A vida selvagem dos oceanos deve ficar longe do turismo

A vida selvagem dos oceanos deve ficar longe do turismo

Tradução de Adriana Shinoda

Tilikum esteve em cativeiro participando de espetáculos no SeaWorld, um grande parque marinho nos Estados Unidos, e durante três décadas a orca lhes trouxe arrecadação. Tilikum morreu há pouco tempo devido à uma infecção pulmonar bacteriana, depois de ter matado três treinadores.

A “baleia assassina” era muito famosa porque em 2013 foi a protagonista de um destacado documentário produzido pela CNN. Contudo, o tema não foi a habilidade ou a inteligência do animal, mas o efeito das condições sob as quais vivia em cativeiro que, segundo especialistas, pode tê-la transformado em uma verdadeira assassina.

Em março de 2016, quando Tilikum estava prestes a morrer, ativistas inconformados exigiram o fechamento do SeaWorld, em uma reação a favor dos direitos dos animais nesse parque marinho.

Um aviso divulgado na internet informou: “a baleia negra Tilikum está morrendo lenta e dolorosamente no parque temático SeaWorld na Flórida. É imperdoável o que fizeram”, disse o porta-voz do Proyecto Orca, organização de beneficência dos EUA que luta pela libertação desses mamíferos para seu habitat.

Gabriela Cowperthwaite, diretora do documentário BlackFish, disse que “esta é uma história profundamente trágica em todos os sentidos. Tilikum teve uma vida miserável”, e por isso seus treinadores também morreram.

Em 2010 a treinadora Dawn Brancheau, de 40 anos, morreu quando a orca agarrou seu cabelo e a arrastou para baixo d’água, no final de um espetáculo em Orlando. Em 1991 morreu outro treinador quando ele caiu acidentalmente na piscina, sendo submergido por Tilikum e outras duas baleias. Em 1999, um homem que entrou no parque depois do horário de funcionamento do parque foi encontrado morto na piscina de Tilikum.

Em fevereiro de 2016 o SeaWorld, que apelou frente a todas as acusações nos tribunais, admitiu que havia enviado seus funcionários para se infiltrarem em grupos de direitos dos animais que empreendiam campanhas contra a exploração das orcas para participar do referido documentário.

Em 2015 grupos de ativistas aplaudiram os planos do SeaWorld que põe fim aos espetáculos de orcas em seu parque em San Diego, na Califórnia. Mas um porta-voz do parque acrescentou que nesse momento os espetáculos somente serão substituídos por “um tipo diferente de experiência, centrado no comportamento natural das orcas”.

Tudo parece indicar que o dinheiro segue sendo o incentivo. O SeaWorld percebeu a queda na receita desde o lançamento do documentário Blackfish, em 2013.

A organização internacional Reponsible Travel, que promove o respeito aos direitos dos animais na indústria do turismo internacional, escreveu recentemente que o principal valor da defesa dos animais é respeitar o comportamento natural da espécie em seu habitat. “Ainda que algumas pessoas afirmem que uma criatura se encontra em bom estado de saúde, uma vez que ela se alimenta e não possui sintomas de doença, um animal preso pode estar sofrendo de maus-tratos menos visíveis”.

A Responsible Travel condena completamente os espetáculos com orcas e golfinhos presos. Sua campanha, juntamente com a Alianza Mundial de Cetáceos, se opõe à subsistência de baleias e golfinhos aprisionados em aquários em todo o mundo.

Fonte: Travel Trade Caribbean

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