A vingança não é justa nem ética 2

Por Sônia T. Felipe

Escrevi outro dia sobre a vingança não ser ética (Coluna da ANDA). Há quem sofra pelo mal que outras pessoas lhe fazem usando seus animais como meio para realizar a maldade (somatofobia é isso).

O que posso escrever para quem se sente tremendamente injustiçada ou injustiçado por um ato malévolo de uma pessoa próxima de quem não se esperaria maldade alguma?

Aqui está o que me inspirou a queixa justa de uma leitora: o mal que essa pessoa te fez está escrito para sempre nela. Se te pões a fazer mal a ela, vingando-te, escreves em ti mesma o que fizeres a ela. O que ela resolveu gravar em sua biografia, representando o mal, não deve ser copiado por ti.

O mal está solto por aí. Apenas o bem está guardado, por ser mais precioso, em cada um de nós. Guarda-te no bem que em ti está guardado. Busca nele a força e serenidade para aguardar o sopro do mal ir para bem longe de ti.

Uma forma de fazer isso é ficando distante de quem te fez o mal e em momento algum imitando essa pessoa. Essa é a virtude que o mal nos desafia a aprimorar em nós. Não repetir nem replicar o mal. Não duplicar o mal. Não espalhar ainda mais mal no mundo.

Não imitar o malévolo, para não nos tornamos semelhantes a ele. Grande desafio. Escolher qual a imagem que queremos ter de nós. Se nos vingamos, tornamo-nos iguais ao malévolo, nos tornamos maléficos.

Somos muito “fazistas”. Sempre queremos fazer algo para mostrar para a pessoa que nos faz mal o tanto do mal que ela nos fez, ou o tanto do mal que ela é capaz de nos fazer. Isso dá à ela mais poder ainda de nos fazer novo mal dali a pouco.

Muitas vezes dar uma de poste é a única saída moral. A gente não se move. Apenas fica no lugar que é nosso e deixa a luz iluminar o trajeto de quem passa. Só isso.

Não empodere o malévolo, imitando-o. Desempodere-o, mantendo teu eixo, tua biografia. O mal quer se alimentar de novas criaturas. Ele quer seguidores. É sedento de atos impensados. Cai fora. Vira poste. Apenas continua a oferecer a tua luz. Esse é o desafio.

Duro de aguentar ser poste? Duríssimo. Se não fosse duro o poste seria de borracha.


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