A proibição das corridas de galgos está a um passo de ser lei nacional na Argentina

A proibição das corridas de galgos está a um passo de ser lei nacional na Argentina

A iniciativa já conta com mais de 165 mil apoiadores na internet e a ONG Projeto Galgo Argentina celebrou outro passo fundamental para erradicar as corridas, o que os protetores denunciam como clandestinas e prejudiciais para os cães que correm. Agora só falta que os deputados aprovem o projeto.

Por Fernando Tocho / Tradução Alice Wehrle Gomide

Argentina corrida galgos

A deputada do PRO e presidenta da Comissão de Legislação Penal, Patricia Bullrich, tomou as rédeas do pedido e no último dia 12 de agosto o projeto que proibiria as corridas de Galgos no país foi apresentado aos deputados e será encaminhado para debate nas comissões.

É importante ressaltar que o requerimento que nasceu como um pedido da ONG Projeto Galgo Argentina já conta com meia sanção da Câmara de Senadores da Nação. A apresentação inicial foi realizada no fim de julho pela legisladora nacional pelo espaço da Aliança Cívica, María Magdalena Odarda.

No projeto são previstas severas sanções econômicas que podem chegar até os oitenta mil pesos argentinos e, nos casos mais graves, a pena pode ser de detenção para os responsáveis dessas práticas.

No caso de conseguir a aprovação dos deputados e se transformar em lei, o projeto causaria uma interferência direta na província de Buenos Aires, já que se estima que nesse território existam ao menos 60 lugares onde são praticadas as corridas de galgos.

De acordo com o projeto original, o pedido para proibir as corridas de cães em todo o território nacional significará um freio estrondoso na cruel exploração e abuso dos galgos torturados nas pistas clandestinas e legais da Argentina, que são realizados mediante o uso de drogas e substâncias tóxicas como arsênico, estricnina, cocaína, metanfetaminas, cardiotônicos, sildenafil, cafeína, anabolizantes, efedrina, entre outros, afetando o sistema nervoso do animal e sua saúde permanentemente, podendo chegar até a morte.

Esses danos possuem somente o efeito de lucrar economicamente com a integridade física dos cães que são usados nas competições. A presidência do Projeto Galgo justificou a extrema necessidade de que o projeto seja aprovado e aplicado o mais rápido possível em toda a Argentina.

“Um voto positivo significará acabar não somente com o abuso e a crueldade a que são submetidos os cães dessa raça, senão de todos os animais que são utilizados para adestrá-los. Além disso, permitirá o controle de situações propícias para as apostas clandestinas, o narcotráfico, a corrupção, a movimentação de dinheiro de origem espúria e, principalmente, a violência social manifestada aos animais, mas estendida às relações sociais mais diretas e ao núcleo mais íntimo”, dizem na requisição.

Na requisição escrita se estabelece que o voto positivo dos deputados significaria estabelecer parâmetros claros sobre o que é a violência física e emocional dos animais utilizados em competições cujo principal objetivo é o lucro.

Buenos Aires olha para o outro lado

“Serão sancionadas como pena de detenção de dois a quinze dias as pessoas que participem das corridas de galgos que ocorram em lugares não autorizados por lei, como organizadores, colaboradores dos mesmos e/ou proprietários dos animais”. Isso é o que estabelece a Lei 12449 de província de Buenos Aires. Além disso, proíbe a realização de corridas de cães de qualquer raça, com exceção das realizadas em pistas criadas e habilitadas por esta lei, promulgada no ano 2000.

De acordo com denúncias feitas por protetores esta situação foi vista durante muito tempo na localidade de Colón.

Marta Wagner é uma das porta-vozes da luta contra estas práticas: “Cada vez há mais galgos resgatados do abandono com importantes seqüelas renais, neurológicas e motoras, fraturas e desnutrição. Estes animais são descartados depois de terem sido usados e até drogados para aumentar seu rendimento. Os ‘galgueiros’ devem assumir a responsabilidade”, explicou ao ANDigital.

Cabe destacar que a localidade de Colón não é o único lugar da província onde ocorrem as corridas de galgos. Também foram vistas nas localidades de Dolores, General Alvear e Daireaux, onde estas polêmicas corridas seguem adiante.

As associações de protetores entendem que a preparação pela qual estes animais passam os danifica fisicamente e um dos seus slogans é “Os direitos dos animais não são negociáveis”. Eles também dizem que há conveniência dos setores políticos para que o circuito funcione, já que “há funcionários municipais que garantem estas irregularidades”.

Legislação e polêmica

Em 2014, o fiscal da UFI Nº 2 de Dolores, Diego Benzi, juntamente da instrutora fiscal Julieta Viviano e da equipe da DDI de Dolores, conseguiram impedir a realização de uma das corridas e, desde então, a pista parou de funcionar nessa localidade. Mas isso é a exceção de uma regra. Esta exceção foi celebrada pelas associações de protetores e se espera o fim total dessas atividades, apesar de que quem promove estas práticas se esconde atrás do dever de preservar a tradição “galgueira”. Uma das justificativas que expõem os donos de galgos para a realização das corridas é que existe uma tradição que, a seu entender, deve ser mantida e, para eles, os animais estão muito bem cuidados.

A polêmica das corridas continuará a ser um tema de interesse na província, com duas correntes opostas bem claras: os que estão a favor e os que estão contra. Mas sem dúvida alguma, nacionalmente já há mais pessoas que querem erradicar estas corridas e, em breve, a contagem digital de aderentes passará dos duzentos mil.

Fonte: AN Digital

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