Abate é evento social na zona rural da Bahia

Abate é evento social na zona rural da Bahia

O abate de um porco, um boi ou um bode é um evento social nos municípios da zona rural que circundam a cidade de Irecê. Compadres e vizinhos se reúnem em torno do matador para fumar um cigarro, mascar fumo e “prosear”, em meio aos berros do porco da vez.

O encontro acontece ainda antes do amanhecer, para aproveitar a brisa fresca e realizar o longo trabalho de limpar e cortar o animal antes dos raios mais quentes do sol do sertão. Quem aplica os golpes é o matador, um morador do bairro reconhecido pela habilidade em tirar rapidamente a vida do bicho, abreviando o sofrimento.

Seu trabalho é recompensado com partes do animal abatido ou pequenas quantias em dinheiro. Os cachorros chegam junto na expectativa de que lhes sobre um osso para roer e o sangue escorrido na chão para farejar. A escolha do animal, feita na noite anterior, tenta estimar a demanda com base na experiência de quem cria e de quem vende.

O objetivo é acabar com toda a carne em, no máximo, três dias, enquanto o produto está fresco. Nem toda a carne é destinada ao consumo próprio. O que resta pode ser trocado com produtores de café ou milho, por exemplo.

Os açougues da região também são abastecidos com a carne dos pequenos produtores. Para o bode, o instrumento mais adequado é um pedaço de pau. Facões, machados ou tiros são usados em porcos e bois.

Se há muita carne guardada no freezer de amigo açougueiro, o selecionado é um bicho menor. É por esse motivo que a maior parte dos abates acontece aos sábados, para antecipar a demanda dos churrascos de domingo. Às segundas-feiras, os matadores voltam ao trabalho para abastecer as feiras de rua que acontecem no início da semana.

Fonte: Bem Paraná 


Nota do Olhar Animal: Enforcamentos, decapitações e outras formas de execução de humanos também eram eventos sociais e comumente festivos quando ocorriam legalmente. Deixaram de ser encarados com a mesma naturalidade, mesmo que a evolução moral da humanidade esteja tão longe de algo que realmente possa ser chamado de civilizado, como comprovam os frequentes linchamentos ainda promovidos por parte da população. Espera-se que, com a continuidade desta evolução, o abate de animais também deixe de ser encarado com a naturalidade com que ainda é visto. Ainda incipiente, esta mudança já é bastante perceptível.

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.