Abrigo de animais abandonados aposta em histórias ‘fofas’ para incentivar adoção no interior de SP

Abrigo de animais abandonados aposta em histórias ‘fofas’ para incentivar adoção no interior de SP

A foto de uma cachorra com a boca cheia de espinhos após um incidente com um ouriço do mato, acompanhada de uma história com roteiro dramático, é uma amostra da estratégia que vem sendo adotada por um abrigo público de animais abandonados no interior de São Paulo. A ideia é atrair a atenção da população e, quem sabe, garantir uma adoção responsável e um novo lar para o pet.

Foi assim que o Abrigo Municipal de Animais Domésticos de Pederneiras (SP) conseguiu que a boxer Alana conseguisse uma nova família apenas uma semana após ter sua “aventura” de abandono contada nas redes sociais e em matérias na imprensa da região.

No dia 16 deste mês, funcionários do abrigo, com ajuda do setor de comunicação da prefeitura, dispararam nas redes sociais a história de uma cachorra boxer, de quatro anos de idade, que foi abandonada nas proximidades do aterro municipal.

Além do abandono, o texto destacava seus ferimentos causados por espinhos de um ouriço e apresentava a cachorra, já batizado de Alana, como disponível para adoção.

“Hoje contaremos a história da Alana, uma cachorra boxer recém-chegada ao abrigo. Ela tem 4 anos e foi vítima de abandono e resgatada com a boca cheia de espinhos. Agora, ela já está superbem, é mansa e brincalhona, já foi vermifugada, vacinada, prestes a ser castrada, pronta para ganhar um novo lar e novos amiguinhos. E aí, topa levar a Alana para a sua casa?”, diz o texto.

História da boxer Alana, resgatada com boca cheia de espinhos de ouriço, sensibilizou seu novo dono, que a levou casa. — Foto: Prefeitura de Pederneiras/Divulgação

Uma semana depois veio a notícia mais esperada pelos funcionários do abrigo: Alana foi adotada!! E até ganhou a condição de “princesa”, segundo a nova história divulgada:

“Lembram da Alana? Pois ela foi adotada e foi morar em um sítio lá no distrito de Santelmo, aqui mesmo em Pederneiras. O seu novo dono, que preferiu não se identificar, já comprou uma casa novinha para a Alana e garante que ela será tratada como uma princesa”, diz a postagem.

Segundo a médica veterinária Giovanna Moscatelli Fabiano, responsável pelo abrigo, a estratégia de criar historinhas emocionantes, ilustradas por fotos dos pets com olhar “de esperança”, tem ajudado no aumento das adoções.

“Ajudou muito, pois quando contamos a história do pet, as pessoas ficam tocadas, sensibilizadas, e vêm ao abrigo procurando não apenas um animal, mas ‘aquele animal da história’”, explica Giovanna.

Giovanna Moscatelli Fabiano (à esq.), responsável pelo abrigo, com as funcionárias Roselene Paixão e Elim Amarante: 98 animais à espera de novo lar. — Foto: Arquivo pessoal

A responsável pelo abrigo destaca que o método de contar as histórias não surgiu apenas como uma forma para a prefeitura “se livrar” dos animais, mas como o caminho para dar um destino digno aos animais que estão sofrendo com o abandono.

“Nós nos preocupamos com os pets mesmo depois que eles são adotados, pois temos um trabalho de pós-adoção, acompanhando o animal em seu novo lar, tomando todas as medidas para que ele receba todos os cuidados”, explica a médica veterinária.

Como forma de proteção ao animal adotado, a prefeitura realizará visitas periódicas para observar a saúde e o tratamento do animal.

Se for constatada situação de maus-tratos, o animal será recolhido e o responsável poderá ser indiciado na Lei 9605/98 (maus-tratos a animais), que prevê prisão de três meses a um ano e pagamento de multa.

Nova mentalidade

Para a veterinária Giovanna Moscatelli, o trabalho de divulgação de histórias com roteiro emotivo tem despertado na população uma mudança de perfil dos interessados em adotar animais abandonados.

Antes, boa parte das pessoas que recorria ao abrigo procurava pets “bonitinhos”, ou então algum “de raça”. A responsável pelo abrigo percebe que, agora, aumentou a procura pelos chamados “virinhas”, denominação carinhosa para os vira-latas.

“Está surgindo uma nova consciência e as pessoas querem fazer o bem. Muitos até admitem querer um animal mais resistente, que não dê tanto gasto com banhos e tosas, mas muitos também têm orgulho de passear com seu vira-lata”, atesta a médica veterinária.

Atualmente, o abrigo de Pederneiras conta com 98 animais abandonados à disposição para adoção, sendo 55 cães e 43 gatos.

Outras histórias

Cidinha chegou ao abrigo ainda filhote e aguarda o dia em que irá para um novo lar: “Doce de cachorra” — Foto: Prefeitura de Pederneiras/Divulgação

CIDINHA – Uma das moradoras mais antigas do Abrigo, com uma história que se confunde com quase todos os animais daqui: foi vítima de maus-tratos dos antigos donos e, desde filhote, espera por adoção. Ela tem seis anos, dos quais cinco são de histórias incríveis. Ela é mansa, divertida, adora brincar e é um doce de cachorra. E aí, quer levar a Cidinha pra brincar na sua casa? Ela ainda está no Abrigo de Pederneiras, à espera de adoção.

Laurinha, abandona doente e magra à beira de rodovia: “Um pecado, mas com final feliz: ADOTADA!!” — Foto: Prefeitura de Pederneiras/Divulgação

LAURINHA – Uma filhote linda com uma história incrível. Ela foi abandonada à beira da pista, no entorno de Pederneiras. Um pecado. Com muita sorte, foi encontrada viva por um morador que a encaminhou para o Abrigo Municipal. Doente, magra e precisando de muito cuidado, recebeu medicações, vacinas, vermífugos e logo poderá ser castrada também. É supercarinhosa e está pronta para ganhar um novo lar e novos amiguinhos. Dias depois desta história, Laurinha foi adotada!

Tico e Teco viveram uma história triste e foram abandonados pelos antigos donos: “Irmãos inseparáveis” — Foto: Prefeitura de Pederneiras/Divulgação

TICO E TECO – Quem lembra dos desenhos infantis da Disney com os alegres e também arteiros esquilos Tico e Teco? Aqui no Abrigo também vivem o Tico e o Teco, dois cachorrinhos de porte médio que esperam ansiosos por um novo lar. A história deles, porém, é triste. Eles foram resgatados de uma propriedade rural no Horto Aimorés, após abandono dos donos. Junto a eles, estavam outros três animais. Mas o Tico e Teco são irmãos, inseparáveis. Eles têm aproximadamente um ano de idade e são energia pura. Acostumados a viverem em local aberto, são ótimas companhias para quem tem área de lazer ou rancho. Eles ainda aguardam adoção.

Serviço

Adoção de pets em Pederneiras

  • Onde: Abrigo Municipal (avenida Antônio Franceschi, L-235, Distrito Industrial Fuad Razuk)
  • Horário: das 8h às 11h e das 13h30 às 16h30, de segunda a sexta-feira
  • Documentos necessários: RG, CPF e comprovante de residência
  • Quanto: gratuita
  • Informações: (14) 3283-1299

Por Sérgio Pais

Fonte: G1

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