As associações de proteção de animais estão preocupadas com a evolução negativa do abandono de animais.

Abandono: ‘Há gatos que se suicidam’

As associações de proteção de animais em Portugal estão preocupadas com a evolução negativa do abandono de animais. Em declarações ao jornal i, as associações Focinhos & Bigodes e Entregatos não têm dúvidas de que o número de animais abandonados continua a aumentar, apesar da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), tutelado pelo Ministério da Agriculta, não conseguir quantificar a tendência deste fenómeno.

“Nunca tivemos tantos gatos como temos neste momento. As pessoas acham que o termo abandono só se aplica aos animais que são largados na rua. Acreditam que se forem deixados numa associação ou num canil municipal, já não é abandono”, disse a responsável do Entregatos, Ema Mock.
E os gatos chegam mesmo a suicidar-se quando são abandonados, garante a responsável. “Os gatos que estiveram isolados a vida toda e nunca tiveram contacto com outros da sua espécie têm de ir para uma jaula para se habituarem progressivamente à presença de outros animais. Ao fim de dois ou três dias, deprimem e morrem. Suicidam-se. Nada que façamos os anima. Os mimos, o colo, a comida à seringa, nada. O abandono mata mesmo.”

A Entregatos cuida, neste momento, de mais de 250 felinos. Numa década já ajudou mais de 3 mil gatos. Localizados em Sintra, resgatam muitos animais do concelho – e não só. “Recebemos muitos dos concelhos vizinhos – Odivelas, Cascais, Oeiras, Loures. Mas também temos gatos do Porto, Ponta Delgada, alentejanos, de Aveiro…”, explica Mock.

Apesar do Governo referir ao i que não tem um número concreto relacionado com o abandono de animais, sabemos que tem aumentado o número de queixas à PSP e a GNR por maus tratos e abandono de animais. Em 2018, as autoridades receberam 2054 queixas em 2018, mais 38 em relação ao ano anterior. Setúbal, Faro, Lisboa, Braga e Porto são os distritos com mais casos, mas, se analisarmos os números, percebemos que Setúbal registou mais queixas, 236, que Faro, Lisboa e Braga juntas.

Por Alexandre R. Malhado

Fonte: Sábado / mantida a grafia lusitana original

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