal por parte de seus companheiros, tinham sofrido pessoalmente alguma forma de violência por parte dos mesmos”.

Este relatório ressaltou que os agressores castigavam com igual dureza tanto suas companheiras como seus animais, e em muitas ocasiões os animais de estimação tinham sido usados para coagi-las ou intimidá-las.

Neste mesmo ano em Valência, uma menor disse durante um julgamento por abuso sexual continuado que tinha suportado as violências de seu padrasto para evitar que ele maltratasse seus animais de companhia: “Cada vez que eu negava fazer o que ele queria, ele batia em meus cães, eu não suportava que sofressem”.

Por sua parte, José Vicente Moreno, que defendeu a atividade, garantiu que busca “transmitir a cultura tradicional que há na Espanha”, e que as crianças aprendem tal cultura, mas em nenhum caso “violência, na verdade não acredito que neste caso nenhum animal seja maltratado ou sacrificado, elas nem veem sangue nem nada”.

É verdade que, de acordo com a associação contratada, não são utilizados animais de verdade, mas sim algumas “recriações” de touros e chifres para acorrentá-los e amarrá-los, assim como outras atividades como o sorteio de uma praça de touros em miniatura.

Para a Fundação Franz Weber e a campanha “Infâncias Sem Violência”, é algo que representa uma “atividade na qual as crianças não são motivadas a desenvolver valores como empatia, muito pelo contrário, são alimentadas com ideias baseadas em conceitos como a superioridade e o individualismo”.

Por Rocío Durán Hermosilla / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: Ara Info

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