A tribo indígena Makah de Washington (EUA) poderá em breve caçar baleias cinzentas

A tribo indígena Makah de Washington (EUA) poderá em breve caçar baleias cinzentas

A tribo Makah, um povo indígena do noroeste do Planalto no estado de Washington, foi proibida nos últimos anos de caçar baleias, uma parte da cultura que os nativos têm praticado por mais de 2.000 anos.

Mas a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional finalmente respondeu a um pedido do Makah que seja autorizada a retomar as suas tradições baleeiras. O novo projeto de relatório de 229 páginas abre a porta para permitir a tribo caçar baleias, mais uma vez. Mas, primeiro, ele será aberto a um período de comentários públicos.

“Este é um primeiro passo de um processo público… que poderia eventualmente levar a autorização para a tribo para caçar baleias cinzentas,” Donna Darm, administrador regional adjunto associado para NOAA Pescadores na Costa Oeste, disse ao Seattle Times.

A Lei de Proteção de Mamíferos Marinhos protege baleias da predação humana, mas em alguns casos, sao oferecidos aos grupos indígenas exceções que permitem que a caça possa ocorrer de forma limitada e fortemente regulamentada.

“A tribo espera que possamos praticar nossas tradições, a nossa cultura”, TJ Greene, presidente do conselho da tribo de Makah, disse a KiroTV.Em um tratado negociado em 1855, os Makah estão legalmente autorizados a caçar baleias, mas uma série de decisões judiciais impediu a prática ao longo da última década. Anteriormente, os Makah tinham sido autorizados a caçar uma baleia – dum grupo que inclui cinza e azul – por ano. Mas a tribo caçou a ultima baleia legalmente em 1999. A decisão judicial de 2004 especificou que um estudo de impacto ambiental deveria ser produzido antes que se podesse mais uma vez conceder uma isenção aos Makah.

Apesar da liminar contra a caça às baleias, cinco membros da tribo Makah realizaram uma caça ilegal em 2007. Os caçadores dispararam em uma baleia com um rifle de alta potência, mas levou várias horas para que a baleia finalmente morresse. Ativistas dos direitos dos animais têm argumentado que esta caça é desnecessariamente brutal. É provável que qualquer tentativa de caçar a liminar poderá ser contestada nos tribunais.

“Reconhecemos a importância cultural das baleias para as tribos, e nao pretendemos nenhum desrespeito”, explicou DJ Schubert, biólogo do Instituto do Bem-Estar Animal. “Mas a caça a baleia é intrinsecamente cruel. Estes seres são incrivelmente inteligentes, criaturas sensíveis, e sofrem.”

As reuniões públicas serão realizadas ao longo de abril, mas a decisão final pela NOAA provavelmente não virá por mais um ano ou dois.

Por Brooks Hays / Tradução de Fanny Ingber

Fonte: UPI


Nota do Olhar Animal: Ofereceria-se esta proteção a grupos indígenas que praticassem o canibalismo? Aos que sistematicamente atacassem a população humana não indígena para abate e consumo? A mais provável resposta a estas perguntas é “não”, apesar de que alguns talvez respondessem “sim”, desde que as vítimas não fossem eles próprios. Os índios aceitariam eles mesmos receberem este tratamento e serem abatidos para consumo? Vê-se aí a hipocrisia da medida indicada na matéria, travestida de “respeito às tradições” ou coisa do tipo. A diferença são as vítimas. A visão de que os animais não merecem consideração moral é princípio de quem defende estes relativismos. Ou, no minimo, uma estrondosa incoerência dos que dizem que eles merecem, sim, consideração moral, mas abrem uma exceção neste caso. Relativismo moral no olho dos outros é refresco. “Imposição” é decretar a estagnação moral e cultural para humanos por conta de sua etnia, tratando-os como se fossem objetos de um museu, impossibilitando sua evolução. Etnocentrismo é, sim, blindar culturas e moralidades por, na visão de quem o faz, determiná-las como sendo benéficas de alguma forma, mas ignorar o impacto disto para outros seres sencientes, humanos ou não. Sobre as intervenções de ambientalistas, mais uma vez nosso repúdio aos que tratam os animais como engrenagens ambientais.

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